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A nordeste do meu coração

História de: Dalvaci Porto
Autor: Dalvaci Porto
Publicado em: 13/02/2015

Sinopse

Os geminianos, como eu, são comunicativos, exploradores, gostam de viajar e fazer pontes entre pessoas, lugares, experiências. Nasci na Paraiba e migrei para a Bahia na infância, terra que me adotou e me deu régua e compasso prá vida. Neste momento estou vivendo numa mega metrópole - São Paulo, experiência muito gratificante, num crescendo de relações de aprendizado e novas construções de vida.

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História completa

Meu nome é Dalvaci Araujo Porto Santiago. O meu pai, David, era viúvo e tinha cinco filhos quando conheceu a minha mãe, Alcinda. Eles se conheceram, namoraram e logo se casaram.

Nasci em Catolé do Rocha na Paraíba, em 14 de junho de 1961, mas, fui registrada em 18 de agosto de 1961.

Meu pai era mecânico de automóveis e minha mãe, costureira. Eles tiveram 4 meninas. Ao todo, somos 9 filhos. Manuel, José, Mauricio, Manassés, Inácia, Edna, Edilsa, Elisabete e eu.

Migramos para Mossoró/RN em 1966, onde nasceu Bebel, a minha irmã caçula. Meu pai tinha uma oficina mecânica. Ao lado da oficina ele tinha um armazém que comercializava vinagre, óleo, álcool e cachaça. Uma brincadeira que eu gostava era de brincar com as minhas amigas de desfile Miss Brasil. Meu pai nos alfabetizou em casa.Tinha 5 anos quando fui à escola pela primeira vez. O nome da professora era Dona Tica. A escola era numa casinha bem pequena que tinha um tamarindeiro enorme no quintal. A nossa educação de casa valorizava muito os estudos. Desde cedo nos integrávamos às tarefas domésticas. As meninas ajudavam nas atividades de casa e os meninos na oficina, ajudando meu pai, de forma que todos aprendessem o gosto pelo trabalho e adquirissem um ofício.

Manoel é o meu irmão mais velho e hoje tem 72 anos. No final da década de 60, Manuel foi morar em Jequié, no semiárido da Bahia. Ele gostou da região e achou que era um bom lugar para a família se estabelecer. E a convite dele, toda a família migrou prá lá. Morávamos numa casa com um grande quintal, na beira do Rio de Contas. À noite brincávamos na rua as cantigas de roda, boca-de-forno, picula, esconde-esconde, baleado, pular corda... Na adolescência, eu e minhas amigas,tínhamos o costume de ir para a matinê do cinema, aos domingos, assistir aqueles faroestes italianos. Foi numa sessão de cinema que eu conheci meu primeiro namorado.

Meu irmão José, saiu de casa em 1958. Após 39 anos sem contato com a família, José reapareceu, reatando o elo perdido. Ele vive no Mato Grosso. Foi uma alegria imensa. Desde então todos os anos ele visita os irmãos, junto com a esposa, filhos e netos. É motivo de muita alegria prá família.

A minha formação acadêmica foi na área de História. Iniciei meu curso na Universidade Federal da Paraíba. Depois de 2 anos morando em João Pessoa/PB, tranquei a matrícula e fui para São Luís/MA. Depois de 2 anos voltei para Salvador/Ba. Concluí meu curso de História na Universidade Católica do Salvador.

Meu primeiro casamento foi em 1985, no Forum Ruy Barbosa.

Em 1987, nasceu a minha filha Clarice, do signo de áries.

Em 1988, nasceu meu filho Ravi, do signo de touro.

Fiz 30 anos em 1991. Neste mesmo ano, o meu marido faleceu. Essa perda me fez reavaliar tudo; a relação com a vida, com a fé, com tudo.

Em 1993 casei-me pela segunda vez.

A ciência da educação sempre norteou minha formação. Entre 1993 e 2005 trabalhei na Escola Casa Via Magia, cuja experiência foi como uma base estruturante na minha identidade profissional. A proposta pedagógica da escola incluía uma sala de aula ao ar livre, que era o quintal/laboratório, onde realizávamos atividades interativas com as crianças e professores. Nossa rotina era cuidar da horta, produzir composto, fazer plantios, colheitas, chazinhos, banhos de ervas, jogos, murais, contação de histórias... ou simplesmente, contemplar a caminhada das formigas. Fazíamos papel artesanal da coleta seletiva de lixo, que depois gerava produção de cartões, oficinas de poesia. E muitos textos coletivos. Minha primeira experiência de produção de material didático, numa pesquisa de educação ambiental, dialogando com a língua portuguesa, as ciências, a história, as artes. O processo educativo no quintal promovia uma aprendizagem significativa, conectada com os ciclos da vida. Meus filhos estudaram lá até a 4a. série.

Em 1994 conheci Marsha Hanzi, e, junto com ela, entrei no movimento de Permacultura. Aprofundamento numa pedagogia emancipatória - educação ambiental. Fiz parte da fundação do Instituto de Permacultura da Bahia.

Em 1996, trabalhei na Unidade de Conservação Bacia do Cobre/São Bartolomeu, um dos últimos remanescentes de Mata Atlântica do município de Salvador. Oportunidade de conhecer o subúrbio ferroviário e aquela grandeza de patrimônio humano, social, histórico e ambiental; o descaso do poder público, a gravidade dos efeitos antrópicos na Bacia do Cobre. A estratégia foi trazer a educação ambiental para as escolas públicas do parque, o Projeto São Bartolomeu. Nessa experiência, tive o prazer de trabalhar com Lydia Hortélio, que era responsável pelo ação chamada Roda Pião.

Meu pai faleceu em agosto de 1996. Muita tristeza. Logo em seguifa ganhamos de presente um cachorrinho que batizamos de Big.

Meu segundo casamento chegou ao fim em 2002.

Minha mãe faleceu em 2003, num triste dezembro. Ficou uma saudade eterna.

Mais um alçar vôo no meu caminho, em 2006. O Projeto A Horta Escolar como Eixo Gerador de Dinâmicas Comunitárias em Educação Ambiental e Alimentação Saudável. Os quintais das escolas municipais do recôncavo, em Saubara, Bom Jesus dos Pobres e Cabuçu, na Unidade de Conservação Baía de Todos os Santos. A formação de professores do ensino fundamental, em educação ambiental, em meio às hortas, histórias e brincadeiras da cultura popular. Contato com a tradição oral africana. Feiras de ciências, ensinamentos com os mestres cantadores de chula do recôncavo. Quanta riqueza!

Entre 2008 e 2009, meus filhos foram morar fora. Nessa época entrei em contato com o budismo tibetano. Me mudei para o recôncavo baiano, cidade de São Felix, 14 mil habitantes. Morávamos eu e meu fiel companheiro Big.

Em 2010, trabalhei no PEAMS, com educação ambiental no saneamento. Oportunidade de conhecer as vários regiões do Estado, zona rural, zona urbana. Viajei por todo o interior do Estado, conhecendo a diversidade e a riqueza da diversidade cultural baiana.

Em maio de 2010 fiz o primeiro retiro espiritual com o Lama Padma Santen, em Timbaúba/Pernambuco. Fomos eu e minha filha juntas. Uma experiência que nos fortaleceu muito.

Fiz 50 anos em 2011.

Em 2012, realizamos o Projeto Eco-redes Ambiental, no município de Cairu, situado na Unidade de Conservação de Tinharé/Boipeba, território onde o Brasil começou. Associação Clube de Mães, um grupo de mulheres da terceira idade buscando novas dinâmicas de vida. Foram 18 meses de trabalho e lições que levarei comigo prá vida inteira.

Meu querido Big nos deixou, aos 15 anos e 4 meses. Tristeza profunda.

Em 2014, me mudei para São Paulo. Vida nova. Início e um novo ciclo de vida. A vida segue. São Paulo, 05.10.2014

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