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História de: Adarcia Moreno Corzanego
Autor: Adarcia Moreno Corzanego
Publicado em: 02/01/2011

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História completa

Minha vida começou há muito tempo, há 76 anos, no famoso Bixiga, hoje Bela Vista, em uma manhã de julho de 1934. Meu nome: Adarcia Moreno Corzanego. Meus pais, ambos filhos de espanhóis, tinham muitas histórias para contar. Papai nos contava como sua mãe, vovó Pepa, tinha chegado ao Brasil, fugindo de um casamento imposto a ela e que não a agradava.

 

Avançadíssima para a época, saiu com seu namorado, vovô Antonio, e aqui aportaram. Mamãe também tinha a sua: vovô João veio primeiro e mandou buscar Carmem, com quem se casou. Papai trabalhou na extinta companhia de gás durante 35 anos. Quando se aposentou, era cobrador de contas, serviço que fazia a pé na então bela Av. Paulista, com seu belíssimo casario, imaginem que tempo era esse Andava com uma pasta embaixo do braço, as contas e o dinheiro...

 

Ele conheceu o vale do Anhangabau, com o rio que por lá passava, assistiu a canalização do mesmo. Meus avós, seus pais, moraram na Ladeira Porto Geral, onde tinham uma loja de louças, na ocasião lhes foi oferecido um terreno para compra, que foi recusado, por existir muita formiga no mesmo. Papai se banhava no rio que passava nos fundos da loja, que tambem servia de moradia. Faleceu aos 85 anos.

 

Eu já conheci o Anhangabau canalizado e também presenciei muitas mudanças. Morei no bairro do Ipiranga, próximo ao museu, ia de bonde aberto, que fazia ponto final na Av. Nazaré, onde se viravam os bancos para voltar e ir até a Pça. João Mendes, então eu ia para a escola, tendo que fazer uma baldeação, pegando outro bonde, o chamado "camarão", para ir até o colégio Chamberlain, próximo ao famoso Mackenzie.

 

Às vezes fico pensando como sou antiga e como tudo passou muito depressa. Estive estudando no internato do Santa Marcelina, lá na Cardoso de Almeida. Casei-me em 1955, na Catedral de São Paulo, na praça da Sé Imagine se isto pode acontecer agora? Vi muitas mudanças nas cidades, nos costumes e continuo a me atualizar e viver no contexto desses novos tempos, até na internet eu estou... Venho de um tempo totalmente diferente, não possuía carteira de identidade, só certidão de nascimento. Não votava. Quando a mulher foi inserida, eu já estava casada e com a primeira filha a caminho.

 

Conheci Santos com suas belas casas na orla da praia, a Praia Grande, quando só se passava se a maré estivesse baixa, ou corria-se o risco de ficar encalhada, senão submersa. Ir a Santos era uma viagem fantástica que se fazia de trem ou de carro pela estrada velha, parando no alto da serra para almoçar e ver a paisagem. Hoje, a caminho de 56 anos de casada, com um único neto que está com oito anos, tenho deixado escritos relatos e consegui fazer uma árvore genealógica para meu neto, com fotos de antepassados, para que ele possa, no futuro, desfrutar de um tempo que, considero, foi muito bom. Tenho um vídeo que também montei, baseado nas diversas atividades que tive, também para que ele possa conhecer um pouco de sua vovó. Valeu ter vivido tudo isso

 

(Enviado em janeiro de 2011)

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