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História

Minha irmã e melhor amiga

História de: Juliana Puglisi Carvalho
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 08/11/2016

Sinopse

Juliana Puglisi conta como foi descobrir aos 9 anos que estava com diabetes. O diabetes se tornou seu melhor amigo e a “pessoa” mais importante da sua vida. Com uma visão positiva, Juliana conta trechos importantes da sua vida que a tornaram uma mulher e mãe realizada.

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História completa

Sou a Juliana Puglisi Carvalho, nasci em São Paulo, no dia oito de maio de 1979. Meus pais são Lauro Roberto Puglisi e Eliana Pecilini Puglisi e sou a quarta filha de mais três irmãs, Luciana, Valéria e Daniela. Meus pais se conheceram em Santos, nas férias de verão e eram muito novos. Meu pai foi o primeiro namorado da minha mãe, mas a minha mãe não é a primeira namorada do meu pai e estão casados há muitos anos. E aí, tiveram quatro filhas. Minha mãe é arquiteta de interiores e o meu pai se aposentou recentemente, é empresário. Meu pai é uma pessoa muito organizada e muito presente na minha vida. A minha mãe é uma pessoa muito disponível também e ao mesmo tempo, com mil ideias. Os dois sempre foram muito unidos, a relação deles é muito admirável, parceiros um do outro, estão juntos a vida inteira, construíram muita coisa e uma família maravilhosa. Somos uma família bem unida.

Da minha infâncias eu me lembro de muita alegria, diversão, viagem e eu acredito que por eu ser a quarta filha, eu já nasci num momento em que a família já estava estabilizada, em um momento confortável e aconchegante. Nós tínhamos casa na praia, então em feriado e férias, a gente ia muito. Uma ou duas vezes por ano, a gente fazia viagens maiores fora do país ou lugares turísticos aqui no Brasil. A gente brincava muito. Nós morávamos em uma casa grande no Alto de Pinheiros, então há 30 anos atrás, brincávamos de amarelinha na rua, de taco. Sair para a rua era quase a extensão da casa, estar na rua era um quintal da casa. Eu tenho boas lembranças da minha infância, muito positivas.

Eu estudei na Escola Alfa, quando pequena, depois, eu fui para o Rainha da Paz, fiz um ano lá e depois, eu estudei a minha vida inteira no Santa Cruz. Me lembro de todas com muito carinho. Eu tive uma professora que lembro com muito carinho o nome dela era Lilian, ela foi minha professora no ano que eu fiquei diabética e tive que faltar muitas vezes na escola e a postura dela foi bem positiva, ajudou bastante. Eu era muito nova quando eu descobri a diabetes, estava na segunda série, então pra mim tudo era uma grande novidade. Nós descobrimos a minha diabetes na mesma época de uma hepatite. Nós fizemos uma viagem, a família inteira pra Maceió num resort e voltamos de lá, todas doentes. Eu e minhas outras três irmãs ficamos com hepatite. Então, eu lembro que nessa época, a casa dos meus pais era um hospital, era um home care. Tinha que esterilizar tudo, alimentação era diferente, ficava cada uma em um quarto foi uma loucura! E a diabetes desencadeou nesse momento. Eu me lembro que eu comia muito, era uma coisa descontrolada de comer dois, três pães franceses, mais uma banana, mais um toddy e minha mãe falava: “Gente, essa menina tem nove anos de idade, ela fica comendo, comendo…”. E tem uma filha, também Juliana, de uma amiga da minha mãe que também tinha diabetes, então a minha mãe tinha acompanhado esse processo pela amiga dela e começou a identificar coisas muito parecidas que estavam acontecendo comigo e fomos no médico que essa amiga da minha mãe indicou, que era o Doutor Liberattori. Ele era uma excelente pessoa e seguia uma outra metodologia da que eu sigo hoje, eu não tirava glicemia, era uma outra forma de ver a doença, mas que foi muito positiva neste período porque a recepção da doença que é uma coisa que muitas pessoas as vezes passam por problemas, no meu caso foi muito tranquilo e leve. A reação dos meus pais também me ajudou muito nesse começo, porque por mais preocupados que eles pudessem estar eles nunca me demonstraram insegurança nenhuma e eram completamente positivos, sempre procurando os melhores médicos, as melhores opiniões e os melhores tratamentos. Isso foi muito positivo pra mim, porque hoje, com mais de 20 anos com essa disfunção, eu me sinto e passo isso, tenho esse life style e tenho essa forma de viver e de encarar essa disfunção de uma forma totalmente positiva, pra frente, sem me sentir menos.

Então eu não senti muito impacto. Por eu ter tido uma metodologia, um método com esse médico enquanto criança, que não era uma forma de pressão e cuidado extremo, foi muito bom, aconteceram coisas da forma natural. Eu passei a tomar injeção e a minha mãe me aplicava insulina de um dia para o outro, coisa que não tinha antes, mas na época, não foi um impacto, a atitude os meus pais foi muito positiva, sempre mostrando estabilidade, segurança, mas tudo de uma maneira completamente leve, sem medo, sem pânico e eu lembro que eles me traziam assim:  “Quem tem miopia não usa óculos? Quem tem asma, não usa bombinha?” era nessa relação bem infantil, explicando de uma forma bem simples: “Então, quem tem diabetes, toma insulina”. Eu comia de tudo, minha alimentação não mudou, eu não tinha o controle glicêmico, porque esse médico acreditava que e não era necessário, então foi uma mudança bem natural.

Eu fui uma adolescente de ir em todas as festas, de ir em todas as baladas. A mudança que teve nesse período, foi que desde então, não tinha a minha mãe todo dia para me acordar e aplicar a insulina e portanto, assumi essa responsabilidade e desde então eu procuro não entrar nessa vibe de não me mexer se eu não fizer o controle glicêmico. Por outro lado, eu tenho maior responsabilidade no controle. Então, eu procuro fazer sempre, mas tem dias que eu faço mais vezes, tem dias que eu faço menos.

Eu fiz Santa Cruz a vida inteira e então fui cursar Artes Plásticas na FAAP e depois eu fiz Propaganda e Marketing. Hoje eu sou publicitaria e trabalho com moda. A época da faculdade foi uma época muito positiva, me formei, e comecei a fazer os estágios e fui me encaminhando para esse segmento que eu trabalho hoje. Mas era uma época muito legal, muito divertida, tinha festa todo dia e eu trabalhava, estudava e ainda saía à noite.

Depois eu me casei em 2008, e tenho duas filhas, Maria Eduarda que tem quatro anos e a Maria Antônia que tem sete meses. E hoje os meus sonhos são manter minha saúde primeiro de tudo para que eu consiga fazer tudo o que eu desejar com bastante saúde, fé, tranquilidade, com bastante sucesso. Que eu consiga ter minha vida muito boa e com as coisas positivas que eu tenho, cada vez mais agregando só coisas boas, fazendo bem para os outros e que eu consiga criar minhas filhas muito bem, da forma como eu fui criada.

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