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A vida dinâmica

História de: Antônio Carlos Saldanha Marinho
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 00/00/0000

Sinopse

Antônio Carlos Saldanha Marinho nasceu no Rio de Janeiro e não teve medo de aceitar e enfrentar desafios e também de deixar a praia. Antônio formou-se em Direito e, desde o primeiro emprego, já sabia que queria trabalhar em empresas multinacionais. Trabalhou em diversas áreas como a farmacêutica, a alimentícia, a de papéis e celulose e atualmente a de mineração. Para cada empresa, um desafio. Para cada mudança de cidade, uma vontade de superar.

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História completa

Eu que vinha de empresas menores, foi como eu que pilotava jatinho e me deram um Boeing para pilotar, foi muito interessante, a minha carreira cresceu muito, alavanquei muito. Peguei muitas crises lá, essa empresa [Fleischmann Royal do Grupo Nabisco] era fabricante da gelatina Royal e, um dia, alguém da Secretaria Nacional de Vigilância Sanitária achou que a gelatina estava com excesso de cromo. Cromo é uma coisa que tem no ovo, não é nada, para aqueles que não conhecem podem até se impressionar, então, é questão muito mais política do que qualquer outra coisa. Essa gelatina foi proibida no Brasil inteiro. Isso começou em São Paulo, a coisa irradiou para outras secretarias. Eu já estava com um ano e pouco de casa, foi logo no começo, o presidente, um inglês, um dia, chegou para mim e disse: “Olha, esse assunto aqui é seu, você vai ter que liberar a gelatina e tem prazo para isso, esse prazo é de quatro meses para estar liberado. Você conjuntamente com o diretor de Alimentos, vocês dois que se completam, terão que liberar essa gelatina”. Aí começamos saindo em campo... Eu sumia de casa, às vezes, por uma semana, viajando pelo Brasil afora, até conseguimos liberá-la em São Paulo mesmo, que foi onde começou o problema. Liberamos a gelatina em São Paulo, dali você tinha que replicar aquilo pelo Brasil afora, que não necessariamente era automático, os outros não iriam liberar somente porque São Paulo, que começou com o assunto, liberou. Então, saímos viajando por uma verdadeira romaria, sumia às vezes de casa até 15 dias e tudo, e já era casado e já tinha filhas, naquela época, duas filhas, ainda tenho, né? Foi uma fase muito importante da minha vida. Eu acho que eu cresci profissionalmente, muito, com essa situação. É o que eu digo, eu acho que você sempre cresce quando você enfrenta uma crise. A gente não tem que fugir das crises não, quando elas aparecem, claro que o ideal é que não tivéssemos, mas quando aparece, nós não devemos fugir, a gente deve chegar e enfrentar e lutar com todas as armas, desde que legais, para chegar ao objetivo maior. Eu consegui então liberar a gelatina, fiquei muito forte dentro da companhia por esse “gol”, esse grande “gol” na minha vida. Então, ela foi uma empresa muito importante, um grande desafio.

[Já a entrada na Kinross, depois] Foi um processo demorado também, processo de uns três a quatro meses e tudo né, aí veio uma proposta para assumir uma posição justamente na Kinross, que não era nesse escritório, era em um escritório quase que aqui em frente. Começou o processo e mais uma mudança, né? Nesse espaço teve uma fase bem desagradável na minha vida, eu me esqueci de falar... Mais isso é muito importante. Minha esposa teve uma doença muito grave, muito séria e infelizmente, após dois anos... Isso antes de eu chegar nessa fase crítica... Ela não resistiu e faleceu. Nessa fase eu estava apenas com as minhas filhas, foi uma fase muito complicada e até para fazer uma mudança seria difícil, minhas filhas já estavam um pouco maiores, com 12 a 13 anos, adolescência... E eu conversei com elas e disse: “Aqui tem outra oportunidade, vocês sabem bem da história, eu não estava satisfeito nessa empresa, aconteceu o que aconteceu e eu tenho que voltar a trabalhar. Foi uma fase boa, nós viajamos e tudo, mas a gente tem que viver, não tem jeito!” E aí eu conversei com elas e acabei aceitando a posição aqui para a Kinross.

Foi um desafio muito grande, muito interessante, porque a empresa, naquela época, era uma empresa que precisava aumentar a sua produção de 21 milhões para 62 milhões de toneladas e dependia de uma série de licenciamentos e de compra de terras também, porque para você aumentar a produção em um valor expressivo desses, você tem que produzir barragens e para produzir barragens você precisa, na realidade, é de muita terra, que se chama de área de empréstimo. Então, você compra a terra para você emprestar aquela terra para levantar barragens. E esse foi um dos maiores desafios que eu tive quando eu entrei aqui na Kinross. Tinha que comprar, tinha que assumir essa área de terras, eu até então tinha tido algumas experiências de aquisição por parte da International Paper, porque papel, como você bem sabe, tem que plantar eucalipto, pinus e tudo... Mas não nessa proporção, então, eu comecei a desenvolver um planejamento, algum controle para que a gente pudesse ser mais efetivo nessa aquisição de terras e foi um sucesso.

Um detalhe interessante é que esse projeto de aumento de produção da empresa foi feito, mas naquela época, não contemplaram a parte de aquisição de terras, que é extremamente importante, porque você precisa de área de empréstimo para a barragem. Quando eu comecei a comprar teve um fato que me preocupou muito, porque os preços começaram a aumentar tremendamente, princípio básico da lei da oferta e da procura. Quando eu cheguei nessa companhia, o preço do hectare custava em torno de 2 mil, no final, pela pressa que nós tínhamos de comprar, para manter o cronograma da expansão, você já estava pagando 20 mil, 25 mil o hectare, tinha pessoas que pediam até 30 mil. Então eu tive me apressar muito em comprar, porque quanto mais tempo passasse, mais complicado seria. Nós conseguimos vencer aquilo ali. Claro que era muita pressão, muita intensa, em cima de mim. Havia uma preocupação também com referência às comunidades quilombolas por parte dele, desnecessária, porque a empresa sempre cuidou bem das comunidades quilombolas, inclusive, em alguns casos construiu residências, casas, melhores do que a que eles viviam.

Foi uma fase muito complicada de trabalho, mas também, eu, conjuntamente com outros executivos, não só eu, pois o mérito não foi só meu, nós conseguimos realmente suplantar e fazer com que a empresa seguisse o seu objetivo maior, que era o esse plano de expansão. Esse plano levou uns três anos, mais ou menos, eu imagino, para se completar, mas foi um sucesso, nossa produção está em plena capacidade. Foi um marco na minha vida profissional ter enfrentado todas essas dificuldades e ter saído bem-sucedido, foi muito bom para a minha carreira. Isso é um trabalho de equipe, é um trabalho com o pessoal lá da mina, é um trabalho de todos nós. Essa é uma empresa que é respeitada, eu acho isso muito importante... A empresa conseguir construir um nome e, para construir um nome, isso representa grandes atitudes.

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