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Memórias do Carlos Eduardo

História de: Carlos Eduardo Rodrigues Sophia
Autor: Simone e Silva Medeiros
Publicado em: 26/11/2012

Sinopse

Carlos Eduardo Rodrigues Sophia é, antes de tudo, um cidadão atuante. Casado e pai de cinco filhas, preocupa-se com a comunidade em que vive no bairro Parque Lafaiete, em Duque de Caxias. Faz parte do Conselho Escolar de duas escolas e atende às solicitações dos moradores trabalhando no posto da PM de Duque de Caxias. Depois as encaminha aos responsáveis para solucioná-las. Além disso, participa de movimentos pela paz e pela cidadania em nosso estado. As dificuldades porque passou não o fizeram desistir da luta por uma vida digna. Ao contrário: lutou contra as adversidades de uma infância pobre e sem a presença do pai, constituiu uma família unida e feliz, formou-se em Educação Física e passou a atuar na comunidade como um porta-voz das necessidades das pessoas. Participou de várias maratonas e, por meio dos esportes e das artes marciais, pretende ajudar mais uma vez as pessoas. Seu próximo projeto é dar aulas de kung-fu aos jovens do bairro.

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História completa

A história que vamos contar é sobre o Carlos Eduardo, que é Carlos por causa de seu avô. E gosta do seu nome! Nasceu em 1964 e morou no bairro do Flamengo, na Zona Sul do Rio de Janeiro, até os 6 anos de idade. Sua mãe, chamada Marciana, era uma mineira da cidade de Limoeiro que trabalhava como empregada doméstica e morava na casa da patroa com seus filhos Carlos Eduardo e Rogério. Ela criou os dois meninos sem a presença do pai, Osmar, que só se reconciliou com a família muitos anos depois. Carlos Eduardo brincava muito por lá, nas praças e ruas do bairro.

Também andava bastante de bonde. Lá começaram as primeiras estripulias do menino que tinha vergonha de ser magro. Ele viu as primeiras mudanças na Zona Sul da cidade, pois quando as dragas e pedras para a construção do Aterro do Flamengo chegaram, ele ainda morava no bairro. Aos finais de semana ia para a roça, para a casa dos avós maternos Antônio Evaristo e Elvira, em Japeri. Lá ele ganhava uma sobremesa inesquecível dada pela avó: goiabada. E a lata era usada como prato de comida. Um tempo depois, morou em Japeri, perto dos avós, numa casinha que nem tinha luz. Eram tempos difíceis, mas para teve uma coisa boa: o doce passou a ser a sobremesa de todo dia. Ele veio para o município de Duque de Caxias, para o bairro Parque Lafaiete aos 6 anos, depois que seu avô comprou uma vila de casas. Ele até pensou que seu avô estava rico porque era muita casa! Seu avô voltou da Segunda Guerra com um dinheirinho a mais. Daí a vila de casas. A casa onde ele morou era pequenina, bem pobrezinha, mas era a sua casa.

Por isso ele ficou muito triste quando a enchente levou tudo embora, até a cachorrinha de estimação. Isso foi muito triste, mas também teve coisa boa. A sua casa era quase um quartel-general. Muitas brincadeiras aconteciam lá porque tinha muitas crianças na vizinhança e elas gostavam de ir para a casa dele. O menino gostava de brincar de pique-lata e andar de bicicleta pelas ruas de Duque de Caxias. Mas tinha um problema: a bicicleta só tinha o aro e a corrente estava enferrujada. Pensa que isso foi obstáculo? Não!! Ele enrolava mato no aro da bicicleta e ia pedalando, pedalando... A escola guardou momentos marcantes para a vida de Carlos Eduardo, pois foi ali que começou seu interesse por esportes. Mas não foi o esporte que ficou em sua memória. Foi na escola que ele passou a maior vergonha de sua vida: usava um tênis conga menor que seu pé. Além de pequeno, o tênis ainda era de menina! Vamos explicar isso melhor. Os tempos eram difíceis. Sua mãe lutava com dificuldade para criar os dois meninos e não sobrava dinheiro. Então sua patroa, que tinha um casal de filhos, doava as roupas e os calçados dos filhos para o Carlos Eduardo e seu irmão. E como a menina tinha mais ou menos ou seu tamanho, ele ganhou o tênis conga dela. A moda era usar kichute, mas como a situação financeira não era das melhores, só restava o conga apertado. Pobre garoto... Quando Carlos Eduardo finalmente ganhou um kichute, o tênis da moda na época, não tirava do seu pé de jeito nenhum. Ia com ele para todos os lugares. Mesmo envergonhado com o tênis conga, o menino era muito ativo na escola. Sua mãe foi chamada algumas vezes para resolver alguns problemas de bagunça, mas nada grave.

Tinha orgulho de nunca ter mexido em nada de ninguém. E mesmo quando um colega pegou o seu carrinho sem pedir, ele não fez nada. Além da vergonha do tênis conga, ainda teve o fato de repetir o 3º ano duas vezes. Ele ficou bem chateado. Não conseguia entender esse problema com o 3º ano. Logo o último! Mas ele se esforçou e, na terceira vez, conseguiu passar. Nessa mesma época, a adolescência, seu tio, que era treinador, teve grande importância em sua vida. Ele incentivou o sobrinho, a praticar corrida e a participar de competições. Por isso ele já participou de várias maratonas no estado e ganhou várias medalhas. Até na época em que foi fuzileiro naval também participou de corridas. Também por causa do gosto por esporte, se formou em Educação Física, na UERJ. Não dá aulas, mas o esporte seguiu na sua vida. Falou que a natação era uma das atividades mais completas e que todos os alunos, se pudessem, deveriam praticar.

Hoje em dia é diretor de esportes em Duque de Caxias Também se interessou por lutas e pratica kung-fu, uma arte milenar chinesa. Seu próximo projeto é dar aulas de kung-fu para jovens do bairro Parque Lafaiete. Carlos Eduardo se casou e formou uma família numerosa, composta de cinco meninas: Suelen, Maria Eduarda, Carolina, Gabriele e Emanuela. E foi com a Emanuela que ele passou o maior susto de sua vida. Ela foi vítima da epidemia de dengue no Rio de Janeiro. A menina ficou em estado grave, pois teve dengue hemorrágica. Foi um período de muito desespero e tristeza, mas foram feitas muitas orações e os médicos salvaram sua vida. Um ano antes ele perdeu a dona Marciana, que foi vítima de um câncer. Durante dez anos, ele cuidou da mãe, que morreu em seus braços. Todos os dias ele massageava os pés dela, para aliviar suas dores. Dona Marciana não gostava do seu nome.

Quando ia ao médico e era chamada para ser atendida pedia para o médico dizer seu nome baixinho para ninguém ouvir. Ela não ficou muito feliz com a mistura dos nomes Márcia e Ana para formar o seu nome. Carlos Eduardo presta serviço comunitário de segurança há 20 anos no Batalhão da Polícia Militar de Duque de Caxias e é conselheiro escolar de duas escolas no bairro. Já participou de manifestações pela paz no Rio e continua atuando como um cidadão consciente de seus direitos e deveres, pois cobra soluções para problemas no município, tanto para a educação quanto para a segurança.

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