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História

Caído de paraquedas no Brás

História de: Dionísio L' Abbate
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 31/10/2016

Sinopse

Em sua breve entrevista, Dionísio fala de sua infância em Polignano a Mare, onde muito trabalhou no campo, colhendo e plantando. Em seguida, descreve a cidade e seus costumes, festas e tradições. Depois ouvimos sobre a morte de seus pais e sua viagem para São Paulo, onde ficaria no Brás. Diz Dionísio que veio trabalhar logo no dia em que chegou, sem sequer saber uma palavra de português. A partir daqui, nos conta sobre seus negócios cerealistas, sua empresa Diolena e seus sonhos para o futuro.

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História completa

Eu nasci em Polignano a Mare no dia dez de maio de 1935. Meu pai é Vitor Antônio L’Abbate. Já minha mãe se chama Isabella L’Abbate, os dois nasceram em Polignano a Mare. Eles trabalhavam no campo mesmo e eu trabalhei junto deles. Tudo quanto é semente se plantava, se colhia. E tinha arvoredo também, azeitona, amêndoa, essas coisas todas. Vendia-se muito, ô! Devia vender senão não dava pra viver! Vendia-se as azeitonas pra quem fabricava óleo. Amêndoa também, que tinha atacado depois e vendia pro exterior. Plantávamos também batata, trigo, tudo o que era da lavoura. Tudo isso pra comer e se era demais vendia também. Eu trabalhava no campo mesmo, com arado e enxada.

 

Nós tínhamos até que bastante posse, deveria dar um quilômetro, todo dia tinha campo pra fazer. Era na Via Roma, número 131. Era uma das principais da cidades de lá, por isso acho que tinha o nome de Via Roma, devido à capital da Itália. Agora o que não falta é igreja na Itália, são todos católicos lá. Ah! A festa do dia 15 de junho é o dia do padroeiro da cidade, que se chama São Vito. Festa é o que não faltava também, ainda mais religiosas, tinha a procissão, a gente ia na igreja, depois quando acabava ia no meio da praça, tinha os bancos, onde se vendia cerveja, sorvete, essas coisas. Sentávamos lá, comíamos e bebíamos. Tinha orquestra que vinha até de fora, com banda de música e nós ficávamos lá escutando, dançando. Como meus pais faleceram cedo, a minha irmã já estava aqui e eu vim pra cá. Já faz 62 anos. Morreu a minha mãe eu tinha 11 anos, morreu o meu pai eu tinha 16.

 

Quando cheguei no Brasil eu tinha uma minha irmã e meus tios aqui. Aliás, eles vieram até me buscar do Rio, viajaram juntos de lá até Santos. Eu desembarquei em Santos, e aí eu vim direto pro Brás. Naquela época era Zona Cerealista mesmo, tudo sempre lotado, com feirante, carroça, caminhão e tudo. A impressão que eu tive da cidade era fantástica, de cidade grande, de muito movimento, nunca tinha visto algo parecido. Eu fui lá trabalhar naquele mesmo dia. Era muito movimentado o comércio. O quê! Eu não entendia nada. Primeiro mês nem se entende o português, no segundo mês entende e no terceiro mês eu já até falava. Eu vendia cereais, amendoim, arroz, feijão, todas essas coisas. Naquela época não dava pra parar e dar entrevista de quatro horas como essa não

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