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História

Uma mulher porreta

História de: Maria do Socorro Dias Santos (Dona Pequenita)
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 11/02/2009

Sinopse

Em seu depoimento, Maria do Socorro, a Dona Pequenita, fala sobre sua infância e sua relação com sua família. Conta também sobre seu trabalho na roça e com a pesca. Aborda também a situação atual de sua cidade e também a história de uma enchente que deslocou toda a cidade para retornar parcialmente aonde era tempos depois.

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História completa

Meu nome é Maria do Socorro. Eu nasci no dia 12 de outubro de 1941. Em Pilão Arcado Velho. Meus pais são João Gualberto Dias e Ana Francisca Dias. Trabalhavam na roça. Quando eu era pequena? Meus pais nos botavam pra trabalhar. A gente trabalhava. Olhe, meu pai largou minha mãe, eu fiquei com idade de oito anos de idade. E até hoje estou dentro da roça. Plantava milho, plantava feijão de corda, plantava o de arranca, plantava abóbora, a melancia e a batata. É, nós plantávamos de um tudo isso aí. Mas até hoje nós plantamos.

Em 79. Encheu muito. Então, a gente estava tudo na cidade nova, depois voltamos para Ilha pra plantar, que secou, voltamos para a ilha pra plantar. Então plantamos, deu muito peixe, deu muito é lavoura nas roças, graças a Deus. Foi porque alargou de água. A água correu ali, naquela rua ali, que é a rua da Avenida. Correu ali. A CHESF (Companhia Hidro Elétrica do São Francisco) tirou o pessoal, mas ninguém queria sair daqui. Queria ficar era aqui. Veio e indenizou as casas da gente. Não, eles vieram mesmo, pra indenizar as casas da gente e ninguém queria sair daqui, não. Porque nós sabíamos que Pilão Velho não ia cobrir, não cobria, não. Então eles disseram que era pra nós todas sairmos daqui. Indenizaram a casa do povo, meteram a mão, derrubaram todas as casas pra botar outras na cidade nova.

Saímos pra cidade nova. Então, depois o homem que eu era casada voltou pra cá de novo, pra trabalhar nas ilhas. Porque viu que lá não dava pra ele ficar. Não dava mesmo. Com um bocado de filho nas costas, filho na escola, fiho tudo, nós viemos pra cá. E minha mãe, entreguei meus meninos a minha mãe pra ficar lá com meus meninos. O que ele pegava aqui, o peixe que ele pegava, fazia a feira e levava pra meus filhos com minha mãe, e os meus filhos lá. Mas não tem um pra não saber a ler, graças a Deus, não tem um pra não saber a ler. Eu posso não saber, só sei assinar meu nome, porque fui ajudar minha mãe a trabalhar. Só sei assinar meu nome, mas meus filhos todos sabem ler.

Eu era a mais velha de todas, e tive 12 filhos, nove homens e três mulheres. Nós aqui todos éramos católicos da igreja. José Washington de Menezes. Mas tive Maria Aparecida lá e José Washington de Menezes e o resto tudo foi aqui. Tive Tonho, tive Lundoca, tive Edimar, tive Adimilton, tive Adinive, tive Emanuel, tive um bocado de filho aqui!

Foi um padre da Boa Vida, que Santo Antônio foi pedir. Porque a igreja dele caiu, que a enchente derrubou. E botaram ele na Igreja de Nossa Senhora do Livramento. então ele saiu e foi pedir esse padre da Boa Vida, muito longe daqui, que ele não conhecia, não sabia onde era Pilão Arcado. Veio pra pedir ele pra vir fazer essa igreja que ele estava pagando aluguel a Nossa Senhora do Livramento, que todo mês tirava do dinheiro dele pra Nossa Senhora do Livramento, e o padre veio. Nessa igreja não tem pedra xingada. As pedras xingadas elas estouram todas por aqui mesmo, que ele tirou. Ele batia com a bengalinha e tirava. Não foi de meu tempo mas eu vi a minha mãe e os outros contarem. Ele tirava. Então construiu a igreja toda de pedra, que ela é toda de pedra.

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