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Encontro com Deus

História de: José Hermógenes de Andrade Filho (Professor Hermógenes)
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 05/10/2009

Sinopse

Hermógenes foi um menino preocupado com sua religiosidade. A sua busca por Deus foi ainda mais instigada quando teve tuberculose, e se submeteu ao doloroso e precário tratamento da época, que quase o levou à morte. A partir daí, Hermógenes mergulhou nos estudos da yoga e se tornou um dos primeiros mestres no Brasil. O seu desejo de divulgar seu conhecimento para todos o levou a escrever muitos e famosos livros sobre yoga e autoconhecimento. O professor Hermógenes lembra do difícil tratamento para a cura de sua tuberculose durante a juventude. Ele conta como o auto-conhecimento, a espiritualidade e a yoga se transformaram em aliados durante sua trajetória. 

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História completa

Quando o professor de Teologia, na faculdade católica, disse: “Qual é sua dúvida?”, levantei imediatamente e fiz a minha pergunta. Eu tenho um amor muito grande pela religião, pelo Cristo, mas não aceitava muitas coisas que me foram ensinadas desde a infância.  Cristo é maravilhoso, mas a ideia do pecado, a ideia da culpa... E sabe qual foi a resposta dele? “A sua pergunta já é uma heresia.” Então, sou um herege. Dei o fora da universidade e da religião, passei alguns anos trabalhando, comecei a estudar filósofos brasileiros e me enriqueci muito com a literatura do Espiritismo e da Índia, principalmente a Bhagavad Gita. Sugiro que todo ser humano consulte. O livro me devolveu o Cristo, um Cristo muito amoroso.

 

Com quatro ou cinco anos, pegava uma caixa de sapato vazia, botava um santinho, umas florezinhas e ia rezar uma missa.  O meu amor por Deus se expressava desde a minha infância, mas o tempo foi passando e o Deus que a catequista me ensinou não era o que eu esperava encontrar.

 

Fui muito amparado espiritualmente, porque vim de uma família pobre, séria, amorosa e dedicada. Meu pai era um humilde funcionário público do Rio Grande do Norte e minha mãe, dona de casa, uma santa criatura. Viviam comigo três irmãos. Nós tínhamos uma religiosidade orientada por dizeres como: Para conquistar caminhos, confie em Deus. E eu fiquei muito enamorado de Deus.

 

A cada dia, estava mais interessado em que me esclarecessem dúvidas, questionamentos que eu tinha sobre a vida religiosa, sobre o que diziam na religião. Procurava as autoridades da igreja e ficava convencido de que tinham mais dúvida do que eu.

 

Terminado o curso no Atheneu, não havia faculdade em Natal naquela época, só em Recife e Salvador; no Rio de Janeiro existia a Escola Militar em Realengo. Lá eu poderia encontrar alguém que tivesse religião e respondesse os meus questionamentos. Minha avó morava no Rio, eu vim para cá tendo onde morar, e entrei em um curso preparatório para o exame da Escola Militar. Eram muitos candidatos, dois mil para 20 vagas. Fui desencorajado por colegas que falavam: “Você, filho de um contínuo de uma repartição pobre do Rio Grande do Norte conseguir ser do Exército? Desista.” Vim com esses desafios, com esses desânimos e fui morar no sertão de Madureira. Quantos atropelos, quantos obstáculos, quantos desafios...

 

Continuei minha vida de estudos, fui da Sociedade Teosófica, cheguei a vice-presidente, mas estudei tanto que, de repente, comecei a sentir nos fins das tardes um desânimo terrível, fraqueza. Era tuberculose. Na ocasião, era uma condenação à morte, o médico disse: “Você está tuberculoso!”

 

Nesse período, cumpri minhas obrigações no colégio militar do Rio de Janeiro, porque era professor. Fiz um tratamento médico convencional da época, pois os remédios químicos tinham interferências mais dolorosas que o pneumotórax. Eu tinha aprendido que a gente tem que viver afirmando a nossa saúde, a nossa paz, a nossa vitória e nunca o oposto, que é o que mais a humanidade faz. Você encontra muito maior número de pessoas dizendo “Eu sou um azarado, eu estou cansado, estou doente, minha vida é um inferno.” Se alguém disser: “Eu sou Deus”, isso é história. Eu estava com a Bhagavad Gita mais e mais e, um dia, encontrei um exemplar de um livro fino, o Hatha Yoga; meses depois, mais um, de outro autor.  Aí eu formei a ideia do que era Hatha Yoga e vi que pode curar, melhorar, promover a felicidade humana.

 

Tinha muita confiança que Deus ia me curar rápido, mas passou o tempo, um ano, dois anos... O médico disse: “Eu lamento dizer, Hermógenes, mas a sua doença é muito séria, você vai ter que fazer uma cirurgia. Quero adiantar que você vai sentir todas as dores. Vou fazer cortes e queimar e, perdoe, porque para isso terminar bem você não pode fazer nenhum movimento de defesa e nem gritar”.

 

Doía muito, além de qualquer resistência. Um corte de lâmina dentro do peito da gente, sem poder se mexer, não podia dizer ai! Cheguei a um ponto que achei que era melhor morrer. Nessa hora, me entreguei a Deus e comecei a dizer o nome de Jesus Cristo. Não demorou muito, o médico disse: “Pronto, terminou”.

 

Passei tudo isso confiando em Deus.  Não sei se no futuro será uma técnica: quem se entrega a Deus tem resposta, a “teoterapia”. A minha cura levou uns anos e ao longo desse processo fortaleci minha fé e escapei de uma doença que poucos médicos conseguem entender, a “normose”, doença de ser normal. É por isso que a gente bebe certos refrigerantes, usa o que a moda indica e pensa como os outros pensam. Minha transformação foi tão grande, tão profunda, que até hoje eu festejo.

 

Eu comecei a praticar yoga no banheiro de casa, um lugar solitário e silencioso para mim, escondido do médico e da família. Minhas articulações estavam comprometidas, estava enfraquecido, mas fui me esforçando, queria juntar as mãos aos pés.  Fui fazendo meus estudos, porque concluí que me tornando um escritor eu poderia chegar ao lar de uma pessoa que está lá na Amazônia ou na Coreia. Então danei-me a escrever livros para propor uma ciência nova que se chamaria yogaterapia.

 

Tenho 31 livros escritos sobre isso. Quanto mais se aprofunda no yoga, mais se descobre a oralidade das religiões, das propostas religiosas. Li Hama Krishna. Sai Baba foi minha última conquista, o conheci na Índia. Fui com um grupo desejoso de conhecê-lo, eu era o líder, o primeiro grupo brasileiro a ter uma entrevista com ele. Sai Baba se sentou, pegou um lenço e eu disse: “O que é isto?” Ele respondeu: “Assim é a mente humana, como um lenço. Se eu tirar uma fibra depois da outra e jogar fora, no final, o que fica? Assim é a mente.  Desapegue-se de cada desejo, quando você chegar ao último, a mente sumiu e você está diante da realidade, que é Deus”.

 

Quando voltamos à Índia, eu e minha mulher estávamos em uma estrada, andando a pé, vi que do outro lado havia uma tenda vendendo bananas e fui comprar para ela. Naqueles poucos segundos para atravessar, ela foi apanhada por um caminhão. Foram 18 dias no hospital e uma experiência riquíssima. Enviei o pensamento a Deus, sem pedir. Hoje, a fórmula que tenho passado às pessoas é: “Entrego o problema ou eu mesmo me entrego, confio, aceito e agradeço”. 

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