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História

A segunda que virou primeira

História de: João Machado de Siqueira
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 19/12/2012

Sinopse

Identificação. A infância passada na Freguesia do Ó entre os anos de 1920 e 1930. A fuga da família por conta da Revolução de 1924 para o bairro de Perus. O período em que viveu em Santana do Parnaíba e em Pirapora. O regresso à Freguesia do Ó e o trabalho em um moinho de farinha. O convite para ser sócio de um restaurante cujo imóvel era de seu pai e a venda de frangos com polenta. O aprendizado da massa de pizza junto a um carroceiro espanhol e a transformação do restaurante em pizzaria. As transformações ocorridas na Freguesia do Ó e o cotidiano de trabalho.

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História completa

“Meu pai me conta que antigamente a cidade começava nas Perdizes, porque você olhando da Freguesia do Ó, no meio não tinha nada ali. Então meu pai vinha de burro e atravessava para as Perdizes. Ia lá para a cidade vender palha, cidrão, rapadura, coisas que ele fazia. Quando eu era mocinho, era comum ter festas nos sítios, nas fazendas do lado de lá. Eu era convidado, mas, para chegar nos lugares, sempre tinha o problema que precisava atravessar o rio de balsa. E não podia esquecer que, à meia-noite, fechava a balsa. Se você não chegasse a tempo, ficava preso no lado de lá. E aí não tinha outra opção: tinha que tirar a roupa, pôr na cabeça e atravessar o Tietê a nado. Era tudo diferente. Era comum você ver os aposentados sentados, conversando, jogando seu dominó no largo da Freguesia. Hoje não é possível nem mais passar lá, porque aumentou demais o movimento com aqueles barzinhos todos. Mas foi por essa época, por volta de 1930, que eu comecei a trabalhar em um moinho de farinha; não me lembro mais o nome, sei que era perto do Moinho Santista. E depois uma parente minha me arrumou um emprego no Franco-Brasileiro, e então eu comecei a trabalhar no Curtume Franco-Brasileiro, que era ali no Largo Pompeia. E eu ia a pé da Freguesia até lá todos os dias. Ia e voltava. Os ônibus demoravam uma eternidade para passar e você corria o risco de perder a hora se ficasse ali esperando. Trabalhei oito anos no Curtume. Aí, em 1939, veio o convite para formar uma sociedade com o Bruno, Bruno Bertucci, que na época tinha uma casa que trabalhava frango com polenta. Não era pizzaria ainda. O nome Bruno ficou porque ele era o sócio mais antigo, ele que abriu a casa. A primeira pizzaria de São Paulo na verdade foi a Telêmaco, que ficava na Avenida Ipiranga, mas depois ela fechou e a Bruno ficou com esse título de primeira. Lá no lugar onde é a pizzaria hoje tinha um barzinho; um sírio que fazia comida síria. Aconteceu que um dia o Bruno foi lá e gostou do ponto; gostou porque tinha uma coisa interessante: você enxergava São Paulo da pizzaria. Nos anos 40 não existia nenhum prédio na Freguesia. Agora não, agora foram construindo prédios e tapou quase toda a visão. Hoje o máximo que dá para enxergar é ainda uma parte das Perdizes até a Lapa; é pouco, mas ainda dá. No começo dava para ver a cidade inteirinha; só tinha a Vidraria Santa Marina ao longe e o resto era brejo.”

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