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Blog do Zé

  • 29/11/2017 Eu queria também saber de onde é que venho - você sabe?

    De onde é que a gente vem? Já parou pra pensar? 


    De onde é que a gente vem? Já parou pra pensar? Outro dia numa conversa uma pessoa me perguntou isso: "De onde você vem?" Eu não sabia responder por causa da falta de memória mas fiquei pensando se as pessoas sabem. Se elas pesquisam, se vão atrás, se perguntam para os pais e os avós, se buscam nos livros e na imprensa a história da própria família, das origens, da chegada ao Brasil.

    Queria dizer que sempre me intrigaram os percalços e os caminhos que os imigrantes percorrem para chegar até aqui. Mas se eu dissesse isso estaria me enganando. Ou talvez esteja descobrindo algo a meu respeito - será que a minha família veio também de longe? Por onde será que passaram até chegar aqui? Já contei do meu orgulho de ser brasileiro, mas não tinha pensado nisso até agora. Meus traços não são puramente brasileiros, se é que existe tal coisa.

    A história que quero contar para vocês hoje é de Azniv Chapazian Makssoudian, que nasceu em São Paulo em 1939. Eu não sei explicar, mas já sabia que esses sobrenomes são armênios. Quando comentei sobre isso, me falaram que há inclusive alguns famosos no Brasil com sobrenomes parecidos, todos também de família armênia. A família de Azniv, como ela contou para o Museu da Pessoa, fugiu do genocídio promovido pela Turquia.

    O pai passou pelos Estados Unidos antes de chegar ao Brasil. "Meu pai nasceu na Armênia, na Anatólia. Quando ele tinha 14 anos, meu avô, pressentindo que havia um movimento contrário dos turcos contra os armênios, mandou o filho para os Estados Unidos, na casa das tias maternas, para salvaguardar a vida do primogênito". O avô dela foi morto no genocídio. "Minha avó foi deportada com os quatro filhos restantes". Triste, né?

    Azniv estudou em uma escola armênia e aprendeu o idioma da família. "Quem saía diplomado do primário, naquela época, falava fluentemente o armênio, lia e escrevia, e também tinha o diploma autorizado em português com todo o currículo normal", conta. A família, aliás, criou o que seria, segundo ela, a primeira lavanderia do Brasil. "Meu pai, caminhando pelas ruas de São Paulo antigo, percebeu umas senhoras carregando trouxas de roupas na cabeça. Veio a informação para ele que elas lavavam manualmente em casa as roupas de hotéis e restaurantes e depois tomavam o bonde e entregavam no centro da cidade. Ocorreu logo a ideia de fazer uma lavanderia industrial aqui no Brasil. Ele conseguiu importar os maquinários e fundou a Lavanderia Moderna Norte Americana. Ele fez de todos os irmãos sócios".

    O idioma não era o único traço dos antepassados que a família conservava. Na chácara deles, como ela contou, "havia um abacateiro frondoso onde meu pai tinha instalado mesas fixas onde almoçávamos aos sábados e domingos. Tocava-se música armênia, dançava-se músicas típicas armênias, em roda". E já que falei do orgulho de ser brasileiro, faço questão: "Aqui eles encontraram uma São Paulo acolhedora, liberdade de expressão, liberdade de religião, liberdade de atividade. Podiam escolher a atividade que quisessem".

    E você? De onde você vem?
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    Com a história da Ady e sua paixão pelo balé, chego mais perto de descobrir as minhas.

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