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"Deus dá recompensa, meu filho"

História de: Jaiminho
Autor: Juliana Figueiredo
Publicado em: 12/06/2018

Sinopse

Jaime Ribeiro Rodrigues é a prova de que o ditado "gentileza gera gentileza" é verdadeiro. Quando jovem, sua vizinha pedia para que enchesse seus potes de água e, apesar de ter que percorrer um longo caminho com os potes pesados, ele a ajudava, pois sua mãe dizia que Deus lhe recompensaria. E não demorou muito para a recompensa chegar.

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História completa

Eu sou da Bahia e minha cidade se chamava Bonito de Utinga, na época. Na verdade não existia cidade, era só interiorzinho. Onde a gente morava, tinha um casal que se chamava Dona Maria e Seu Francisco e que eram muito amigos da minha mãe. E naquele tempo não tinha filtro nem geladeira para por água para gelar, era um negócio chamado pote, feito de barro. Uns cabem 20 litros, outros cabem 15, uns cabem 10.

Essa Dona Maria tinha cinco potes de água e lá era distante para pegar água no rio. Então como eu era muito amigo deles, ela falou: “Jaime você quer encher os meus potes de água?” e eu fui. Ela me deu um baldinho, eu já tinha uns 12 anos e era longe. Aí eu peguei o baldinho e fui buscar água. No segundo pote eu já estava com o pescoço doendo porque eu colocava na cabeça para carregar essa água. Trouxe os potes e ela me deu umas coisinhas, ela me deu um dinheirinho – não sei nem quanto que era –, me deu um pouco de arroz, um pouco de açúcar e minha mãe ficou contente porque ajudou meus outros irmãos e tal.

Depois de uns três dias, lá veio a velha de novo: “Dona Luzia, seu Jaime tá aí?” Minha mãe falava: “Tá” e Dona Maria: “Manda ele vir aqui”, aí veio ela para encher os potes de água de novo. Daí fui falar com minha mãe: “Mãe, Dona Maria não dá não, só quer que eu vá pegar água e é muito longe. Ela quer que eu vá encher os 5 potes o dia todo” e minha mãe: “Vai meu filho, Deus dá recompensa!” e lá fui eu de novo...

E aí aconteceu que ela tinha um filho, chamado Petrônio, e esse filho já devia ter uns 15 anos. Ele veio pra São Paulo, fez o curso de farmacêutica, voltou pra Bahia, chegou lá e colocou uma farmácia. Depois os dois faleceram, os dois velhos, e eu conheci o Petrônio, fiz amizade com ele. Nesse tempo eu fiquei noivo e queria comprar um terreno para fazer minha casa, mas não tinha como. Eu fiquei preocupado: “Como é que eu vou fazer? Como é que eu vou fazer?”

Eles tinham um terreno vazio ao lado da casa da Dona Maria, que era mãe do Petrônio, e um dia eu fui na farmácia comprar um remédio pra minha mãe que tinha problema de pressão e ele falou: “Oh, Jaime, soube que você vai casar”, eu falei: “Vou”. Ele: “Você vai morar com seus pais? Com Dona Luzia e com Seu Elias?”, “Oh, Petrônio, não filho, mas não sei o que vou fazer porque minha situação é fraca, não tenho condições...” e ele disse: “Olha, você ajudou muito a minha mãe, os meus pais, você foi uma criança muito obediente, sempre cuidou da minha mãe, sempre estave ali ao lado dela. Então aquele terreno ali é seu, faça a sua casa.”

Nossa, mas aí eu chorei, na hora mesmo já comecei a chorar. Falei: “Não acredito!”, esqueci o remédio, fui pra casa e não levei o remédio. Falei:

– “Mãe, ganhei um terreno”

– “Que terreno?”

– “Petrônio me deu um terreno”

– “Como é que é? Você tá brincando, menino?”

– “Não, ele me deu aquele terreno ali pra fazer minha casa”

– “Foi?”

– “Foi.”

No outro dia fui com a minha mãe no cartório, nós fomos juntos. Fiquei lá naquele terreno, construí a casa, casei, nasceu minha filha e vim para São Paulo. Quando cheguei em São Paulo, estava pagando aluguel, mas não dava mais para pagar, então combinei com a minha esposa de vender aquela casa e ela falou: “É, tá lá parada então vamos vender”. Com essa dita casa que ele me deu, eu a vendi lá e não deu para comprar uma daqui, mas comprei um terreno em Franco da Rocha e construí outra casa.

Graças a Deus essa recompensa que a minha mãe falou, eu consegui. Porque me deram o terreno e através desse terreno construí minha casinha lá, através dessa casa eu vim pra São Paulo, vendi a de lá e construí a daqui. Essa história ficou gravada até hoje na minha mente, minha mãe falou que Deus dá recompensa e realmente Ele me deu, né? Porque eu ajudei os pais do Petrônio.

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