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História

Na época da carroça

História de: Rubens Romano Ramos
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 31/10/2016

Sinopse

Nessa entrevista, Rubinho nos conta sobre suas raízes portuguesas e o trabalho de carroceiro de seu avô, o primeiro de três gerações que viriam a se concentrar na Zona Cerealista, na área dos transportes. Em seguida, fala um pouco da história dessa região do Brás, e de como era feito a distribuição de alimentos do Brás para o resto de São Paulo, através de carroças. À essa altura, começa então a falar de sua infância na Zona Norte, e depois de sua juventude, em que frequentou e organizou diversos bailes. Então, Rubinho fala da passagem da carroça para o caminhão, fase em que ele mesmo começa no ramo dos transportes, cumprindo a tradição familiar. Após isso, conta sobre o cotidiano da Zona Cerealista, o seu casamento e causos acontecidos no comércio. Por fim, Rubinho reflete sobre sua família e seus sonhos para o futuro.

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História completa

Meu nome é Rubens Romano Ramos. A data de nascimento é 25 de janeiro de 1961 e eu nasci em São Paulo no Hospital do Parque Dom Pedro. Aqui no Brás, no Parque Dom Pedro aqui atrás. Meu pai chama Rubens Rodrigues Ramos. Ele é neto de português, mas nasceu aqui no Brasil. Meu avô era português. Ele não, nasceu aqui no Brasil. Eles vieram quando teve aquela imigração. O meu bisavô também veio com a família. E eles se estabeleceram, fizeram as casas na Vila Guilherme, que antigamente lá não existia o Center Norte, existia chácaras e lá eles fizeram, meu bisavô fez ali e a família foi ali. O meu avô veio de Portugal pra cá, foi quando eles começaram a fazer as coisas aqui – seu nome é Diamantino Moreira Ramos. Meu avô veio pra cá e começou nos transportes... antigamente era carroça que existia, não existia nada dessa avenida do Estado, existia só lá em cima onde é a Tiradentes. E a única rua que descia para o comércio da rua aqui debaixo era a Paula Souza. Então eles vinham com a carroça, carregavam a carroça aqui e levavam pros restaurantes que têm na São João, na avenida Ipiranga e assim foi. E o meu pai desde pequeno também socorreu com eles lá. Meu pai vinha, ajudava também. Meu avô começou, aí veio meu pai, ajudava e tal. Depois de tardezinha ia embora. Tinha o lugar onde os cavalos ficavam e tinha que cortar grama pra dar o capim pros cavalos, isso tudo. E nós parávamos os cavalos em casa. É como se fosse um sítio, vamos dizer, mesma coisa. Isso na Vila Guilherme. Não é bem Vila Guilherme, é Carandiru, ali tem Vila Guilherme e Carandiru. E vinham pra cá. Eles ficavam aqui normal, aqui era o ponto deles, o Brás. E antigamente onde tem o Largo do Coco tinha um cocho de cavalo ali, que era onde o cavalo bebia água. E do outro lado, onde vai ser o SESC, tinha outro cocho de cavalo. Então tinha dois pontos dos cavalos. E assim foi indo a geração. Meu pai também trabalhou, depois eles começaram a comprar outras coisas, foi quando meu avô comprou o primeiro caminhão a manivela e foi trabalhando. Meu pai já tinha idade suficiente pra dirigir. Eles iam pro Porto de Santos e traziam mercadoria de Santos pra cá. Só que eles iam pela Estrada Velha de Santos, entendeu? Isso contado pelo meu pai, eles iam com o carro lá, carregavam um pouco de mercadoria e subiam por lá, porque não existia nem Anchieta, nem nada, existia só a antiga Estrada da Serra de Santos (risos).Quando começou na carroça. E assim, pelo que eu sei que eles contaram, que o único lugar que tinha, é o que eu falei, subia pra Paula Souza pra fazer os restaurantes, que existiam os restaurantes lá no centro da cidade. E tinha alguma coisa. E assim foi progredindo. A Santa Rosa foi crescendo, eles também foram, aí foi essa evolução de vir com o caminhão e vai o caminhão.E eu comecei praticamente aqui de trabalhar mesmo com caminhão foi em 81, quando eu comprei o caminhão O meu avô, o meu pai, vamos dizer, quatro gerações, o meu bisavô que veio com as carroças, montado por eles, então eu sou praticamente a quarta geração da família trabalhando com transporte aqui na zona cerealista. E assim a gente está vivendo, é a vida da gente. É assim, é uma coisa da família que veio grande, quer dizer, bisavô, meu avô, meu pai e eu, estamos fazendo o final de uma família que começou aqui no Brás, na Santa Rosa, na época da carroça que a gente fala, né?

Eles ia pra Santa Rosa na carroça. Meu pai falava que todo mundo ia em cima da carroça, sentado, lá. Ou um ia pilotando, meu avô pilotava um e um dos filhos, que meu pai era o mais velho da família ficava com a outra parte da outra carroça e levava os irmãos. Agora na transição pra caminhão eu sei assim, da parte da manivela, de modo a dizer, quando teve os primeiros caminhões a manivela e depois que acabou a manivela e começaram a vir os motores já mais potentes eu lembro que foi 59. Foi quando meu pai pegou um caminhão a gasolina 59. Era o caminhão que carregava muito peso, seis mil quilos, eles foram os primeiros caminhões. Meu avô depois comprou mais dois pros outros filhos e assim foi, entendeu?Eu não sei o trâmite de quando ficou a carroça e quando começou já o caminhão, eu não tenho de cabeça. Era na frente do caminhão, é uma coisa antiga que você dava partida no caminhão assim, a manivela, isso é contado pelo meu pai e minha mãe, eu não cheguei a pegar também porque isso aí, eu nasci em 61 então meu pai já estava com o caminhão Ford a gasolina, já não tinha mais a manivela. A manivela foi uma parte, acredito eu que deve ter sido até 58, um pouquinho menos, entendeu? Então eu devo ter nascido na boleia do caminhão (risos), no mínimo, porque eles estavam sempre juntos.

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