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História

A importância do apoio familiar

História de: Guilherme Baladi
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 08/11/2016

Sinopse

Guilherme Baladi relembra como foi descobrir ainda na infância o diabetes e, como esta notícia uniu ainda mais sua família para que ele pudesse ter uma vida mais saudável. Guilherme compartilha a importância do conhecimento, do controle do diabetes, bem como o apoio que recebeu dos seus entes queridos como um ponto crucial em sua vida.

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História completa

Meu nome é Guilherme Baladi e eu nasci dia 15 de abril de 1992 em São Paulo.  O nome do meu pai é Fabio Baladi e da minha mãe, de casada é Marina Gazzano Baladi e de solteira era Marina Suban Gazzano. Eu tenho um irmão Rafael Baladi que hojee tem 19 anos, cinco anos mais novo do que eu.

A minha mãe é dentista e hoje está mais voltada para área de estudos e pesquisas e meu pai é engenheiro elétrico, mas ele não exerce, ele tem uma empresa na qual trabalha junto com os meus tios. É um negócio de família. O meu pai é um pessoa que lembra muito o meu avô, ele é muito tranquilo, discreto, receptivo, muito tímido e de uma bondade extrema. A minha mãe, eu acredito que puxei mais a minha mãe. Ela é de uma bondade também enorme, mas de um temperamento mais difícil.  Ela é mais momentânea, não é muito paciente como o meu pai é. E o meu irmão, é uma pessoa muito tímida. Digamos que o lobo da família, o mais rebelde seja eu.

O que eu mais guardo na minha infância, sem dúvida nenhuma, são os meus avós, eu era muito apegado com eles, eu amava os meus avós, a relação que nós tínhamos era fantástica. Todo domingo a família toda se reunia e íamos almoçar, era uma delicia. E as férias eram no Guarujá, todos os primos, todas as famílias iam para lá, o meu vô tinha um apartamento na praia, onde a família inteira se reunia lá e ficava julho inteiro, então era muito legal, era a melhor parte, não tenho nem o que falar. Tinham as viagens de Natal, Ano Novo, todo ano a gente ia a família inteira para um hotel, foi a melhor parte da minha infância, sem dúvida. Quando eu era pequeno, sempre falava pra minha mãe: “Mãe, quanto tempo falta para as férias?”, o Ano Novo era sensacional. A família inteira na sacada de frente para o mar vendo os fogos e você sabia que não ia acabar, que nem os almoços de domingo que às quatro horas, vai todo mundo pra casa, não. Ia continuar. Então essa imagem de ver a família inteira de branco cantando “Adeus ano velho, feliz ano novo”, meu avô, meus pais, meus primos e os meus tios é uma imagem muito forte pra mim, eu nunca vou esquecer isso. Sem dúvida, quando você pergunta uma coisa marcante na sua infância, é isso. Eu contava o ano inteiro para chegar no final do ano e comemorar o Ano Novo. A Minha família é sensacional. Meus tios são demais. Quando eu fiquei diabético, inclusive, eles me apoiaram muito e me apoiam muito até hoje.

Da época da escola eu lembro da minha amiga Aline que era uma japonesa, ela era uma amigona minha. Ela, inclusive, me ajudava a fazer a letra, aquelas folhas com linhas e tudo mais e na escola, eu adorava o parquinho do colégio e sempre brincava também com professores. Eu sempre me dei muito bem com os professores, eu gostava de falar com eles. Na Escola eu gostava ou de brincar, ou então adorava quando a professora, chegava na sala e falava assim: “Hoje a gente vai para a biblioteca”, aí fazia aquela fila indiana e ia todo mundo para a biblioteca. Eu era hiperativo. Antes do Dante Alighieri, eu estudava no Rainha dos Apóstolos lá no Ipiranga e tinha um balanço que eu brincava muito nele. Eu tinha um amigo, acho que foi o meu primeiro amigo de que eu me lembro, Rafael leite era o nome dele. E a gente se balançava tanto no balanço que chegávamos na sala, colocava dois colchonetes no chão, a gente dormia, de tão cansados. Era a minha coisa predileta, balançar com o Rafael Leite.

Eu brinco com a minha mãe que meu diagnóstico do diabetes foi inveja dela, por quê? Nós costumávamos todo ano ir para Poços de Caldas e nós ficávamos no Hotel Palace que é no centro da cidade. E Poços de Caldas tem doce de leite, aquele negócio de cidade de interior cheia de doces e eu pesava 65 quilos com nove anos. No hotel, eu comecei com os sintomas, eu perdi peso, eu ia muito ao banheiro e a quantidade de liquido que eu tomava, era impressionante. E minha mãe no hotel já preocupada “Tá estranho isso, tá comendo pra caramba e tá emagrecendo”, aí voltamos para São Paulo, e eu tomava litros e litros de água em minutos, três litros de água em Cinco minutos, era impressionante. E quando eu ia ao banheiro, o meu xixi acordava todo mundo, era um xixi forte, você conseguia escutar. Foi então que minha mãe ligou para o meu médico e pelo exame de sangue descobrimos que eu era diabético. Isso é um choque muito grande para todo mundo e eu não tinha noção do que era diabetes. A minha mãe estava bastante abatida e a minha ficha foi cair quando eu fui em um loja pra diabéticos pra comprar a caneta. E aí, eu falei: “Opa, espera aí, eu vou me furar?” “Vai” “Mas é uma vez só, né, mamãe?” “Não, todos os dias” “Até quando?” “O resto da vida”, aí minha ficha caiu. Foi drástico, uma cena semelhante a batida do Ayrton Senna. Você tá 230 quilômetros por hora e você bate num muro. Porque eu era obeso, eu chegava em casa e tomava refrigerante até dizer chega, eu não tinha limites e de repente, de uma noite, você tem que parar tudo. Foi um choque, que para uma pessoa que não tem maturidade, nove anos, sofre com isso, pela alimentação no geral. E os meus pais são grandes heróis, eles me controlavam muito e ficavam no meu pé. Tudo na casa foi adaptado. E Quando eu digo casa não é a minha casa, é a da família, minha madrinha, como eu te falei, ela mandou uma cesta gigantesca só com produtos diet. Se você me perguntar o quê que tá por trás do Guilherme com relação ao combate da diabetes? A minha família.

Em plena adolescência, as coisas continuaram da mesma forma, entrou a bomba de insulina e a bomba de insulina, o que antes pra mim já era aceitável na minha infância, com a bomba virou normal. E nessa época eu já tinha autonomia, mas adolescente, você não vai ficar focado nisso, você quer seguir sua vida, seguir seus amigos, você quer seguir a vida. Só que a bomba te da uma liberdade que você tem que ter uma certa maturidade, entendeu? E eu não tive essa maturidade eu não tenho essa maturidade e até hoje, eu estou tentando ter essa maturidade e é essa falta de maturidade que leva às complicações do diabetes.

Hoje eu sou estudante de medicina e a escolha da minha profissão veio de uma vontade de ser piloto de avião por causa do filme Top Gun do Tom Cruise. Esse era o meu sonho. Só que por ser diabético, eu não posso ser piloto do Exército, da Marinha como retrata no filme, isso me invalida. E minha mãe, ela sempre teve a Medicina como um grande sonho e ela me incentivou muito. Essa vontade da minha mãe me impulsionou e conforme eu ia convivendo e de vontade virou era desejo.

Eu tenho uma namorada que me apoia muito no controle do meu diabetes e muito dos meus sonhos são relacionados a ela, de construirmos uma família juntos, casarmos, ter a nossa casa. Então hoje, meu grande sonho, além da Medicina é constituir uma vida tendo um futuro com os meus pais e com a minha namorada atual o que eu tinha com o meu avô, uma família inteira, Natal, Ano Novo, reunida. Isso pra mim é qualidade de vida. Eu quero conseguir sentar, fazer que nem o meu avô, o meu avô sentava com um copo de whisky e amendoim e via a família dele. O dia que eu conseguir fazer isso, eu vou falar: “Eu tenho a melhor qualidade de vida do mundo”, eu quero ser avô. 

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