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História

Casamento dos sonhos no Museu do Futebol

História de: Priscilla Fernandes de Meo Gazinhato
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 14/05/2014

Sinopse

Priscilla é uma jovem que sempre amou futebol. São-paulina fanática, em seu depoimento recorda sua infância no bairro Vila das Belezas na capital paulista. Fala sobre as escolas em que estudou e como se interessou por futebol e pelo São Paulo Futebol Clube. Recorda como retomou o contato via Facebook com o marido, que era amigo de seu irmão no colégio onde estudaram. Com detalhes conta sobre o casamento, realizado no Museu do Futebol, no Pacaembu. Por fim, fala sobre o nascimento do primeiro filho que irá coincidir com a Copa do Mundo no Brasil.

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História completa

Meu nome é Priscilla Fernandes de Meo Gazinhato, nasci em São Paulo, em 3 de julho de 1983. Tenho 30 anos.  Meus pais são de São Paulo.  Eu tenho parte espanhola e italiana por parte de pai e parte espanhola por parte de mãe. Por parte de mãe se eu não me engano é tataravô. Meu bisavô já era brasileiro. Por parte de pai, meus bisavós eram espanhóis e italianos. Eu conheci os meus quatro avós, perdi a primeira avó tem pouco tempo. Os outros três ainda estão por aqui. Meu pais tinham uma agência de publicidade juntos, ela era funcionária dele e depois ela passou a ser sócia dele e eles acabaram ficando juntos. Os dois são jornalistas de revista. Minha mãe abdicou da profissão pra cuidar dos filhos, agora ela voltou como gerente de vendas, nada a ver com a profissão. E meu pai agora hoje ele é aposentado. Meu pai é Laércio Gazinhato Filho, minha mãe Carmem Luz de Meo. Ela saiu da empresa quando meu irmão tinha um ano e meio, eu também devia ter uns três anos e depois disso meu pai foi pra uma outra agência também como sócio proprietário específico em cutelaria e armamento.

Eles moraram pouquíssimo tempo em Santo Amaro e depois eles foram pra Vila das Belezas que é o lugar onde eu deixei de morar pra casar. Então eu saí de lá com 28 anos. Era uma casa térrea, de frente pra uma praça, numa vila super calma. Até hoje muitas crianças brincando na rua, carros passam só de trânsito local. Era uma vila super tranquila, uma casa térrea, razoavelmente grande, com um quintal enorme. Eu e meu irmão, brincamos bastante nessa pracinha e no quintal da casa também. O Alexandre, meu irmão, é um ano e dez meses mais novo que eu. Eu sempre fui muito moleque. Acho que primeiro que a minha geração era de muitos meninos na vila. Tinha eu e mais uma menina só e nós empinávamos pipa, nós jogávamos bolinha de gude, ou então brincávamos só nós duas de boneca. A segunda geração já tiveram mais meninas, então as brincadeiras passaram a ser depois, mas já um pouco mais velha, então sei lá, eu já tinha uns nove anos, brincava com as meninas de seis, de escolinha.

Eu entrei na escola com cinco ou seis anos. Eu acabei entrando mais cedo. Eu com 17 anos eu já tava terminando o primeiro ano de faculdade. Era a escola Externato Elvira Ramos. Eu comecei trabalhar com 14 anos. Eu sempre gostei de trabalhar em bazar, até por conta das coisas de escola, as novidades das canetas, as canetas coloridas e tudo isso. Eu estudava de manhã e ficava lá da parte da tarde até o bazar fechar. Então era meio período.  Já ficava sem ganhar, às vezes até já ajudava sem isso. E meus pais também não se opuseram, até por saber que eu ia dar conta do colégio junto com isso. Isso com 13, 14 anos. Com 15 anos eu fui trabalhar num colégio. Eu trabalhei na secretaria de um colégio, também meio período, e depois só saí desse colégio quando entrei na faculdade. Daí quando eu entrei na faculdade, eu larguei tudo. Eu fiquei um ano só fazendo faculdade e no segundo ano eu já arrumei estágio. Então foi dos 13 aos 18 anos, eu fiquei um ano sem trabalhar, que foi meu primeiro ano de faculdade só. 

Tem um vizinho da minha mãe até hoje, ele era treinador do São Paulo Juvenil, ele tem quatro filhas, todas as filhas dele eram são-paulinas, a mais nova tem quatro anos a mais do que eu e era minha referência. Era a única que andava comigo da turma, das meninas, porque não tinha ninguém, só tinha menino. E todas elas eram são-paulinas por conveniência, porque o pai trabalhava no clube. Ele chegava com camiseta autografada dos jogadores da época. Isso nós estamos falando quando o São Paulo foi o time do momento, ganhou o Brasileiro, depois ganhou duas Libertadores seguidas, isso eu já tinha dez anos e eu vi o São Paulo ser campeão de tudo e eu acho que isso me encantou, juntando com o fato do meu vizinho trabalhar no clube, das filhas dele serem são-paulinas, dele me dar um monte de coisinhas do São Paulo. Mas o primeiro jogo assim que eu me lembro mesmo, eu já tinha 15 anos, que foi em 98. Isso aconteceu em 91, 92 que eu já tinha coisas do São Paulo, tudo, mas que eu disse “Meu, eu sou são paulina”, que eu vibrei com uma vitória mesmo, foi 98. Eu já tinha 15 anos. Foi um São Paulo e Corinthians, campeonato paulista, foi o retorno do Raí, era uma final de dois jogos.  O meu pai o meu irmão odeiam futebol. Meu pai não sabe quantos jogadores entram em campo.

Na época, na quarta série, eu fui apresentada pra uma tal de tabela periódica, me apaixonei, achei aquilo o máximo, nunca tinha tido química na vida, mas achei aquele negócio formidável. Sempre falei que eu queria ser cientista, não tinha tido química até então. Na oitava série eu tive a minha primeira aula de química e me apaixonei de vez, e me formei bacharelado em química, hoje trabalho numa indústria farmacêutica, no controle de qualidade. Não me vejo fazendo outra coisa.  Fiz no Mackenzie, não vou dizer que foi uma faculdade fácil. De 78 alunos que entraram, se formaram sem DP nem nada, 13. Meu primeiro estágio numa indústria farmacêutica, a Marjan, depois trabalhei numa multinacional italiana, que era a Baldacci, fiquei lá um tempão, tipo devo minha vida profissional a eles porque eu aprendi tudo o que eu podia lá.

Meu marido estudou com meu irmão, nesse segundo colégio que eu estudei que era esse perto de casa. Nunca tive muito contato com ele no colégio, até porque eu sou mais velha, então o que uma menina de oitava série ia querer com um menino de sexta. Nada. E depois de uns 12, 13 anos nós nos encontramos em redes sociais, eu adicionei porque eu sabia quem ele era, mas ele me adicionou por conta de amigos em comum, mas não sabia quem eu era e ficávamos comentando sobre futebol, um na página do outro e ele perguntou pra alguns amigos em comum quem eu era. Descobriu quem eu era e a gente começou a conversar. Com mais proximidade, mas assim, eu namorava, ele também namorava. De verdade mais assim, por conta do futebol mesmo, nada de mais. Passou-se algum tempo, um ano mais ou menos, eu estava sozinha e ele também e a gente começou a brincar num jogo que teve do Corinthians, que foi do Corinthians e Tolima, na pré Libertadores, e a gente estava conversando no chat, e eu falei pra ele: “Meu, Corinthians não vai passar”, ele: “Não, vai passar, vamos apostar?”, ele: “O que você quer apostar?”, falei: “Ah, vamos apostar uma garrafa de vodca” – nem bebo vodca. Nesse meio tempo eu já tinha o encanto pela foto, porque ele sempre foi o franguinho do colégio, tipo magrinho, usava aparelho, tipo nada a ver e de repente virou um homem super bonito. E eu já fui, nessa hora eu já tava na maldade. Ele diz que não, mas... Falei: “Então tá, vamos apostar uma vodca”. E eu não assisti esse jogo, mas eu fiquei o tempo inteiro na internet e ele ficou narrando o jogo pra mim, e realmente o Corinthians perdeu. E ele teve que pagar a vodca pra mim. Quando que ele pagou a vodca? Até pra não fazer uma coisa assim de pô, a gente estava o maior tempão sem nem ter contato. O que a gente se conhecia era de rede social, não tinha esse contato nosso, nós dois, e ia ficar super chato “Ah, vamos se encontrar pra te entregar a vodca?” O que a gente fez? Marcou um churrasco com amigos corintianos e são-paulinos pra assistir um jogo que teve, Corinthians e São Paulo, e fizemos o churrasco, se reencontramos nesse dia. Ele me pagou a vodca, que depois ele bebeu ela inteira, porque eu não bebia. E foi muito legal porque foi um jogo que o São Paulo quebrou um tabu de quase quatro anos sem ganhar do Corinthians, Rogério Ceni fez o centésimo gol em cima do Corinthians e eu acabei ficando com ele. No dia seguinte ele me ligou e depois a gente não se desgrudou mais. O máximo de tempo que a gente ficou separado foi uma semana porque ele foi pra Espanha e porque já tava tudo certo, a passagem dele já tava comprada e ele acabou indo. Mas a gente morava super perto, ele antes da faculdade ele passava em casa, a gente se viu quase todos os dias. Na semana seguinte a gente fez nosso primeiro passeio juntos, que foi pro Museu do Futebol, que ele achou que tinha tudo a ver. Ele falou: “Ah, vou te levar pra lá”. Ele nunca tinha ido, eu já tinha ido uma vez. A gente se reencontrou, na verdade, e de lá pra cá a gente tem algumas histórias bem bacanas pra contar desse negócio de superação entre a gente. Desde o começo a gente não tinha dúvida, com três meses a gente já estava falando em morar junto, com três mês junto. E quando a gente falou: ”Ah, a gente está pensando em morar junto”, meio que todo mundo: “Tá, vai, né, porque já estão morando junto mesmo”. Namorar mesmo, sem morar junto, foi um ano, moramos junto por mais um ano e quando a gente fez dois anos a gente casou. A gente foi morar próximo de casa. Como ele morava perto de casa e os pais moravam lá perto, eu estava a 15 minutos do serviço por um lado e ele estava a 15 minutos do serviço pro outro lado, não tinha porque a gente sair dessa rotina. A gente continua morando num triângulo, moramos bem próximo da casa da minha mãe e da casa dos pais dele também.

Nosso casamento foi bem bacana, porque foi mais que um casamento. Acho que foi uma realização de um sonho e a gente conseguiu reunir no nosso casamento toda a nossa história de três anos. Quando a gente começou a falar de “Vamos casar, o que é que nós vamos fazer?”, eu nunca tive sonho de vestir, de ficar vestida de noiva, de casar, de fazer festa, de gastar esse turbilhão de dinheiro. E nesse meio tempo ele brincou comigo, falou assim: “Ah, vamos tentar casar no Pacaembu?”, eu falei: “Ah, vamos”, tipo “Tá bom, vamos tentar”. E ele levou isso a sério mesmo, e mandou um e-mail pro pessoal do Museu do Futebol, meio que contando a nossa história e perguntando se existia alguma possibilidade de nós fazermos nossos fotos pré-wedding no Museu do Futebol e eles adoraram nossa história. Chamaram a gente pra uma reunião e eles mesmos ofereceram pra gente o Pacaembu pra casar. Nós tivemos seis meses pra organizar o casamento. Nós começamos a viajar horrores, fazendo vários planos de como seria essa noite e muito engraçado porque todo mundo que a gente ia entregar o convite olhava e falava: “Você vai casar de são-paulina?”, “Não, gente, eu vou casar de noiva. É um casamento normal como outro qualquer, no Pacaembu”. Mas lógico que a gente teve todo o cuidado de deixar que fosse um evento, que não fosse um casamento simples, já que nós estávamos casando no Pacaembu, tinha que ter toda a nossa história envolvida naquele momento. Então todos os detalhes da festa nós tentamos levar pro futebol. Meu pajem, minha daminha entraram uniformizados. O menininho entrou de corintiano, segurando uma bola e ela entrou de são-paulina, jogando as pétalas de rosa. Todos os meus convidados – todos não, mas a maioria deles levaram as camisas do clube, então quando começou a festa estava todo mundo uniformizado. Essa hora foi bem bacana também. Não passamos gravata, passamos meião.

A decoração em si foi vermelha e branca, os detalhes que foram pretos. Minhas joias eram com o símbolo do São Paulo, meu brinco, minha gargantilha, minha sandália era vermelha, minhas unham estavam preta. Ele casou de preto e branco, lógico, com um broche do Corinthians, com uma pulseira do Corinthians. Aonde a gente pode colocar coisas do clube nós colocamos. Entramos na festa cantando os hinos dos clubes e depois da cerimônia, nós conseguimos tirar as fotos no Museu do Futebol. O Museu do Futebol é um lugar onde não se pode fotografar e filmar. É muito legal pra gente ter isso em álbum. É nossa história no Museu do Futebol. Afinal de contas foi o primeiro lugar que a gente visitou juntos, como namorados, e nada mais justo do que selar nossa união lá. E deu tudo certo, as coisas foram acontecendo.

Nós tínhamos lugar pra 150 pessoas, sendo que 75 seriam minhas e 75 do noivo. Só que da minha família eram 58 e o que é que eu fazia com os meus amigos? Queríamos fazer uma festa pra 300 pessoas, mas o lugar que nós escolhemos e naquele momento era o principal, nós não queríamos abrir mão do lugar, pra convidar mais gente, nós queríamos fazer naquele lugar com menos gente. Foi uma opção nossa e isso nos custou alguns amigos, algumas caras feias. Do casamento em si foi a parte mais difícil, foi a lista de convidados. Nós casamos no dia 29 de Março, no dia 31 de Março, foi o primeiro clássico do ano, que nós casamos. Foi no domingo depois do casamento, e nós conseguimos assistir juntos no camarote no Morumbi esse jogo. Foi o primeiro e acredito que tenha sido o último São Paulo e Corinthians que nós conseguimos assistir no estádio. Porque nós estávamos num camarote, e cada um vestindo a camisa do seu time. Não fomos uniformizados pro estádio, tivemos que nos uniformizar durante o jogo. Quando viram, a torcida do São Paulo era a maioria, quando viram ele corintiano me xingaram um monte.

Eu descobri a gravidez em Novembro, no comecinho de Novembro, e não tinha parado ainda pra fazer os cálculos, e uma amiga nossa falou: “Nossa, vai vir na Copa”. E quando eu fui no médico a primeira vez a médica fez as contas no calendário, ela falou: “Você vai fazer 40 semanas no dia 15 de Julho”, e dia 15 de Julho é a final da Copa. Então se não quiser vir adiantado, ele tem do dia 12 de Junho ao dia 15 de Julho pra nascer, ou seja, no meio da Copa.

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