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História

Crise de fé

História de: Laerte Coutinho
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 27/03/2014

Sinopse

De uma infância na cidade de São Paulo, dentro de uma casa bem abastecida de livros, filmes, discos, conversas e outras referências culturais, foi surgindo Laerte. Antes um pequeno menino que quis ser padre por um tempo, que teve uma forte tendência moralista, que gostava de música clássica e que cresceu procurando encontrar formas de manifestar sua vontade de criar, de se envolver com as facetas da criação artística.  Laerte sempre soube desenhar bem, gostava de ter nas mãos esse dom, acima de tudo o poder de controlar as narrativas, não precisar ir ao cinema ou ler um livro para presenciar uma história. Foi fazer, cursos, faculdade, e vivenciou, acima da teoria, uma prática importante, num momento que o país vivia a ditadura e manifestar-se era necessário. Fez parte do Partidão, e mais tarde começou a trabalhar, a desenhar para revistas e jornais. Laerte se tornou um dos mais conhecidos e importantes quadrinistas do Brasil, e marcou um momento da arte junto com outros parceiros, como Glauco, Angeli e outros.

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Eu cheguei a querer ser padre quando eu era criança, mas isso é uma coisa mais remota, minha mãe conta mais que quando eu tava no Teixeira Branco, não sei bem em que ano, algumas freiras visitaram a escola em busca de vocações mesmo. Distribuíram folhetos e contaram dos seminários e coisas assim em busca de crianças como eu  que tivessem vocação, ou coisa parecida, com isso. Eu adorei uma imagem que eu vi naquele folheto, que eu lembro até hoje, que é um momento da formação do sacerdote em que ele passa por um ritual, e ele tava deitado no chão, com a cara no chão e os braços abertos em cruz, assim, e eu achei aquilo maravilhoso . Falei puxa, eu acho que eu quero isso. Eu achei muito legal, eu achei que era um ritual, uma coisa assim. E é claro, e é. E eu preenchi lá, assinei, não sei bem como é que foi a forma de adesão que as crianças manifestavam, mas eu sei que essas freiras vieram na minha casa falar com a minha mãe, continuar as conversas. E a minha mãe falou: “Eu acho que ele não tá com a ideia muito clara do que é”  “Onde é que ele tá?” “Ele tá ali, no campinho”. Elas olharam pela janela e eu tava pulando que nem um gambá pra cima e pra baixo, assim. Eu não sei, as freiras não voltaram a insistir. Eu teria insistido, acho. Eu gostaria de um padre assim, como eu seria . O fato é que eu não fui padre, mas eu continuei sendo religioso por muito tempo ainda. A ideia da religião só foi enfraquecer pra mim, acho que na adolescência, crises de fé, assim.

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