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História

Memórias de uma vida de luta no Brás

História de: Samuel Blay
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 28/07/2003

Sinopse

Samuel Blay nasceu em 29 de novembro de 1922 em São Paulo. Filho de Leon e Dora Blay, em sua entrevista ao Museu da Pessoa conta sobre a origem polonesa e judaica de seus pais e de como foi a luta deles para vir ao Brasil buscando melhores condições. Traz diversas histórias sobre como era o trabalho para ele desde cedo, a casa que conseguiram construir na região do Brás, uma das primeiras cerimônias de Bar Mitzvah para um de seus irmãos. Conta sobre as dificuldades que enfrentou com o falecimento dos pais, os rumos que teve de buscar pelo trabalho, os eventos e fatos curiosos sobre a cidade como as porteiras do Brás e também sobre como tem sido sua vida nos dias de hoje, enquanto aposentado e mais distante da agitação de outrora.

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História completa

P/1- Boa tarde, Sr. Samuel!

 

R - Boa tarde.

 

P/1- Nós gostaríamos de começar a nossa entrevista, com o senhor falando seu nome completo, local e data de nascimento.

 

R - Eu sou Samuel Blay, filho de Leon e Dora Blay, nascido em São Paulo, em 29 de novembro de 1922.

 

P- Sr. Samuel qual é a origem de sua família?

 

R - A origem: são de religião judaica. Eram da Polônia, considerados cidadãos poloneses, mas sempre pela religião judaica.

 

P- Como eles vieram para o Brasil? Conta um pouquinho.

 

R - A história começou no começo do século. A família do meu pai e da minha mãe moravam na Polônia, numa cidade chamada Rovno [Rivne], perto de Kiev e era da parte do meu pai composto pelo casal e oito filhos  e um dos filhos tinha falecido muito jovem lá, sobraram sete e o meu avô era um leiteiro e a vida lá era de uma miséria tremenda e quando as crianças começaram a ficar com a idade dos catorze anos, quinze anos, havia a possibilidade que aos dezoito anos servissem o exército, mas era muito complicado, quem saía depois dos três anos voltava completamente arrebentado. Porque era muito rigoroso as manobras, como eles faziam. Chegando na idade dos catorze, quinze anos (suspiro) a minha avó  já estava começando a pedir para os seus filhos: “vão embora daqui, vão para outros países, nos Estados  Unidos, ou para a América do Sul, que é a Argentina”, na época era muito conhecida. Então um tio mais velho, o que está na fotografia que eu estou deixando aqui, emigrou em 1909 e o meu pai Leon Blay saiu também em 1909 em direção a Argentina, aos quinze anos, completamente sem dinheiro, sem conhecer o idioma. Aventurou-se para trabalhar lá e andar na medida do possível, dinheiro para eles poderem se manter, porque a miséria lá era imensa, muito forte, e, de fato ele chegou a Buenos Aires em 1909 e começou a trabalhar e ficou lá durante quatro anos. Em 1913 já havia grandes dificuldades para sobreviver e os amigos disseram “ir ao Brasil, que haveria grandes oportunidades bem maiores que da Argentina”. Então em 1913 ele chegou a esta conclusão que chegou a São Paulo e viveu toda a vida em São Paulo e realmente começou a trabalhar e se esforçar bastante sendo mascate, vendendo gramofones e fotos religiosas. Se vendia naquela base em prestações e o objetivo dele era ganhar dinheiro para poder mandar lá para a Europa o dinheiro, para eles poderem sobreviver, porque a miséria lá era super violenta e cada dia 10, era o dia preferido dele, ele ia ao banco e depositava 50, 60 dólares na época, e, começou a trabalhar aqui.

          Quando ele chegou aqui, ele já tinha cerca de 22 anos e trabalhou, trabalhou e cada vez mudava de ramo. Ele começou a vender casimira e fazia ternos para os homens, até chegar o ano de 1917. Ele morava em casa de família. Todos imigrantes eram solteiros e a união daquela época era fanática, porque todo o mundo era amigo. Amigos do coração. Eles aceitavam a pessoa e ajudavam no que fosse possível para ele se manter e poder mandar dinheiro para a Europa. Chegando em 1917, não terminada a Primeira Guerra Mundial - esse é um detalhe que não me lembro direito como foi - ele começou a se corresponder com a minha mãe, que morava em Boston, nos Estados Unidos e escreveu uma carta que queria se casar com ela. Ela aceitou o convite. Em 1917 ela chegou aqui em São Paulo e os dois casaram em 30 de junho de 1917 e viveram juntos durante 29 anos e a ideia logo era comprar uma casa, o que eles não queriam era pagar aluguel. Já tinha feito algumas economias, ele chegou para minha mãe, escuta: “vamos tratar de comprar um terreno e fazemos uma casa“. E, justamente nós sempre moramos no Brás, tinha lá na Rua Bresser. Um dia ele passou e viu um terreno muito grande, dizendo o seguinte: “vende-se este terreno, tratar na Rua Libero Badaró, número 10”. Isso é uma coisa curiosa o que aconteceu. Ele foi a Rua Libero Badaró número 10, lá era o Diário Popular. Ele chegou: “é a aqui que vende um terreno?”, “Puxa, o senhor também vem aborrecer a a gente! Nós não temos nenhum terreno para vender”. Ele ficou... Mas como? Está lá marcado. Mas, quando a sorte favorece, ele foi a Prefeitura e tinha um amigo, chegou e disse: -“escuta eu preciso de uma informação.” “O que é?”, “Tem um terreno lá na Rua Bresser e diz para tratar na Rua Líbero Badaró número 10. Mas, eu fui lá e é o Diário Popular. Lá eles alegam que eles não tem nada para vender”. Então ele foi verificar nos livros. ”Mas é lógico que não é o número 10, é o número 109”. Os moleques tinham apagado o zero. Ele foi ao número 109 e de fato era lá. Quando ele chegou... ”puxa vida até que enfim que veio alguém, uma pessoa veio ver o terreno, ninguém aparece”. Porque ninguém sabia. Imediatamente, achou o preço, era convidativo e ele fez negócio. Imediatamente avisou minha mãe e ficaram satisfeitos e com o passar dos tempos ele construiu um sobradão, uma loja. E minha mãe detestava escadas, ela não tolerava muito escadas. Ele fez um sobrado menor, incluindo mais dois porões e fomos para essa nova casa, com uma escada mais baixa e já era mais confortável e a loja ele tinha alugado para uma tinturaria e os dois porões também. Moravam duas famílias. Era hábito se alugar para famílias. Com o passar dos tempos meu pai exigiu um aumento da loja. O tintureiro falou: “eu não vou pagar, eu vou sair daqui para outro lugar”. "Tudo bem!". Aí, meu pai começou a pensar e nesse ínterim, meu pai já trabalhava em casa, tendo cortes de casimira e tinha um alfaiate. Ele mandava fazer ternos e assim era a forma de vida dele. Aí quando saiu o tintureiro, ele pensou em abrir uma casa de móveis, que era justamente, naquela época um ponto excelente, e, abrimos em 1930 uma casa de móveis. E já começou a dar frutos, porque trabalhava por conta própria e o pai da Sila trabalhou conosco também e assim foi passando. Em 1930 veio a Revolução, Getúlio tomou o poder, porque havia ganho Júlio Prestes à Presidência, mas ele deu o golpe de Estado e Washington Luís foi exiliado para Portugal e ele tornou-se presidente provisório. Em 1931, o ano também não foi muito favorável. Em 1932 houve a Revolução Constitucionalista, aí o movimento parou totalmente e o dinheiro começou a ficar escasso e nesse ínterim nós tínhamos um tio, que morava em Limeira, a esposa desse senhor era irmã do meu pai, com três filhos que moravam em Limeira e eles vieram para nossa casa, porque tinham medo que a revolução atingisse Limeira também. E, ficamos todos morando juntos, cerca de dez pessoas, nesse sobrado. Foi uma calamidade, porque os negócios pararam totalmente e São Paulo começou a emitir bônus em substituição a um mil réis. Ninguém queria pegar esses bônus, porque não tinha muita validade. Mas, usava-se para comprar. Todo mundo tinha que aceitar, não adiantava recusar esse recebimento e aí terminou a revolução, aí sossegou um pouco. Getúlio Vargas tornou-se cada vez mais forte e começou a melhorar um pouco a situação e depois no decorrer dos anos... Meu pai que não era fanático religioso, mas ele queria mostrar para os amigos, que uma festa de treze anos, chama-se Bar Mitzvah, que era do meu irmão, ia fazer no salão. Mas foi um acontecimento histórico isso, porque ninguém ia fazer uma festa no salão, ainda de treze anos. Realmente foi feito em 1931, uma coisa maravilhosa, porque era uma união dos amigos, que as senhoras eram tão amigas que era uma ofensa mandar o convite. Fez uma festa tem que vir. As mulheres, uma se prontificava a fazer carnes, outras doces, outra a sobremesa e foi uma festa com orquestra e discurso do aniversariante e realmente teve um sucesso tremendo, depois disso também muitas famílias também começaram a fazer e ele ficou muito contente. E assim foi correndo os anos.

 

P/1 - Conta para gente como era a cerimônia do Bar Mitzvah

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R - A cerimônia é a seguinte; quando o menino atinge os treze anos, considera-se perante a coletividade, quer dizer, para qualquer evento religioso, há necessidade de dez homens. E ele com treze anos já podia ser um dos dez. Abaixo não é válido e depois eles, a própria religião exige que ele use filactérios, é uma, são dois cubos, uma tira de ouro, põe-se uma no braço e uma na testa, e faz-se uma reza diária para termos saúde, para sermos bons estudantes e assim sucessivamente. Essa é a tradição de treze anos. E agora nos tempos modernos, as festas são super suntuosas, feitas de uma forma gigantesca, mas na época foi assim. E com relação a parte religiosa meu pai era um homem simplesmente imbuído na tese que tudo deve ser respeitado. Fazia aqueles jantares antecipados na Páscoa, no Ano Novo. Reunia-se toda a família na nossa casa, cerca de 25 a 30 pessoas e era uma confraternização maravilhosa. Ele não era fanático, mas usava a forma de não perder aquela fé, ia todos os sábados a sinagoga e depois chegou na minha ... Eu... As diversões... quase não se saía. Tinha seis, sete cinemas no Brás e durante a semana. Tinha o Brás Corinthian, Babilonia, Colombo, Mafalda, Olímpia, Rialto, tudo naquela região, Universo, Roxy. Tinha cerca de dez cinemas. Nós acabávamos de jantar as 7:30 íamos todos ao cinema, entrávamos no meio de um filme, eram dois filmes que dava. E assistíamos a um segundo filme inteiro e o terceiro era o que tínhamos entrado no meio, chegávamos em casa às 11:00 horas. Não havia preocupação nenhuma, tinha guarda civil, ia-se com a maior facilidade, sem nenhum temor, meia noite, uma hora da manhã e isso não tinha na época. E, aos domingos também, independentemente íamos ao Jardim da Luz ou íamos a Av. Paulista ver aquele Parque Trianon, íamos fazer visitas na casa de nossos parentes, para simplesmente conversar e adquirir conhecimento sobre a vida. Era uma coisa maravilhosa, porque aprendia-se muita coisa, era a forma de nosso divertimento. Aí, toda a nossa família já estava em São Paulo, porque meu pai... Ah! Isso esqueci de relatar. Ele fazia questão... - pode continuar? - De 1923 a 1925 meu pai conseguiu trazer vinte pessoas da família dele, porque era, ele não tinha dinheiro para as passagens, mas tinha um grande  amigo português, um tal de senhor Joaquim e disse: - "eu vou emprestar dinheiro para você, manda vir toda a tua família e você vai pagar quando puder” e foi realmente um homem, uma amizade incrível e felizmente todos vieram para cá, inclusive a mãe da mãe do meu pai também, que faleceu aqui em São Paulo.

 

P - Só um minutinho. O senhor estava falando que estava limitado às brincadeiras, porque tinha um problema de saúde. Conta para gente quais eram as brincadeiras?

 

R - As brincadeiras, eu quase não consigo. Ah! Jogávamos cacheta. A cacheta... pegava-se uma caixa  de fósforos e tinha figurinhas de bala holandesa e apostava-se com a garotada, encostava-se perto das figurinhas, ganhava. Essa era a nossa brincadeira. E a bola, pegava-se uma meia de mulher, punha-se bastante papel, fazia-se um nó, jogava-se bola dessa maneira, mas eu pessoalmente nunca pude (tosse) me aprofundar com essas brincadeiras, porque era muito fraco e qualquer coisa eu caía e me machucava. Meu pai uma vez comprou um patinete, caí, quebrei o braço e já depois ao passar... Em 1939 eu exigi uma bicicleta, eu estava louco por uma bicicleta e fomos comprar... e isso foi o grande acontecimento e posteriormente....

 

P - Mas, qual era o problema que o Senhor tinha?

 

R - Eu era tremendamente fraco, aos treze anos eu tive uma úlcera e a ideia era operar, mas tinha um médico, nosso amigo, Vicente Ferrão, e disse: -"você não vai se operado. Eu vou te prometer que você vai ser curado porque (tosse) eu vou te dar uma dieta, você vai ter que ficar um mês em absoluto repouso na cama, sem se mover, sem descer da cama nem para ir ao banheiro e você vai ficar curado e depois você vai para São Lourenço tomar umas águas, você vai ficar completamente curado.” E dito isso foi feito assim, eu sei que nunca pude participar e já me tornei adulto com, desde oito, nove anos (suspiro).

 

P- Senhor, pode falar um pouco de como era o Brás?

 

R - Ah! Bom, agora vamos falar sobre o Brás.

 

P- Depois que o senhor ganhou a bicicleta, o senhor teve a liberdade para passear de bicicleta?

 

R - Sim. Isso sim. É o que eu fazia, é o que eu fazia, é o que eu fazia. E meu pai também andava de bicicleta, aproveitamos os domingos, ele pegava a bicicleta e ia receber dos fregueses e a bicicleta foi para mim um acontecimento fenomenal. Porque nunca tivemos carro, embora meu irmão já precisasse de carro, mesmo depois quando ele estava na faculdade de medicina, ele tinha que ir do Brás até a Teodoro Sampaio, era muito distante, mas tinha que pegar os dois bondes, ir e voltar, para ir almoçar, era muito sacrificante. Tiveram uma vida muito difícil. E o Brás era um bairro intermediário a alta e a média. Um bairro de famílias ilustres, casas maravilhosas, palacetes naquelas imediações, a Rua Coimbra, Belo Horizonte, Brigadeiro Machado, Rua Hipódromo, eram casa muito bonitas, que tinha famílias morando lá e depois terminou a guerra, o pessoal começou a se mudar para o Jardim América, mas nós permanecemos lá (tosse). E depois começou a nossa tristeza, quando minha mãe faleceu em 1946, muito jovem, fiquei eu e meu pai, foram dois anos tremendamente difíceis para mim e para ele, porque meu irmão já era casado, morava ao lado da nossa casa, mas não podíamos exigir dele para nos auxiliar e para fazer comida eu subia em casa, era um silêncio total, que me pesava demais. Quando chegava a hora do jantar, nós tínhamos uma empregada, que ela ia embora, logo depois do almoço, só fazia o almoço e a noite meu pai esquentava a comida, foram anos muito difíceis para mim e para ele. E, tanto assim, que no começo de 1949, ele tinha ido a Poços de Caldas e no dia 07/01 ele voltou para São Paulo, ficou lá cerca de dez dias, eu fiquei tomando conta da loja, tínhamos a casa de móveis e foi no domingo, bem dito 9 de janeiro, que ele saiu com a bicicleta para ir fazer umas cobranças e já voltou carregado. Ele tinha sofrido um enfarte, foi um domingo, éramos para ir a um casamento, naquele dia e às 7:00 horas da noite ele faleceu também. E meu irmão morava ao lado, eu fiquei sozinho. Então ele insistiu para ir morar com ele e fiquei com eles durante cinco anos. Aí vieram dois filhos e a casa já era muito pequena e eles resolveram mudar para Pinheiros e depois com uma circunstância qualquer pediram para eu ir também. Eu falei “eu não vou mais morar com vocês” e morei sozinho durante dois anos, foi muito difícil para mim, os dias para mim, sábado e domingo eram um martírio, eu não queria incomodar os meus amigos também, cada um tem a sua forma e diante disso e com o passar dos tempos eu comecei a entrar em contato com a Sila e um ano depois nos casamos, vieram duas filhas, três netos, estamos satisfeitos.

 

P - Senhor Samuel, quando o seu pai faleceu o senhor tinha quantos anos?

 

R - Eu tinha 27 anos.

 

P - E a sua mãe?

 

R - Eu tinha 23 anos e 25 anos com o meu pai, aquilo para nós foi uma derrocada, porque homem não sabe fazer nada, era difícil a nossa vida, não tinha geladeira elétrica, não tinha enceradeira, era tudo feito na base do escovão, não havia possibilidades, o dinheiro era pouco, em todas as camadas e foi assim, foi um negócio super complicado para nós. E depois de 1956 nasceram duas filhas, casadas, com três maravilhosos netos que nós temos, estão seguindo uma vida razoável, moramos em Pinheiros, na Avenida Rebouças. O Brás era considerado um bairro excelente, mas começou a avacalhar , começaram a vir nordestinos, éramos obrigados a sair dela, porque não tinha mais condições e com a casa de móveis que eu tinha, eu já não aguentava mais, porque não podia fazer negócios, devido a concorrência, tinha umas casas de grande porte na Celso Garcia, que não davam chance de vender. Eles vendiam, por exemplo, em trinta meses, como hoje se faz, e eu só podia vender em dez vezes, então perdia a freguesia, ninguém queria. Quando alguém vinha comprar uma coisa de mim, perguntavam “em quantos meses o senhor faz?” “Em dez meses”, “não, eu vou comprar lá, porque ele faz em trinta.” Então perdi muitas vendas e depois outra série de circunstâncias, que já não dava mais para ficar lá, mudamos, entrei no ramo de joias também. Eu um tinha certo conhecimento e comecei a vender joias durante uns dez anos, depois o dinheiro começou a subir, houve uma debandada. Isso já chegou nos tempos modernos, em 1890 a 1988 eu parei com as joias e consegui uma representação numa firma de utilidades domésticas. Um amigo meu que era o dono: “tá bom você quer vir, pode vir. Vou te dar um talão de pedidos e vire-se.” E de fato o primeiro ano foi uma lástima, ganhava R$ 2,00 por mês, R$ 3,00 por mês. Eu falei “não vou trabalhar mais. Estou perdendo dinheiro, com o carro, com o motorista para procurar fregueses.” “Não seja tolo”, ele falou. “Você vai fazer bom movimento. Vai em frente.” E dito e feito, mais um ano passou e aí comecei a ter mais prática e eu ia com o meu motorista e meio sem destino, íamos em determinados bairros, onde tinha uma loja que vendiam estes artigos domésticos, eu entrava e felizmente eu consegui arrumar para ele cem lojas, ele ficou satisfeito e comecei a ganhar bem e, depois com essa mudança de dinheiro, ele também começou a ficar atrapalhado e em 1995 de um dia para outro, a fábrica desapareceu e eu fiquei sem emprego. E agora estamos vivendo na base difícil, mas, vai-se tocando, na medida do possível, eu também... A Sila ficou aposentada da Prefeitura, funcionária municipal e assim vamos vivendo. Temos um bom grupo de amigos, que a gente, fazemos um rodízio, cada semana em casa de um, faz-se um pequeno lanche, faz-se uma brincadeira de jogar baralho por algumas horas, tudo na melhor, sem visar dinheiro, tudo na brincadeira e é mais ou menos isso, o meu relato.

 

P - Senhor Samuel, vamos voltar um pouquinho, conte um pouco sobre a Escola que o senhor estudava?

 

R - Ah! A escola, tudo bem. Eu também estudei na Escola Normal Padre Anchieta, eu nunca pude fazer um curso completo porque chegava entre março e agosto, eu não podia mais, eu era muito fraco e qualquer coisa me abalava e eu não ia na escola, mas aos quinze anos, meu pai falou: -“você precisa ao menos ter um diploma”, aí em frente à loja tinha uma escola chamada de Academia Paulista de Comércio era o propedêutico e depois o (suspiro) tinha a continuação para contatos, isso eu consegui fazer durante seis anos, estudando a noite e me formei, ao menos para ter a garantia de um diploma, que era o que meus pais estavam querendo e depois, a ideia era a seguinte, meu pai me colocar numa escola judaica, mas não tinha no Brás, era no Bom Retiro, e era impraticável, não é como é hoje, pega-se um taxi ou vem uma perua buscar, era como ir a Santos e assim foi indo e entrei nessa escola, mas eu nunca conseguia passar o ano inteiro. Todos os anos, enguiçava comigo. Tinha de ficar de cama, eu era muito doente na época. E aí consegui me formar, tenho o título de contador, mas eu nunca exerci uma profissão. E agora, quero dizer dos nossos divertimentos, íamos durante as férias para Santos, era como se dizia ir para o Polo Norte. Era uma coisa formidável. Acordava-se às 5:00 horas da manhã para pegar o trem e malas não se tinha, pegava-se um lençol, punha-se a roupa, íamos lá numa pensão, que era de nossos conhecidos em Santos. Ficávamos de quinze dias a um mês lá, todo o ano eu tinha que engordar, um assoprão eu caía. Mandava-se correspondência de Santos para são Paulo e para São Paulo para Santos (riso), telefone usava-se, mas era caro, era 3,4 mil réis na época, era uma verdadeira fortuna, então ficava eu e minha mãe, meu irmão e meu pai ficavam em São Paulo fazendo negócios e no domingo ele vinha passar o dia com a gente, voltava à noite e indo para Poços de Caldas era a mesma coisa, para me tratar, e de São Lourenço era a mesma coisa, para me tratar daquela doença que eu tinha, porque o médico tinha indicado (pausa) tomar aquelas águas, realmente eu melhorei desde aquela época.

 

P- Que foi feito da loja?

 

R - A loja, eu pus simplesmente, em janeiro de 1959 eu cerrei as portas (tosse) e parte dos móveis que tinha lá eu vendi um pouco e o resto nós demos para um asilo e depois eu aluguei a loja e depois de alugado, em 1961 saímos de lá e viemos para Pinheiros.

 

P- A loja ainda está lá?

 

R - E o inquilino não me paga há mais de dois anos (risos). Esse é o mais grave de tudo. Sobretudo porque ficou um bairro tão arrasado, mas tão deprimente que eu vou lá, eu não quero ir, mas sou obrigado a ir às vezes para receber alguma coisa, é um negócio que me enche o coração. Tinha casa lindíssimas na Rua Carlos Botelho, palacetes, ficou um abandono total, ficou uma avacalhação, esses camelôs e libaneses, sírios, uma outra forma de vida que eles têm, isso eu não tolero. Quando tinha que ir lá, para mim é um tormento. Eu adorava aquele bairro, nasci lá, conheço aquilo, como minha vida, todas as ruas, tudo.

 

P- Tem mais alguma coisa que o senhor gostaria de estar falando sobre São Paulo?

 

R - Ah! Sobre São Paulo posso falar sim. Sobre as porteiras do Brás, por exemplo. As porteiras do Brás foram os maiores temores dos paulistanos, porque quem vinha da Penha, da Praça da Sé, de quinze em quinze minutos, as porteiras se abriam e ficavam filas intermináveis para passar, foi um verdadeiro suplício. Aí o Adhemar de Barros que era na época o interventor parece, não era governador, era interventor, porque o Brasil, porque São Paulo teve vários interventores, ele era um interventor e disse-nos temos que dar um jeito de acertar estas porteiras, porque era uma calamidade, para ir à cidade levava uma hora de bonde, de ônibus, ou qualquer e ele felizmente conseguiu fazer uma via expressa e cortou aquela parte. E numa das travessas, perto do largo da Concórdia, subia-se com os carros e já não precisava passar por aquela rua, ia-se com mais facilidade para São Paulo e vice e versa, os da cidade também vinham com mais facilidade. Cinemas! Cinemas, nós tínhamos o Braz Politheama, era o mais tradicional, inclusive tinha óperas também, porque lá tinha geral, camarote, frisa e poltronas. Era um cinema que nós íamos todo domingo. Eu e os meus primos. Matinê era infalível. Tinha o Cine Oberdan também, que em 1938 aconteceu uma outra tragédia. Estava sendo exibido um filme, era um domingo, um dos garotos de lá de baixo gritou fogo, então da galeria, todo mundo pulou para baixo, houve trinta mortos, foi uma verdadeira tragédia, isso abalou São Paulo na época. E também tínhamos outros cinemas e quando começaram a vir os cinemas da cidade, o Metro, o Art Palácio, o Cine Ypiranga, aquilo foi! Ir lá naquela época foi um acontecimento histórico.

 

P- E o Piratininga?

 

R - O Clube?

 

P- Não, o cinema...

 

R - O Piratininga era o maior da América do Sul. Isto agora é um estacionamento, ficou tudo abandonado, por isso que eu digo o Brás teve uma queda muito violenta. O Brás, Cambuci, estes dois bairros ficaram abandonados ao extremo. Eu também queria dizer, quando nós queríamos, durante a semana, tinha tios que moravam na Penha, um em Santana, um no Cambuci, ia-se fazer uma visita rotineira, acabava-se de jantar íamos lá para tomar um copo de chá e conversava-se, a gente saboreava muito conhecimento sobre a vida e depois e toda aquela a nossa família constituía de mais ou menos de cem pessoas. Agora estamos reduzidos a dez, todos faleceram com o passar dos tempos e (suspiro).

 

P- Quais são as atividades que o Senhor tem de lazer? O que o senhor faz atualmente?

 

R - Hoje, nessa época? Nós somos muito caseiros, muito caseiros. Eu dirigi um carro durante 45 anos e no dia primeiro de janeiro de 1994 fomos até a Hebraica (Clube), quando eu saí o carro já não estava mais. No meu íntimo eu dei graças a Deus, porque não podia ver mais carro para guiar de jeito nenhum. Então o que hoje precisamos fazer, temos amigos maravilhosos, que quando é para sair, vem nos pegar, as filhas nos vem pegar, isso já torna-se uma coisa rotineira.

 

P- Mas que clube vocês frequentam?

 

R - Antigamente na década de 40, 50 havia o Círculo Israelita era a coqueluche, depois tinha o Clube Macabi, que era um tipo campestre e depois de 1960 a Hebraica já estava funcionando, e é um dos clubes mais lindos do mundo, é um clube espetacular. Isso é, geralmente, como agora estou sem fazer nada, eu e a Sila vamos durante a semana passar uma manhã, conversar com os amigos, mas assim, nossa vida é bem caseira, assistimos TV, fazemos uma brincadeira de jogar baralho eu e ela, só para passar o tempo.

 

P - O senhor lembra do Zepelim?

 

R - É lógico! Foi em 1937, Zepelim Hindenburg, passou por São Paulo e depois foi abatido lá nos Estados Unidos, ele caiu e matou muita gente.

 

P - O senhor lembra dele passando no céu?

 

R - Ele passava, porque a velocidade do zepelim era três vezes menor do que de um avião e tinha também, parece que tinha compartimentos, camarotes para passageiros... Isso eu não tenho muita certeza, havia uma forma de colher passageiros, levava dois, três dias, uma viagem a Nova York, porque a velocidade de zepelim era três vezes menos que de um avião. O avião levava quinze horas e o zepelim levava quarenta horas, uma coisa mais ou menos assim. O metrô também em São Paulo foi um acontecimento, mereceu mesmo parabéns, porque deu uma ajuda infernal para muita gente, quem mora em bairros distantes podendo usar o metrô. Eu uso muito ainda, também. Para o meu trabalho quando estava vendendo o metrô para mim era um achado, parava perto das lojas e aquela velha guarda toda já faleceram, minhas tias, meus tios, meu irmão, os pais dela, os meus pais, todos já estão falecidos e nós estamos dando uma continuação, aguardando que eles sigam as nossa pegadas.

 

P- Senhor Samuel, se o senhor pudesse mudar alguma coisa na vida do senhor, o senhor mudaria?

 

R - É tudo relativo, nessa idade já não dá mais para mudar. Agora eu não tenho mais paciência para nada. Não tenho paciência. Tenho paciência, as crianças quando vem em casa, fazem aquele banzé, agente fica meio irritado, mas é gostoso. Eu tenho feito o seguinte, a menina dela, às sextas feiras, vem em casa e a levo para escola, ou ela (esposa) leva para escola e o meu outro neto segundas e sextas geralmente ele vem em casa, almoça e levo para escola também, faço com prazer e eles nos dão grande alegria. Essas crianças me deixam maluco, eu bato, xingo, mas eles gostam e belisco e assim vamos tocando.

 

P- O senhor ainda tem um sonho, um projeto?

 

R - Se eu tenho um sonho ou projeto? Preciso ganhar é na loto, isso para mim é importantíssimo (risos). Essa semana, eu nem te contei para você (se dirige a esposa) eu ganhei R$ 116,00. É mesmo, veio agora um novo jogo de 1 a 100, custa R$ 1,00 para jogar. E como é esse jogo? Precisa pôr 50 números dos 100, se der 16, 17, 18, 19 eu ganho. Em ordem cronológica. Apostei a primeira vez, R$ 2,00 fui mandar examinar, “o senhor não ganhou nada.” Então fui persistente. Joguei a segunda vez segunda-feira, e esse aqui precisa de um computador se ganhar, tão complicado que é esse jogo. Lá eu já ia jogar fora o papel (parada), fui falar com a moça, “deu alguma coisa?” Eu tinha apostado R$2,00. “Não, esse não deu nada. Mas, esse deu R$116,00.” “E quem paga?” “Eu.”

 

P- Ela mesma?

 

R - Ela pagou R$116,00, dei para ela R$10,00. (risos) Tem que ser bonzinho também. Ela ficou contente.

 

P- Se o senhor ganhasse uma bolada o que o senhor vai fazer com esse dinheiro?

 

R - Eu quero ser mais humilde. Eu nunca fui vaidoso. Eu quero ser mais humilde do que eu sou. Se eu ganhasse um bilhão eu seria a mesma coisa. Eu nunca tive assim pretensões de... Claro que favorece bastante, não vou dizer. Porque eu sempre fui do seguinte lema: O dinheiro traz felicidade? Não traz a felicidade. Traz uma facilidade de vida, viajar, ter boas roupas, ter uma boa casa, ter um bom carro, mas a felicidade consiste em ser bom, ser honesto, ser fiel, isso para mim é uma grande dádiva de Deus. Isso sempre fui, espero ser sempre porque temos os nossos amigos, são amigos quase de cinquenta anos, sessenta anos sempre no nível do respeito mútuo, entre homens e mulheres, isso é maravilhoso, isso não tem preço que pague, essa é uma das filosofias de vida, quero ser mais humilde do que eu sou.

 

P/2 - O senhor Samuel, tenho uma curiosidade, na época da revolução de 30, o Senhor estava com oito anos.

 

R - Lembro como se fosse hoje.

 

P/2 - O senhor pode contar para gente, o que o senhor viu naquela época?

 

R - É porque em 1930 Washington Luís era o presidente e tinha sido feito uma eleição e quem ganhou foi um cidadão chamado Júlio Prestes, que era de Sorocaba e Getúlio Vargas era o ministro da fazenda de Washington Luís, esse detalhe não me ocorre. Mas, eu sei que havia uma grande divergência e não queria que o Júlio Prestes subisse e ele se tornou um prefeito ditador e assumiu o poder um presidente provisório e ele foi exilado para Portugal, o Júlio Prestes não assumiu a presidência. E ele veio a São Paulo até dia, eu tinha ido à estação do Norte para vê-lo, massas humanas. O Getúlio Vargas não se pode analisar se ele foi bom ou não? Foi bom em determinados setores, mas(tosse) em outras épocas ele não foi muito favorável. Tanto assim que em 1938 houve uma intentona comunista- integralista, eles de arma em punho queriam ocupar o catete e ele estava tendo certas tendências ao nazismo. Mas depois disso ele viu que eram pessoas perigosíssimas, esses integralistas e conseguiu dominar o poder. Em 1937, Getúlio Vargas fechou o congresso e tornou o ditador absoluto, tanto assim que o dia 10/01 era considerado feriado nacional, porque foi o dia que ele fechou o congresso e assumiu sozinho a presidência e o ministério, e tornou -se um ditador absoluto. Porque foi uma coisa curiosa. Getúlio Vargas conseguiu (tosse) até 1945, assim que terminou a segunda guerra mundial veio o secretário dos Estados Unidos aqui no Brasil dizendo que eles queriam que o Brasil tivesse eleições democráticas. Para o Getúlio Vargas entrou por um ouvido e saiu pelo outro, mas a pressão foi mais violenta. Começaram depois a pressionar e ele foi deposto. Em 1945 assumiu a presidência José Linhares. Houve depois eleições democráticas. A primeira eleição para votar levava dez horas para se pôr um voto na urna, porque nunca houve eleição aqui e foi aquela bagunça e o Dutra foi eleito presidente da república, mas olha como se dá uma virada nas coisas. O Dutra foi um bom presidente. Quando terminou a gestão do Dutra, isso foi em 1946, em 1950 houve novas eleições, então foi o Cristiano de Oliveira, um dos candidatos, Ademar de Barros, Getúlio Vargas e Cristiano Machado, quatro e o brigadeiro Eduardo Gomes e o Getúlio aí fez, foi eleito, o Getúlio foi eleito em forma legal com o vice-presidente, congresso e conseguiu sobreviver até 1954, quando houve aquele golpe, o Carlos Lacerda, mataram o amigo do Carlos Lacerda e o Getúlio não teve alternativa, tinha que sair do poder e ele se suicidou naquele dia e o Café Filho tomou a presidência foi um outro desastre. Ele só conseguiu ficar um ano, esse Café Filho e houve a uma debandada porque o Juscelino Kubistchek, tinha ganho as eleições para assumir a presidência (tosse) e queria também dar um golpe de estado para JK não assumir a presidência, então veio um presidente provisório chamado Carlos Luz e o marechal Lott que era o ministro da guerra estava notando que iam fazer um golpe de estado, ele conseguiu depor esse Carlos Luz e JK foi eleito presidente da república.

 

P- O senhor, a família do senhor depois de estabelecido no Brasil, continua mantendo contato com os parentes?

 

R - Quase nada, os meus primos que sobraram já tem idade dos nossos entes que já se foram, não temos praticamente nada. Os filhos já não nos convidam mais em festas (risos) completamente apagados. Só temos contato com nossos amigos, que são mais do que nossos primos. Totalmente abandonados. Uma vez ou outra quando se encontra, ninguém vai, não temos contato com ninguém. Totalmente afastados e a circunstância também força isso, porque a situação financeira afetou todo o mundo e cada um tem que se virar de maneira que pode. (e Londres?)

 

P- O senhor tem parentes em Londres?

 

R - Tenho umas primas, daquela fotografia que eu tenho. E ela esteve em São Paulo também. Estivemos em Londres, tivemos um contato só de duas horas, porque ficamos poucos dias lá (suspiro). E também estão agora solteiras, cuidavam muito dos pais e as duas filhas solteiras, tem 80 poucos anos, as duas beiram 80 anos, estão vivendo sozinhas, meio abandonadas, e, nem com elas. Só chega nas festas, eu gosto muito de mandar cartões de felicitações do ano novo e eu mando e elas respondem com cartão, mas assim, contato já não temos mais.

 

P- Senhor Samuel nos estamos encerrando o nosso depoimento, gostaria de perguntar o que o senhor achou de contar sua história de vida, contar suas histórias?

 

R - Como assim?

 

P- O que o senhor achou de contar suas histórias?

 

R - Eu acho maravilhoso. O passado para mim é um espelho na frente. Eu não sei onde pus a caneta há cinco minutos atrás, mas o filme de 32 eu conto. O passado para mim tem um poder incrível. Eu tenho jornais de guerra, uma pilha de jornais, sempre tive curiosidade. Tanto assim que quando alguém viaja para o exterior eu peço para me trazer um jornal, dos Estados Unidos, é curiosidade. Porque o inglês eu tenho muita dificuldade em ler (tosse) falo um pouquinho dessas coisas banais. Minha mãe falava fluentemente e assim ela ensinou um pouco também e na escola também. Uma conversa fácil como vai, como é o seu nome mais ou menos isso. E assim, os filmes antigos para mim quando vejo um filme antigo, na TV, para mim é uma coisa fenomenal, a gente vê que são artistas super espetaculares, são pessoas de grande gabarito. Tanto assim que tive uma curiosidade no IV centenário houve um festival internacional de cinema e vieram cerca de trinta atores e atrizes no Hotel Jaraguá, estava louco para vê-los de perto, então eu estava, eu sempre andei de paletó e gravata quando tinha loja, eu sempre gostei dessa forma. Eu vou arriscar. Vou dar um pulo até o Hotel Jaraguá onde eles iam se hospedar. Meu coração estava pulando, vou subir e vi toda aquela trempa o Walter Pidgeon, Joan Fontaine, Jane Pall, Edward G. Robinson. Peguei um envelope do Hotel Jaraguá e pedi para todo o mundo me autografar. Todos eles puseram autógrafo, isso para mim foi quase como um premio.

 

P- Então a gente agradece essa horinha.

 

R - Eu espero que vocês tenham gostado, talvez eu tenha errado um pouco (tosse).

 

P- Não, esta ótimo.

 

R - Isso e quando precisarem disponham da gente.

 

P - Obrigado.

 

R - Obrigado Senhor Samuel.

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