Busca avançada



Criar

História

Multiplicar meu conhecimento pro mundo

História de: Juraci Maria da Silva
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 19/11/2014

Sinopse

Juraci Maria da Silva, ou Dona Jura, nasceu em Lagoa do Itaengá, Pernambuco, em 10 de março de 1959. Sempre disposta a aprender, convenceu a mãe a deixá-la estudar no Recife e depois foi para São Paulo para ajudar a sustentar os irmãos. Tornou-se líder comunitária em Heliópolis, foi metalúrgica e hoje está à frente da Ambrosia Lanchonete e Restaurante, empresa que fornece alimentação para escolas e eventos.  

Nasci em Lagoa de Itaengá em dez de março de 59. Meus pais eram muito interessantes. Eu baseio uma parte da minha vida neles. Eram agricultores. O meu pai era bem pacífico e a minha mãe era aquela pessoa determinada, decidida, em busca das coisas, de lutar pelas coisas e também enfrentar as coisas com bastante seriedade.

 

Eu costumo dizer que eu não tive infância. Eu fui criança, depois jovem e adulto. Eu sou irmã de 11 irmãos, então eu peguei a responsabilidade de cuidar dos meus irmãos com a minha mãe muito cedo. Muitos irmãos pequenos. E acabou que o fato de eu ter pego essa responsabilidade, eu nem lembro da minha infância. Eu não brinquei de boneca porque eu tinha que cuidar deles. A minha mãe trabalhava. E como eu era mais velha, eu e o meu outro irmão que faleceu, era a gente quem assumia a maioria das coisas, de ir em busca das coisas, de levar os recados pra minha mãe, de cuidar de buscar remédio pros pequenos.

 

Até meus 17 anos eu era analfabeta, com 17 anos eu comecei a estudar a Carta de ABC. Eu sempre tive aquela curiosidade de conhecer o mundo, a cidade grande, as coisas diferentes, só pra quem não sabe ler isso era difícil. Fui pro Recife porque meus irmãos eram menores do que eu e na nossa região não tinha expectativa, muita gente dentro de casa. A gente não tinha como ter uma expectativa de estudar, de trabalhar pelo menos porque lá não tinha emprego, você trabalhava na roça, mas aquilo não era suficiente, então, alguém tem que conhecer o outro lado pra ver como é. No Recife foi onde eu aprendi, foi a base da minha vida porque lá eu fui pra casa da minha tia. No primeiro dia mesmo que eu fui no Recife, é tanta coisa pra você ver, tanta coisa pra você admirar, que parece que você está em outro planeta. Foi muito especial. Estudava à noite. Lá eu trabalhei em foto, eu saía vendendo poster na rua, trabalhei numa lanchonete de um hospital lá na Santa Casa. E no final, antes de eu vir pra cá [São Paulo], eu trabalhei numa loteria esportiva.

 

Mas quando eu tava lá, cada vez que eu ia no interior eu trazia um [irmão], o que acabou depois vindo todo mundo. Nesse meio tempo quando eu tava no Recife, minha mãe sofreu uma agressão muito séria. Porque lá no Nordeste tem muito capanga, fazendeiro e a minha mãe tinha um gênio muito forte. A gente tinha um sítio e a minha mãe não permitia que animal dos vizinhos ficasse no nosso, ou vice-versa. Então, tinha muita briga de vizinho por causa de terra, de animal que estragava a lavoura do outro. E na época mesmo eu não tava lá porque fazia um ano que eu tava no Recife, aí minha mãe sofreu uma agressão, ela ficou três meses no Hospital da Restauração. Ela levou 42 cortes de foice. Depois disso ela ainda viveu quase 20 anos, mas quando ela faleceu um braço dela não tinha movimento, era travado.

 

E foi por essa agressão que aconteceu com a minha mãe, sem ela trabalhando não dava pros meus irmãos ficarem lá, foi isso que fez eu vir pra cá [São Paulo] pra buscar emprego. Lá no Recife eu tava me arrumando, eu não ganhava muito, mas quando eles vieram pra lá, eu tive que vir pra cá porque o que eu ganhava não ia dar pra sustentar. Foi quando a gente vendeu as terras. E até mesmo a gente tinha que sair de lá porque a gente ficou com medo porque quem agrediu a minha mãe era capanga de um fazendeiro e tinha carta branca pra fazer o que eles tinham vontade.

 

No Recife eu fiquei quase dois anos, mas lá eu nunca consegui registrar a minha carteira. E desde a minha adolescência que o meu maior sonho era ter registro em carteira, eu não sabia nem como funcionava porque meus pais nunca descobriram como era isso, eles não sabiam o que era os direitos, os deveres de carteira registrada. E eu sempre tive um sonho de me aposentar, e isso eu realizei porque eu aposentei com 50 anos.

 

Meu primeiro emprego com registro em carteira foi numa cerâmica. E na cerâmica os pisos vinham lá dos fornos e a gente tinha que escolher o que tinha defeito e os que não tinham. Eles vinham quentes e a primeira coisa que me aconteceu: queimei toda minha barriga, caiu o couro mesmo. Foi uma coisa que eu aprendi porque a gente aprende muita coisa com o sofrimento. Depois que eu comecei a trabalhar eu fiz parte de Comissão de Fábrica, fiz parte de Sindicato. E aqui no Heliópolis foi onde eu superei todas e hoje o meu tempo eu dedico a buscar conhecimento, a buscar melhoria porque quando a gente não sabe de nossos direitos e dos nossos deveres a gente sofre muito. Porque quando não conhece você não tem como pedir ou como exigir seus direitos.

 

Depois eu entrei numa metalúrgica, lá pagava mais, a gente tinha mais benefício. Na época a gente não tinha nem cesta básica, mas tinha comida no local, então já economizava. Eu entrei na metalúrgica pra aumentar nossa renda porque a família tinha aumentado, vieram meu pai e meu irmão mais novo e ficou com a gente aqui por quase dois meses. Lá na metalúrgica foi onde eu conheci o pai dos meus filhos. Eu trabalhei com ele quase cinco anos, depois que eu saí da metalúrgica entrei em outra, trabalhei 14 anos em metalúrgica.

Em 90 foi quando eu saí da metalúrgica, porque quase todas as empresas fecharam. E eu costumo dizer com as meninas dos grupos quando a gente tem qualquer dificuldade, qualquer desafio, que todas dificuldades vêm pra você crescer. Quando eu saí da metalúrgica eu tive que trabalhar em casa de família, eu tive que ser empreendedora, comecei a vender Avon, Natura, lingerie. Trabalhava meio período como ajudante na Expresso Brasileiro porque meio período eu garantia meu registro em carteira e o outro tempo eu trabalhava como empreendedora. Descobri muita gente, aprendi a viver em comunidade, a vender, a cobrar, a perdoar.

 

Eu fiz um planejamento na minha vida que quando eu estivesse aposentada, eu teria que estar fazendo alguma atividade, aquilo que eu gosto de fazer. E meu planejamento é ser multiplicadora porque não adianta você aprender as coisas, fazer e você morrer e levar aquilo com você. Multiplicar meu conhecimento, minhas atividades, como foi que eu cheguei, as descobertas que eu tive, teria que passar isso pras outras pessoas. Durante a vida em Heliópolis, que praticamente sou fundadora, tive meus quatro filhos aqui, a gente teve muitas atividades. Nossa primeira busca foi por habitação, pra gente conseguir urbanizar. Depois a gente teve aquela mesma comissão de moradia, ir atrás de escola, de água, de luz. Eu sempre fiz parte de trabalho, porque dentro desses movimentos têm que ter o trabalho social, e é uma coisa que eu me identifico muito. Porque trabalha com toda a família, com toda a comunidade, não tem restrição de idade, nem de classe social. Eu fazia um trabalho socioeducativo que trabalha com toda família, criança, idoso, com todo mundo. Durante esse período vinha muita gente, tinha vez que eu fazia uma garrafa de café e em dois tempos acabava. Eu comprava pão, bolacha, juntava as coisas pra trazer, mas não dava muito. Eu pensava, se a gente soubesse fazer pão, bolo, seria melhor. Isso me despertou o interesse de trazer um projeto de Gastronomia. Eu conheci o Consulado através de pessoas de Heliópolis que conheciam as pessoas que trabalhavam lá.

 

Hoje eu tenho a Ambrosia Lanchonete e Restaurante. Ambrosia começou quando eu conheci o Consulado da Mulher. A gente faz comida pra uma escola particular. Isso foi o Prêmio do Ano que eu ganhei porque está dentro daquela escola é um presente. Ela é uma escola muito conceituada, de muitos valores porque dentro da escola você só tem a aprender. Tem pessoas falhas, que perfeição não tem, mas a gente tem muito a aprender e eu acho que eu ganhei o troféu de toda minha vida. Não sei se de lá vai sair outras coisas que já estão saindo. Mas pelo menos foi a superação porque quando eu pensava em aposentar eu queria fazer aquilo que eu gosto, eu fiz esse planejamento durante toda minha vida.

 

Eles [o Consulado da Mulher] assessoraram com forno de bolo, máquina de bater massa pra fazer pão. Trouxeram uns armários para guardar as coisas direitinho, que não tinha nada disso. Eles começaram a trazer demanda, inclusive eu fiquei um ano lá na Faculdade Cruzeiro do Sul, a gente fornecia doce pra cantina de lá. Começamos a fazer eventos lá.

Porque pra gente ser assessorado, fazer parte do Consulado, existe uma regra, em primeiro lugar é comprometimento. Responsabilidade de você estar nos lugares nos horários. As coisas com qualidade que é uma coisa que eu aprendi, minha maior dificuldade de passar pras outras pessoas, mas quem está dentro do Consulado tem que ter essa responsabilidade de qualidade. Porque não é só você fazer a comida, você tem que ter qualidade, tem que ser feito com higiene, com responsabilidade, tem que ter apresentação. É uma atividade que tem espaço pra todo mundo. Pra todas as competências, ninguém fica sem fazer nada. Da Contabilidade até limpar o chão.

 

Quando eu era criança o meu maior sonho era estudar. Mas eu não pude estudar na minha infância, na minha adolescência, mas eu acho que eu to aprendendo, e cada dia eu aprendo mais, o que eu preciso. Porque a gente não precisa de muito. E o Consulado tá sendo uma via de mão dupla, eu dou, mas também recebo, fazendo o que eu gosto, no tempo que dá, que eu posso me dividir. Em outros tempos eu não estaria aqui com vocês porque quando você marca cartão, quem decide o teu tempo é o patrão, agora não, eu posso cozinhar, eu posso limpar o chão, eu posso organizar, eu posso atender, eu posso servir, posso escutar e posso falar. E isso é o que mais me interessa. Não sei tudo porque tem muita coisa pra aprender, mas de tudo eu aprendi um pouco e essa oportunidade eu tive dentro do Consulado.

E tem coisas que se você não para pra falar, se alguém não te pergunta, se alguém não busca, você não tem essa oportunidade de parar e até lembrar.

Tags

História completa

Nasci em Lagoa de Itaengá em dez de março de 59. Meus pais eram muito interessantes. Eu baseio uma parte da minha vida neles. Eram agricultores. O meu pai era bem pacífico e a minha mãe era aquela pessoa determinada, decidida, em busca das coisas, de lutar pelas coisas e também enfrentar as coisas com bastante seriedade. 


Eu costumo dizer que eu não tive infância. Eu fui criança, depois jovem e adulto. Eu sou irmã de 11 irmãos, então eu peguei a responsabilidade de cuidar dos meus irmãos com a minha mãe muito cedo. Muitos irmãos pequenos. E acabou que o fato de eu ter pego essa responsabilidade, eu nem lembro da minha infância. Eu não brinquei de boneca porque eu tinha que cuidar deles. A minha mãe trabalhava. E como eu era mais velha, eu e o meu outro irmão que faleceu, era a gente quem assumia a maioria das coisas, de ir em busca das coisas, de levar os recados pra minha mãe, de cuidar de buscar remédio pros pequenos.


Até meus 17 anos eu era analfabeta, com 17 anos eu comecei a estudar a Carta de ABC. Eu sempre tive aquela curiosidade de conhecer o mundo, a cidade grande, as coisas diferentes, só pra quem não sabe ler isso era difícil. Fui pro Recife porque meus irmãos eram menores do que eu e na nossa região não tinha expectativa, muita gente dentro de casa. A gente não tinha como ter uma expectativa de estudar, de trabalhar pelo menos porque lá não tinha emprego, você trabalhava na roça, mas aquilo não era suficiente, então, alguém tem que conhecer o outro lado pra ver como é. No Recife foi onde eu aprendi, foi a base da minha vida porque lá eu fui pra casa da minha tia. No primeiro dia mesmo que eu fui no Recife, é tanta coisa pra você ver, tanta coisa pra você admirar, que parece que você está em outro planeta. Foi muito especial. Estudava à noite. Lá eu trabalhei em foto, eu saía vendendo poster na rua, trabalhei numa lanchonete de um hospital lá na Santa Casa. E no final, antes de eu vir pra cá [São Paulo], eu trabalhei numa loteria esportiva.


Mas quando eu tava lá, cada vez que eu ia no interior eu trazia um [irmão], o que acabou depois vindo todo mundo. Nesse meio tempo quando eu tava no Recife, minha mãe sofreu uma agressão muito séria. Porque lá no Nordeste tem muito capanga, fazendeiro e a minha mãe tinha um gênio muito forte. A gente tinha um sítio e a minha mãe não permitia que animal dos vizinhos ficasse no nosso, ou vice-versa. Então, tinha muita briga de vizinho por causa de terra, de animal que estragava a lavoura do outro. E na época mesmo eu não tava lá porque fazia um ano que eu tava no Recife, aí minha mãe sofreu uma agressão, ela ficou três meses no Hospital da Restauração. Ela levou 42 cortes de foice. Depois disso ela ainda viveu quase 20 anos, mas quando ela faleceu um braço dela não tinha movimento, era travado.


E foi por essa agressão que aconteceu com a minha mãe, sem ela trabalhando não dava pros meus irmãos ficarem lá, foi isso que fez eu vir pra cá [São Paulo] pra buscar emprego. Lá no Recife eu tava me arrumando, eu não ganhava muito, mas quando eles vieram pra lá, eu tive que vir pra cá porque o que eu ganhava não ia dar pra sustentar. Foi quando a gente vendeu as terras. E até mesmo a gente tinha que sair de lá porque a gente ficou com medo porque quem agrediu a minha mãe era capanga de um fazendeiro e tinha carta branca pra fazer o que eles tinham vontade.


No Recife eu fiquei quase dois anos, mas lá eu nunca consegui registrar a minha carteira. E desde a minha adolescência que o meu maior sonho era ter registro em carteira, eu não sabia nem como funcionava porque meus pais nunca descobriram como era isso, eles não sabiam o que era os direitos, os deveres de carteira registrada. E eu sempre tive um sonho de me aposentar, e isso eu realizei porque eu aposentei com 50 anos.


Meu primeiro emprego com registro em carteira foi numa cerâmica. E na cerâmica os pisos vinham lá dos fornos e a gente tinha que escolher o que tinha defeito e os que não tinham. Eles vinham quentes e a primeira coisa que me aconteceu: queimei toda minha barriga, caiu o couro mesmo. Foi uma coisa que eu aprendi porque a gente aprende muita coisa com o sofrimento. Depois que eu comecei a trabalhar eu fiz parte de Comissão de Fábrica, fiz parte de Sindicato. E aqui no Heliópolis foi onde eu superei todas e hoje o meu tempo eu dedico a buscar conhecimento, a buscar melhoria porque quando a gente não sabe de nossos direitos e dos nossos deveres a gente sofre muito. Porque quando não conhece você não tem como pedir ou como exigir seus direitos.


Depois eu entrei numa metalúrgica, lá pagava mais, a gente tinha mais benefício. Na época a gente não tinha nem cesta básica, mas tinha comida no local, então já economizava. Eu entrei na metalúrgica pra aumentar nossa renda porque a família tinha aumentado, vieram meu pai e meu irmão mais novo e ficou com a gente aqui por quase dois meses. Lá na metalúrgica foi onde eu conheci o pai dos meus filhos. Eu trabalhei com ele quase cinco anos, depois que eu saí da metalúrgica entrei em outra, trabalhei 14 anos em metalúrgica.


Em 90 foi quando eu saí da metalúrgica, porque quase todas as empresas fecharam. E eu costumo dizer com as meninas dos grupos quando a gente tem qualquer dificuldade, qualquer desafio, que todas dificuldades vêm pra você crescer. Quando eu saí da metalúrgica eu tive que trabalhar em casa de família, eu tive que ser empreendedora, comecei a vender Avon, Natura, lingerie. Trabalhava meio período como ajudante na Expresso Brasileiro porque meio período eu garantia meu registro em carteira e o outro tempo eu trabalhava como empreendedora. Descobri muita gente, aprendi a viver em comunidade, a vender, a cobrar, a perdoar.


Eu fiz um planejamento na minha vida que quando eu estivesse aposentada, eu teria que estar fazendo alguma atividade, aquilo que eu gosto de fazer. E meu planejamento é ser multiplicadora porque não adianta você aprender as coisas, fazer e você morrer e levar aquilo com você. Multiplicar meu conhecimento, minhas atividades, como foi que eu cheguei, as descobertas que eu tive, teria que passar isso pras outras pessoas. Durante a vida em Heliópolis, que praticamente sou fundadora, tive meus quatro filhos aqui, a gente teve muitas atividades. Nossa primeira busca foi por habitação, pra gente conseguir urbanizar. Depois a gente teve aquela mesma comissão de moradia, ir atrás de escola, de água, de luz. Eu sempre fiz parte de trabalho, porque dentro desses movimentos têm que ter o trabalho social, e é uma coisa que eu me identifico muito. Porque trabalha com toda a família, com toda a comunidade, não tem restrição de idade, nem de classe social. Eu fazia um trabalho socioeducativo que trabalha com toda família, criança, idoso, com todo mundo. Durante esse período vinha muita gente, tinha vez que eu fazia uma garrafa de café e em dois tempos acabava. Eu comprava pão, bolacha, juntava as coisas pra trazer, mas não dava muito. Eu pensava, se a gente soubesse fazer pão, bolo, seria melhor. Isso me despertou o interesse de trazer um projeto de Gastronomia. Eu conheci o Consulado através de pessoas de Heliópolis que conheciam as pessoas que trabalhavam lá.


Hoje eu tenho a Ambrosia Lanchonete e Restaurante. Ambrosia começou quando eu conheci o Consulado da Mulher. A gente faz comida pra uma escola particular. Isso foi o Prêmio do Ano que eu ganhei porque está dentro daquela escola é um presente. Ela é uma escola muito conceituada, de muitos valores porque dentro da escola você só tem a aprender. Tem pessoas falhas, que perfeição não tem, mas a gente tem muito a aprender e eu acho que eu ganhei o troféu de toda minha vida. Não sei se de lá vai sair outras coisas que já estão saindo. Mas pelo menos foi a superação porque quando eu pensava em aposentar eu queria fazer aquilo que eu gosto, eu fiz esse planejamento durante toda minha vida.


Eles [o Consulado da Mulher] assessoraram com forno de bolo, máquina de bater massa pra fazer pão. Trouxeram uns armários para guardar as coisas direitinho, que não tinha nada disso. Eles começaram a trazer demanda, inclusive eu fiquei um ano lá na Faculdade Cruzeiro do Sul, a gente fornecia doce pra cantina de lá. Começamos a fazer eventos lá.


Porque pra gente ser assessorado, fazer parte do Consulado, existe uma regra, em primeiro lugar é comprometimento. Responsabilidade de você estar nos lugares nos horários. As coisas com qualidade que é uma coisa que eu aprendi, minha maior dificuldade de passar pras outras pessoas, mas quem está dentro do Consulado tem que ter essa responsabilidade de qualidade. Porque não é só você fazer a comida, você tem que ter qualidade, tem que ser feito com higiene, com responsabilidade, tem que ter apresentação. É uma atividade que tem espaço pra todo mundo. Pra todas as competências, ninguém fica sem fazer nada. Da Contabilidade até limpar o chão.


Quando eu era criança o meu maior sonho era estudar. Mas eu não pude estudar na minha infância, na minha adolescência, mas eu acho que eu to aprendendo, e cada dia eu aprendo mais, o que eu preciso. Porque a gente não precisa de muito. E o Consulado tá sendo uma via de mão dupla, eu dou, mas também recebo, fazendo o que eu gosto, no tempo que dá, que eu posso me dividir. Em outros tempos eu não estaria aqui com vocês porque quando você marca cartão, quem decide o teu tempo é o patrão, agora não, eu posso cozinhar, eu posso limpar o chão, eu posso organizar, eu posso atender, eu posso servir, posso escutar e posso falar. E isso é o que mais me interessa. Não sei tudo porque tem muita coisa pra aprender, mas de tudo eu aprendi um pouco e essa oportunidade eu tive dentro do Consulado.


E tem coisas que se você não para pra falar, se alguém não te pergunta, se alguém não busca, você não tem essa oportunidade de parar e até lembrar.

Ver Tudo PDF do Depoimento Completo

Outras histórias


Ver todas


Rua Natingui, 1100 - São Paulo - CEP 05443-002 | tel +55 11 2144.7150 | cel +55 11 95652.4030 | fax +55 11 2144.7151 | portal@museudapessoa.net
Licença Creative Commons

Museu da Pessoa está licenciado com uma Licença
Creative Commons - Atribuição-Não Comercial - Compartilha Igual 4.0 Internacional

+