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História

Família, trabalho e jiu-jitsu

História de: Helton Mendes Hidalgo
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 00/00/0000

Sinopse

Seguindo o espiritismo, curtindo a família, o trabalho e o jiu-jitsu, Helton encontrou o caminho para manter mente, corpo e espírito alinhados e fortes para conviver com a dermatite atópica, doença que descobriu quando adulto. Helton narra como foi a descoberta, os primeiros anos lidando com a doença, as restrições alimentares, e a jornada até encontrar um médico de confiança que passou o melhor tratamento para ele.

História completa

Eu sempre namorei sério. O último durou dez anos. Quase casei, quase mesmo: a gente brigou faltando pouco tempo para casar. Às vezes, até comento com alguns amigos, porque muitos passam por isso: eu não era feliz. Eu era um cara meio tonto, fazia umas coisas meio idiotas. Eu teria me casado. Na verdade, foi a minha ex que terminou. Mas eu não era feliz. Hoje, vejo que me tornei uma pessoa mil vezes melhor, vi quem eu sou. Em parte, também pela dermatite.

 

Eu devia ter uns 25 anos, mais ou menos, quando descobri que tinha dermatite atópica. Segundo o médico, você nasce com ela, mas ela se desenvolve posteriormente. No meu caso, foi um momento de estresse, de um desgaste. Porque estava começando o meu relacionamento e também um negócio próprio. Meu relacionamento era à distância. Exigiu muito de mim. Mas acho que a dermatite começou antes, na verdade. Eu tinha acabado de sair da faculdade de Turismo. Isso foi em 2005. Logo depois apareceram os sintomas. Já estava em Sorocaba, trabalhando em um hotel e com meu negócio. Aí veio o relacionamento, saí do hotel, passei a me dedicar só à empresa. E começaram os sintomas. Minha vida ficou muito desgastante sob vários aspectos. Na hora você não percebe, não se dá conta.

 

Quando começou a piorar, eu fui em uma dermatologista. Ela me mandou fazer uns exames. Ela me deu uma tabela de papel com coisas que eu não poderia comer - e era tudo o que eu mais gostava. E não podia comer nada que tinha corante. Você já parou para pensar? Até o ar tem corante. Eu não iria respirar mais. Parei de tomar cerveja, comer chocolate, de fazer tudo o que tinha de mais gostoso nessa vida. Fiquei uns três, quatro anos assim e não melhorava. Um dia, consegui uma consulta com o meu médico atual e foi a benção de Deus.


Sentei no consultório e estava destruído, minhas costas estava desfigurada, deformada de tanto coçar. Fiquei lá sentado e ele me perguntando, de costas para mim. Começava a me perguntar um monte de coisa. Quinze minutos depois ele: “Está bom”, e eu falei: “Não é possível que você saiba o que eu tenho”, e ele: “Sei”. Falei: “Esse cara está me zuando!”

 

Uma hora ele pediu: “Deixa eu ver as suas costas”, quando ele levantou a minha camiseta, ele falou: “Caramba, o que é isso?”. Ele andava de um lado para outro, e fiquei assustado. Se o cara é o médico, é o especialista, e está assustado, é porque vou morrer. E ele disse: “Eu não acredito, por que você deixou chegar nesse ponto?”. Acabou que a gente meio que ficou amigo, porque eu ia muito lá no começo.

 

Você não associa a dermatite atópica a um desgaste emocional. A situação começou a ficar ruim no trabalho, no meu relacionamento, na minha autoestima, e foi um momento muito ruim quando a doença explodiu. Foi quando comecei a empresa e comecei a treinar jiu-jitsu, que é o grande amor da minha vida. E foi, talvez, uma das coisas que me salvou. O trabalho e o jiu-jitsu, porque com o tempo o negócio começou a ficar difícil. A família, o trabalho e o esporte foram o que me seguraram mais. Também o espiritismo.

 

Antes eu era uma pilha. Pegava e explodia. Era bravo, briguento. Não estava nem aí para quem eu era. Se achava ruim, mesmo, eu peitava, eu xingava. Isso é uma coisa que hoje eu olho... É muito raro, eu xingo no trânsito, mas na vida, hoje, é muito raro eu falar um palavrão com um objetivo de ofender. Hoje eu vejo várias pessoas fazendo isso, fazendo umas piadas idiotas, em uns momentos que não se deve fazer, ou falando coisas que vão agredir alguém… E eu também fazia! Só que isso tinha uma influência na minha situação, que hoje eu consigo ver. Em época que eu me estresso mais, a minha dermatite piora.

 

O espiritismo mostra para você qual é a razão da sua vida ser o que é, o porquê de uma pessoa difícil na sua vida, o porquê você às vezes nasce com uma deformidade física, que é o meu caso, por exemplo. Porque a dermatite atópica, às vezes, me deforma. E que existe uma razão para isso. É a única corrente que fala diretamente para você, então te ensina a lidar com tudo o que te acontece, com as coisas boas e ruins. E você vê que nada é realmente ruim, então você nunca mais é aquela pilha.

 

E se tem um recado que quero deixar aqui, na verdade, é deixar os meus agradecimentos à minha família. Nesses tempos eu tenho pensado a respeito: e se eu não tivesse dermatite? Eu acho que ela vem ensinar muita coisa. Você dá valor para os eu corpo, não só esteticamente, no sentido de beleza, mas no sentido de funcionalidade. De você chegar na sua casa, olhar para o seu corpo e ver que ele está sem nenhuma mancha, corte, que não está doendo e que tem gente que vive isso a vida inteira. Que daria tudo para simplesmente passar a mão no corpo e ter uma pele normal. Gente, isso é muito doido, é uma diferença muito grande. Se um dia eu consegui deixar de ter, eu acho que vai ter ficado uma lição muito grande, eu vou dar valor para cada pedaço normal e macio da pele. Tipo assim, hoje essa parte está boa e eu olho e falo: “Que legal, isso é bom”. Você dá muito valor. E ninguém está nem aí, o pessoal está pouco ligando, então acho que a dermatite atópica vem dar uma lição, e eu acho que as pessoas deveriam olhar por esse lado. Tudo tem a sua função.


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