Busca avançada



Criar

História

Filho e neto de saqueiro!

História de: Gines Perez
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 31/10/2016

Sinopse

Gines nos conta de saída um pouco da história de sua família espanhola que veio ao Brasil em busca de emprego. Seu avô, ao colher sacos de juta no Mercado Municipal, criou um enorme armazém fornecedor de sacaria para os comerciantes da região. Assim, Gines conta a história de ascensão da família Perez na Zona Cerealista, junto de sua infância e juventude. Depois, nos fala um pouco de sua curta carreira no kart e sua entrada no comércio dos Perez. Gines faz um balanço e análise do comércio nos anos 80, fala de sua família e da falência da empresa, no começo dos anos 2000. Em seguida, Gines fala da reviravolta de sua vida, quando passou a trabalhar como marceneiro na Rua do Lucas, no Brás. Ao fim de sua narrativa, fala sobre sua nova vida e dos seus sonhos.

Tags

História completa

Sou Gines Perez Neto, nasci em São Paulo dia 14 de janeiro de 65. Meu pai é Francisco Perez Marques, nasceu em 1932 em São Paulo. Já o meu avô chamava Gines Perez Gonzales, da Espanha, minha família é da cidade de Cuevas de Vera, no deserto da Espanha. A mãe do meu pai? É Maria Perez Gonzales, de Cuevas de Vera também. Meus avós são primos, eles vieram pro Brasil e se casaram no navio. O meu avô tinha que servir o exército lá na Espanha. E pra servir o exército na Espanha é cinco anos, não é como no Brasil que é um ano. E a situação estava ruim lá, tal, e ele falou: “Não vou ficar cinco anos na Espanha servindo”. Então ele veio pra cá. Ele veio sozinho com a minha avó, que eram primos e eles se casaram no navio e tiveram meu pai, meus tios (risos).Não, foi assim muito simples. Eles casaram dentro da cabine mesmo do navio e foi uma coisa muito simples porque eles eram muito simples. Eles eram muito pobres.

De Campinas eles vieram pra cá. Aí ele chegou aqui no Mercado Municipal. É, o meu avô veio procurar serviço. No meio do caminho ele achou uns sacos jogados no chão, ele pegou e passou atrás do Mercado Municipal, aí um cara falou assim: “Ô, quer vender esses sacos?”, aí o meu avô: “Vendo”. Aí meu avô vendeu e teve a ideia: “Vou comprar e vender saco”. Ele começou a pegar sacaria, voltava e vendia sacaria lá no Mercado Municipal.Foi assim que começou.

Foi o meu pai contou essa história pra mim. Ele mexia nas coisas, saía pelas ruas em São Paulo, pelos bairros que tinham mercearia, mercadinhos pequenos, ele pegava os sacos e revendia lá no Mercadão. Aí ele conseguiu comprar um carrinho de mão. Com o carrinho de mão ele começou a carregar mais sacaria e depois ele foi indo, foi indo, foi indo e só foi subindo. Meu avô, pai da minha mãe chamava José Rodrigues e a minha outra avó se chamava Maria. Também são da Espanha. Vieram pro Brasil, trabalharam na lavoura e depois vieram pra São Paulo. A história deles é bem semelhante com a outra parte. Este meu avô trabalhava muito com alimentos, com roça. E depois ele chegou a ter um cinema, teve um pequeno cinema. Mas depois acho que não deu certo. Acho que foi uns dez anos que ficou aberto.

E até a minha mãe dançava lá. Antes do filme começar sempre tinha uma apresentação de pia no, antigamente era assim. E minha mãe até dançava, tocava castanholas, fazia esses shows. Antes de começar o filme. Eu não sei dizer exatamente onde era mas era aqui na rua Piratininga. Onde tinha o famoso Cinema Piratininga,. E o do meu avô era um pouquinho mais pra frente na Piratininga. Não era tão grande e conhecido quanto o Piratininga... O cinema do meu avô era dos anos 50, mais ou menos.

Ver Tudo PDF do Depoimento Completo

Outras histórias


Ver todas


Rua Natingui, 1100 - São Paulo - CEP 05443-002 | tel +55 11 2144.7150 | cel +55 11 95652.4030 | fax +55 11 2144.7151 | portal@museudapessoa.net
Licença Creative Commons

Museu da Pessoa está licenciado com uma Licença
Creative Commons - Atribuição-Não Comercial - Compartilha Igual 4.0 Internacional

+