Busca avançada



Criar

História

Sem mágica, mas com construção de confiança

História de: Gilberto Carlos Nascimento Azevedo
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 13/08/2017

Sinopse

Gilberto Carlos Nascimento Azevedo nasceu em Poções (BA) e se sentiu crescido quando pode sair com o seu avô para caçar passarinho, atividade que hoje já não pratica, mas que o faz lembrar da infância, que tinha também os passeios com os amigos para banhos em rios. Gilberto conta como foi seu período escolar e como foi se mudar para o internato durante o Ensino Médio, numa escola diferente, com liberdade e treinamento para que os jovens se desenvolvessem como autodidatas. Formado como técnico em mineração, Gilberto trabalhou antes de ingressar na faculdade e quando o fez, já tinha alguns objetivos definidos. Depois de formado em Engenharia de Minas, trabalhou durante 17 anos na Vale, tendo sido chamado para atividades na França e na Noruega. Em 2010, foi chamado para integrar a equipe da Kinross e, com ajuda da esposa, decidiu-se pela mudança e, sem mágica, mas com muito diálogo e escuta, tem construído seu trabalho como gerente-geral da Kinross-Paracatu.

Tags

História completa

Eu estava trabalhando na Vale há 17 anos quando surgiu o convite, a oportunidade de me juntar à equipe da Kinross. E é sempre uma decisão muito difícil porque depois de 17 anos numa empresa você acaba se afeiçoando às pessoas, à empresa, às atividades que você desenvolve, àquilo que você acredita em relação àquela empresa. Mas é um momento que a gente acaba refletindo e, naquele momento, eu pensei o seguinte, eu tinha que fazer uma escolha: ou optar por permanecer eternamente na empresa que eu estava, ou, se fosse momento de tentar uma mudança, seria naquela hora. E minha esposa teve um papel também, que ela deu aquele empurrãozinho, sabe? “Eu acho que a gente tem que fazer algo diferente.” Eu sempre fui muito feliz na empresa anterior e, por isso, foi um momento muito difícil pra mim, essa decisão. Mas, feita a opção, vida nova, então eu me juntei à Kinross no primeiro trimestre de 2010.

A posição estava vaga, então precisava de alguém, um outro profissional, pra assumi-la. E ai, tem dois aspectos que pra mim eram mais importantes. O primeiro deles, o fato que a empresa, a Kinross, havia assumido o controle cerca de cinco anos antes. Essa assunção de controle levou a uma reestruturação, e essa reestruturação implicou na saída de muita gente de cargos gerenciais e de direção que estavam aqui antes. Ao mesmo tempo que a Kinross arrume o controle e faz esse processo de reestruturação, ela estava implantando um projeto que é muito importante, de modernização e de capacitação das operações pra tratar o minério que era mais desafiador do ponto de vista de dureza. Então, eram dois movimentos ao mesmo tempo. Quando eu cheguei aqui em 2010 esses dois processos ainda não estavam consolidados, nem um e nem o outro.

Esses processos de mudança são muito desafiadores para as pessoas que os vivem. Quando você fala da reestruturação, as pessoas que estavam mais antigas, aquele embate entre o antigo e o novo, quem era antigo, quem é novo na empresa e há esse choque de culturas, e ele estava bem vivo na época. E em relação à implantação do projeto, o fato que a gente estava vivendo um ramp-up muito difícil. Aquilo que tinha sido colocado como premissa de projeto em termos de produção não estava sendo atingido. Tinha essa questão do clima e a forma como essas coisas impactavam as pessoas. Então minha prioridade, acho que desde o primeiro dia que eu cheguei aqui, foram pessoas e clima. E quando a gente fala de pessoas e clima, a gente não tem como não estender isso também pra comunidade porque as coisas estão inter-relacionadas. Quando a gente vê o porte da nossa operação fica fácil a gente ler que uma boa parte da população de Paracatu ou trabalha ou tem familiares trabalhando aqui. Então, uma parte da comunidade está bem presente no dia a dia das nossas operações e, quando eu falo presente, é trabalhando efetivamente. Se você falar de uma população de 80, 90 mil pessoas, você está falando de 4 a 5% trabalhando diretamente na operação, fora as pessoas que têm atividades que são ligadas à empresa, indiretas, e os familiares que dependem dessas pessoas. Então, assim de forma muito genérica, a empresa tem alcance em termos de geração de emprego e renda, talvez alcançando aí dez, 15 mil pessoas na cidade, mais familiares. Por isso quando a gente fala das pessoas, a gente estende pra comunidade também pela relação, fato que a empresa estar próxima. Em suma, o desafio acho que desde o primeiro dia foi pessoas, relação, comunidade.

Foi um processo um tanto quanto intuitivo e natural, mas muito no sentido de construir confiança, construir um propósito comum pro time. E isso através de diálogo, através de alguns processos para ouvir as pessoas, para engajá-las nas discussões e tentar sinalizar, através de atitudes, aquilo que a gente estava pretendendo e aquilo que a gente acredita. Por exemplo, uma das ações que eu tomei à época, assim que aqui cheguei, foi dar ao supervisor de mina a autoridade pra parar os equipamentos se tivessem de alguma forma incomodando a comunidade. É simbólico, mas tem uma mensagem aí que os valores estão acima da produção. É óbvio que uma empresa precisa da produção, ela precisa de faturamento, precisa de receita pra existir e pra cumprir a sua função, mas a sua função é bem maior do que isso, né?

Em linhas gerais, não teve nenhuma fórmula mágica de novo, é questão de convivência, relacionamento, valores claros e construir isso ao longo do tempo. Nenhuma revolução, um processo evolutivo, de ganhar confiança, de solidificar posições, de integrar a equipe e avançar.

Você minerar, lavrar um mineral de muito baixo teor, um dos menores teores de ouro do mundo pra uma mina e também um corpo mineral que não é homogêneo, que é heterogêneo trazem desafios pro processo. E um processo novo, recém-implantado. Não que a tecnologia fosse nova, mas era uma planta nova, com configurações novas, pra esse minério específico. O desafio de produção é um desafio constante, não é algo que para no tempo. Uma das minas, que eu posso afirmar, que é uma das mais bem operadas do Brasil, através de investimento, através de trabalho em equipe e muita cooperação, não só interna, aqui na nossa mina, mas de outras áreas corporativas e de outras unidades da empresa. Então, é um trabalho que vai ter o envolvimento de vários processos, de várias diferentes áreas da empresa e que trouxe a gente numa curva de aprendizado que nos levou hoje a nos encontrar numa situação muito melhor do que em 2010. Mas é uma curva de aprendizado, então a gente ainda continua essa jornada.

Aqui foi uma experiência nova, um minério novo e um desafio, nesse aspecto técnico, muito diferente, eu diria até, muito maior. Uma coisa é você conhecer conceitos, outra coisa é você vivenciar, ter experiência e habilidade de lidar com isso no dia a dia. Agora, a gente nunca está sozinho, então, quando você chega numa operação como essa, você tem muitas pessoas que têm conhecimento, que têm experiência e que ajudam na construção de um processo mais forte, mais eficiente. E a gente tinha muita gente que era da época da RTZ, outros profissionais que vieram do mercado, e todo mundo agregando conhecimento, capacidade, experiência, levou a gente ao grau de eficiência que a gente tem hoje.

Ver Tudo PDF do Depoimento Completo

Outras histórias


Ver todas


Rua Natingui, 1100 - São Paulo - CEP 05443-002 | tel +55 11 2144.7150 | cel +55 11 95652.4030 | fax +55 11 2144.7151 | portal@museudapessoa.net
Licença Creative Commons

Museu da Pessoa está licenciado com uma Licença
Creative Commons - Atribuição-Não Comercial - Compartilha Igual 4.0 Internacional

+