Busca avançada



Criar

História

Uma vida fit

História de: Luciene Ulhôa Faria
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 13/08/2017

Sinopse

Luciene Ulhôa Faria lembra com carinho de Paracatu de sua infância entre a casa da avó – onde atualmente é sua academia –, as praias da cidade e seus carnavais. Luciene sempre participou desses eventos festivos com o foco na elaboração e confecção das fantasias, e essa habilidade ela trouxe para sua atividade profissional, para a realização dos festivais de encerramento de atividades de dança da Corpus. Luciene casou-se aos 15 anos com o primo, com quem teve duas filhas. O nome das meninas batiza a fazenda que eles têm na beira do rio da Prata, Sarana, e que ela conta como foram as primeiras noites lá e como atualmente esse lugar serve de palco para competições do crossfit.

Tags

História completa

A gente tem muita lembrança da casa da minha avó, Dona Joaninha, que onde hoje é a academia. A gente era muito ligado a família da minha avó materna. Os dias que a gente passava lá, os primos todos juntos, era uma farra só. Toda [a família morava] no entorno do núcleo histórico de Paracatu, eu morava na porta, na frente do Dom Elizeu, e a casa da minha avó era o quê? A dois quarteirões dali. Então era aquele zanga-zanga de primo, de tio, da família toda. E os doces de dona Joaninha, as quitandas dela, o biscoitinho de queijo: o melhor que existia, pão de queijo.

[A casa dela] Era do lado do Jockey Club de Paracatu, que tinha os carnavais da cidade e hoje é a Câmara Municipal. E ali tinha concurso de fantasias, minhas tias participavam dos blocos, não sei o quê, e tem fotos e mais fotos nossas lá, e eu acabei entrando nessa onda de participar de concursos. [Eu também] Participava de concurso, fazia fantasia, pegava as fantasias das minhas tias, reformava para mim e ia concorrer eu sempre gostei dessa mexida.

Antigamente, ali perto da casa da minha avó, ali no Santana, depois do Santana, tinha a praia, e a gente ia para lá para nadar, e a turma toda ia de bicicleta, nadava e voltava, às vezes iam escondidos dos pais que não deixavam, e todo mundo querendo essa bagunça toda. Paracatu inteiro praticamente ia lá, porque era um local que servia para todo mundo: brincar, passear, às vezes ia fazer piquenique, ao mesmo tempo tinha o pessoal lavando roupa ali, as lavadeiras. A criançada ia em peso, as famílias iam, era muito bacana.

[Na escola] O que sempre me marcou foi essa questão de atividade extra, mais essa parte levada a arte foi o que me atraiu muito. Então, tudo o que tinha em relação a isso eu estava à frente. Peças de escola, eu sempre estava na frente, como eu morava de frente, escrevia a peça, eu era personagem e  ensaiava todo mundo e  montava o cenário. Eu ia lá em casa carregava os móveis nas costas, levava, montava o cenário todinho lá no Dom Elizeu, depois a gente voltava carregando tudo de volta, e [era] a mesma coisa quando era uma coisa relacionada a dança... Eu montava tudo. “Ah, vai ter, preciso de uma coreografia para o dia do índio” suponhamos, aí eu juntava lá todo mundo, e eu montava, coreografava, colocava todo mundo lá, ensaiava, arrumava o figurino, ou emprestado ou saia catando as coisas de um ou de outro e montava alguma coisa e ia acontecendo. Então assim, o que mais me marcou na época de escola foram essas atividades.

O Carnaval de Paracatu era muito famoso. Muito. Tinham os blocos que aconteciam lá na Rua Goiás e era uma disputa, para a época parecia uma escola de samba, aquele tanto de bloco e tal. Eu lembro muito disso, todo mundo vinha de fora, quem morava fora que tinha saído para estudar vinha passar o Carnaval aqui, e era aquela festa, o pessoal arrumando.

Eu casei muito nova, eu casei com 15 anos, então eu já entrei direto nessa fase junto com as minhas tias. A gente criava fantasia, eu ia para Belo Horizonte e era aquela criação de fantasia, e confeccionando, juntava na casa de uma tia para confeccionar, na casa da minha mãe e assim a gente ia fazendo e ia para o Jockey para concorrer. E assim, várias famílias faziam e tinham os concursos.

[História da academia] Antes disso tudo tinha a dona Tereza, esposa de Biruca. Ela era da ginástica, ela dava ginástica aeróbica, depois veio a Ana carioca, e depois veio a Joyce, Joyce Mara. Joyce Mara trouxe sapateado, balé e jazz para a cidade e eu fui aluna delas todas, chegou a um ponto de eu fazer as três aulas ao mesmo tempo. Então fazia a aula com uma, aula com a outra e aula com a outra.

Eu casei grávida, mas, antes de engravidar, eu já estava noiva. No meu aniversário de 15 anos eu fiquei noiva e, logo em seguida, engravidei, e a gente casou. Eu andei parando os estudos e depois voltei até terminar. Teve uma época que eu fui trabalhar com Elder [meu marido] na madeireira e depois eu iniciei a mexida minha nessa área de academia. A vida toda eu sempre estive dentro de uma academia, ou fazendo como aluna ou trabalhando como professora, né, e depois eu já comprei a academia, que era de uma professora minha de Patos que estava se mudando da cidade, ela estava indo embora e me ofereceu na hora, era meu sonho, né, eu falei: “Vamos comprar! ”

Lúcia Queiroz trouxe para Paracatu [a ideia dos festivais] e ela continuou com esse trabalho então todo o final de ano, para encerrar, tinha o festival de dança. E eu peguei isso com a Carla e dei continuidade. Nós fomos aumentando, lógico aumenta a modalidade, aumenta a quantidade de alunos, local. O primeiro festival que eu fiz, eu fiz uma pirâmide do Egito desse tamanhozinho de papelão (risos). Nós não tínhamos uma visão, estava começando, hoje os cenários já são grandiosos. Então nós fomos crescendo e aprendendo.

Nós fomos ganhando a valorização, a sociedade começou a valorizar um trabalho que antigamente não era valorizado, ele era visto por outro ângulo. O que eu mexia antigamente ele era visto muito como estético, hoje em dia virou saúde, a dança hoje em dia também, o pessoal já tem uma outra visão, tanto relacionado a atividade física como para saúde para as crianças, para que não cresçam adultos sedentários e que venham a ter problemas de saúde e tal, mas também relacionado a parte artística, cultural. Então os pais hoje já têm uma visão bem diferente em relação a isso, e isso ajuda muito.

Eu falo que casamento é muito bom, mas o melhor do casamento são os filhos, e eu só tenho a agradecer as duas filhas que eu tenho. Foi difícil? Foi, porque com 15 anos não é fácil, eu tive Ana, a segunda eu tinha 19 anos. Eu não tinha uma profissão formada, eu era totalmente dependente, Ana já tinha nascido quando eu comecei a trabalhar com academia, mas é a melhor coisa do mundo, as minhas filhas.

De repente, ser mãe de duas meninas até fez com que aflorasse mais esse trabalho de criação de figurino, mexer com moda fitness, mexer com academia, de repente isso até me ajudou nessa parte.

Meu sonho é dar continuidade no que eu faço, não parar nunca, ter saúde para continuar tocando a vida.

Ver Tudo PDF do Depoimento Completo

Outras histórias


Ver todas


Rua Natingui, 1100 - São Paulo - CEP 05443-002 | tel +55 11 2144.7150 | cel +55 11 95652.4030 | fax +55 11 2144.7151 | portal@museudapessoa.net
Licença Creative Commons

Museu da Pessoa está licenciado com uma Licença
Creative Commons - Atribuição-Não Comercial - Compartilha Igual 4.0 Internacional

+