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História

Foi na raça

História de: Adilson José Santos Carvalhal
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 30/10/2016

Sinopse

Em sua entrevista, Adilson começa falando de suas raízes mineiras de Itamonte, onde a família Carvalhal residia criando gado leiteiro para fazer e vender queijo. Adilson conta sobre as lendas da região, sua infância montada à cavalo e a vida do campo. A seguir, fala da mudança de sua família para São Paulo, o dia a dia do centro nos anos 50, sua formação católica e o início de seu pai na Zona Cerealista, no comércio de laticínios. Depois, Adilson discorre sobre sua juventude, seus sonhos e a entrada no comércio de seu pai, organizando as entregas por toda a cidade. Adiante, Adilson conta como, "na raça", abriu sua própria loja em 1970: a Casa Flora. Nesta parte, fala de seus irmãos, sua família e o crescimento exponencial do seu comércio, que passou a fazer importações quando da entrada de seus filhos no negócio. Ao final da entrevista, detalha sua fé católica e suas experiências no Vaticano, em que conheceu dois papas: João Paulo II e Francisco. Por fim, nos conta sobre seus sonhos, suas expectativas para o Brasil e a Zona Cerealista.

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História completa

Ali aquele polo nosso de trabalho da Santa Rosa era praticamente o que distribuía alimentação pro Brasil inteiro. Vinha gente de tudo quanto é lugar de carro, caminhão, pegar mercadoria pra levar. Sempre foi o grande centro distribuidor, o Brás. Isso que eu me lembro de moleque. Então sempre vi muito comércio, muito comércio Então, comércio, pessoas, cavalo tinha também, charrete tinha lá, tudo. Trem que passava ali, tudo isso. Feirante, muito feirante, antigamente era mais feirante, não tinha supermercado, então o comércio era feirante, era feira livre. Desde que eu comecei a empresa lá que foi muito feirante, a maioria da minha freguesia era feirante. Venda. Assinar caderneta, comprar em venda assim. Você chegava lá, fazia compra, assinava a caderneta, a gente fazia a compra, porque não tinha supermercado, então era isso. Ou então na feira. Eu me lembro bem quando fui até trabalhar com meu pai. Porque quando eu era criança eu queria ser padre, né?

Depois fui crescendo, mais jovem eu queria ser piloto. Piloto pra ir pra Guerra do Vietnã. Se falava muito em Guerra do Vietnã e então eu lia muito sobre guerra. Depois quis ser médico, tentei entrar na faculdade durante dois anos. Terminei o científico, tentei a faculdade e não consegui entrar, no ano seguinte tentei mais uma vez e não consegui entrar. Aí meu pai falou assim: “Você não entrou, vamos trabalhar”. Gozado. E eu não sabia que a minha vocação era comércio, que eu fosse gostar tanto de comércio como eu gosto sem saber, nunca pensei em ser comerciante, nada, então de trabalhar com o meu pai eu gostei. Atender o público, fazer entrega, fazer entrega nesse São Paulo inteirinho aí. Eu já tinha 18 anos então saía com uma caminhonete, com uma Kombi de entrega e trabalhei muito de entrega em todos os bairros de São Paulo, em casas de feirantes, ABC, Santos.

Comecei a trabalhar com ele, gostei, foi aí que eu comecei a gostar mesmo do comércio, atender, conversar com as pessoas, vender, embrulhar as coisas no balcão, fazer entrega, entregar mercadoria carregando mercadoria no carrinho. Então foi começando até descobrir que eu queria ser comerciante, aí eu queria ser comerciante. Aí meu pai já tinha mudado, não estava mais na Santa Rosa, já estava na primeira rua do lado ali, Benjamin de Oliveira. Chegou uma hora e eu falei: “Nossa pai”. Eu vi papai com sete filhos, a empresa era pequena, eu falei: “Pai”, eu senti que ia ser difícil papai conseguir, eu falei: “Vou tentar abrir um comércio aqui pai, pra ver se vai ajudar, pra gente aumentar o volume”. Ele falou: “Mas você vai entrar com que dinheiro?”, eu falei: “Eu não tenho dinheiro, mas vamos começar, vamos tentar começar”. E foi na raça, cara. Eu procurei o seu Antônio Araújo..aqui eu fui procurar o seu Antônio Araújo: “Seu Antônio, eu não tenho dinheiro mas eu estou com vontade de montar um comércio aí porque eu quero trabalhar. Faz um aluguel barato pra mim que eu quero começar”. Só de saber que o meu pai era um dos sócios, era eu, meu pai, o Antônio que não trabalhava comigo, mas era sócio e meu irmão Amilcar. Só de ver esses quatro nomes, o nome do meu pai, já abria o crédito. Nós montamos as prateleiras, ele me emprestou as mercadorias. Nós começamos a abrir a loja, teve toda a parte lá de documentação, abrimos a loja pra começar. Começamos assim: “Atenção, atenção” (risos). Abriu a porta e começamos. Mais varejo. Aí comecei. Nós montamos as prateleiras, peguei até no meu sogro as prateleiras que ele tinha na loja que tinha na cidade, montamos as prateleiras. Meu pai emprestou umas mercadorias pra por na prateleira e comecei. Sem um tostão, sem nada, nada, nada. Dia primeiro de julho de 1970, uma quarta-feira. Aí começamos. Começamos devagarinho, devagarinho. Eu me lembro que o primeiro depósito nosso foi, eu me lembro que era 400, não me lembro qual era a moeda que tinha naquele tempo de 70.Faz 46 anos já. Nossa, como passa o tempo, credo! (risos). Ficar velho, Jesus amado! (risos). E estamos lá. Começamos lá. Bom demais, começamos em três, eu, meu irmão Amilcar começamos a Casa Flora nesse primeiro dia em 1970. Já foi Casa Flora direto porque Flora é uma colônia, lugarejo, ali no Município de Três Corações. E ali a gente fabricava o Queijo Flora. E quando eu abri a Casa Flora eu falei: “Pai, vou por o nome de Casa Flora, não tem problema, não?” “Não, põe sim”. Aí pus o nome de Casa Flora. É um lugarejo chamado Flora em Minas.

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