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História

Minha vida: tudo um em um milhão

História de: Kelly Cristina Duarte
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 13/02/2019

Sinopse

Kelly conta sobre seu maior sonho: ser mãe. Apesar de sempre ouvir do médico que não seria possível, aconteceu. Um milagre, afirma Kelly. Nove meses depois, nasce Débora. Os pés tortos do primeiro ano não foram impeditivos para que a menina pudesse dar seus primeiros passos, ao lado de sua amorosa mãe. O diagnóstico que veio a seguir, de dermatite atópica, só serviu para as duas se aproximarem ainda mais, com Débora buscando colo e Kelly oferecendo todo o carinho. E, assim, nos braços uma da outra, encontraram força para vencer.

História completa

Sempre sonhei em ter uma linda barriga de grávida, maravilhosa. Sempre sonhei em amamentar: o grande desejo da minha vida. “Para isso, eu preciso de um homem, então, vamos casar”, pensei. Casei com esse objetivo, mas um ano e meio depois, nada de ter filhos. Procurei um médico, eu já estava com 35 anos, e ele falou para mim: “Kelly, nós vamos realizar alguns exames para pode ver o que está acontecendo, se o problema é com você ou com seu marido”.

 

Nós fomos fazer os exames e infelizmente eu tinha as duas trompas obstruídas. Chorei muito na época. O médico então falou: “Temos dois caminhos: ou você adota, já que você quer muito ser mãe, ou a gente tenta fazer uma cirurgia, que não é garantido, mas que é uma possibilidade”. Conversei com meu marido e ele falou que não queria adotar. Isso me doeu muito. Porque por mim eu já adotava logo três, que o amor ia ser igual. Escolhi, então, a cirurgia.

 

Fui no médico pegar a papelada dos exames e comentei com o médico: “Estou me achando tão estranha! Sou uma pessoa tão certinha no meu ciclo menstrual e não sei se é ansiedade, não sei o que é, mas está atrasado para mim”. Então ele falou: “Não custa nada pedir o exame de gravidez junto com todos esses que você já vai fazer”.


Fiz. Com aquela curiosidade de ver os resultados, abri, mas não conseguia entender. Eu olhava para aquilo, via o resultado e eu simplesmente não entendia. Tirei uma foto do exame e mandei para o médico, falando: “O que é isso?”. E ele me manda a resposta: “Que isso? Você está grávida!”. Eu não acreditei. É uma loucura muito grande. Quando acontece um milagre na sua vida, você acha que aquilo não está acontecendo, que está errado, é uma loucura sem explicação. E é. Fui fazer os exames, o ultrassom, e o bebê estava ali, eu já estava grávida de quase dois meses, e foi minha maior realização, o meu maior milagre.

 

Lógico que mãe tem olho clínico e quando a Débora nasceu, olhei ela inteira. Percebi que tinha algo errado, mas ao mesmo tempo, pensei comigo: “Senhor, o Senhor sabe de todas as coisas”. Senti uma paz tão grande naquele momento, que quando a médica veio com ela e falou que ela nasceu com os pés tortos congênitos, mas que tinha cura, eu a beijei, amamentei e fiquei realmente muito tranquila.

 

O médico falou que isso acontece em um a cada um milhão de bebês, mas como tudo na minha vida é um em um milhão, achei tudo bem.

 

Ela ia usar gesso durante dois meses, ia tirar e depois usar uma prótese até os quatro anos de idade – no fim ela usou a prótese até os 3 anos de idade, quando nós tiramos. Com um ano de idade ,o médico começou a liberar a prótese duas horas por dia, e eram duas horas em que ela ficava livre daquilo tudo, em que ela podia ficar de pé, tentar andar com o nosso apoio. Quando eu voltava a por a prótese nela, eu percebia que ela começava a se coçar, a se machucar.

 

Procurei uma psicóloga para conversar sobre esse comportamento e me explicaram que a Débora era uma criança. Ela não conseguia entender o que estava acontecendo. Porém, na cabeça dela, era algo bom quando eu tirava a prótese, ela se sentia livre, e na hora que eu voltava a colocar a prótese, era como se eu estivesse castigando-a, como se eu estivesse prendendo ela de novo. Devido a isso o emocional começou a mexer com o órgão mais importante do corpo, e o maior que nós temos: a pele. Assim, ela foi levando tudo isso para a pele, por isso que ela se machucava e se coçava muito toda vez que eu colocava a prótese. E aí começou a nossa luta contra a dermatite atópica grave, que foi quando surgiram as coceiras e os machucados.

 

Eu falo que na vida da Débora nós tivemos momentos difíceis e todos esses momentos difíceis foram para fortalecer e trazer uma vitória na nossa vida.

 

Superei o momento que eu não podia ficar grávida, aprendi com tudo, fiquei grávida. Passei por momentos difíceis onde eu achei que não fosse completar a gestação, completei e ela nasceu. Depois os pés tortos congênitos, sofri com tudo isso, mas daqui a pouco ela estava bem. E não foi diferente com a dermatite.



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