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História

Nascido e criado no sítio

História de: Augusto Blaschi Neto
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 01/11/2014

Sinopse

Augusto Blaschi nasceu em São José do Rio Pardo e lá viveu até exatamente no mesmo lugar, no sítio da família. Ele conta um pouco como é a vida de um produtor rural que trabalha com a família para tirar o sustento de cada dia.

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História completa

Meu nome é Augusto Blaschi Neto. Nasci em São José do Rio Pardo mesmo, dia seis de maio de 67. Minha mãe é Maria Salomé Blaschi, e meu pai, Natalino Blaschi. Meu pai nasceu dia 25 de dezembro de 42. Minha mãe nasceu dia oito de outubro de 47. Eles estão vivos. Meu pai é lavrador, sempre foi. Ele trabalha até hoje, trabalha ainda. Minha mãe é do lar. A minha mãe, o pai dela era português, e da parte do meu pai, é tudo alemão, mãe, avó e avô. Tenho duas irmãs, a mais nova é Adriana de Fátima Blaschi; e a outra é a Aparecida, Aparecida Blaschi.

Vida no campo - Nasci e me criei aqui no sítio mesmo. A minha infância era muito boa, a gente brincava, juntava os primos em casa. E tinha o finado meu avô, que era vivo ainda. Brincava tudo em volta de casa. Era uma casa antiga, né? Não tinha forro de madeira, de nada, era só telhado mesmo. Casa grande, que morava, meu pai, minha mãe, meu tio, minha tia, meu vô, minha avó, moravam tudo junto ali. Tinha quatro primos e meu tio caçula que é irmão do meu pai. Sempre gostava, mesmo, era de um carrinhozinho, um carrinho de plástico, aí ia empurrando no terreiro, fazendo rastrinho na poeira. Às vezes, fazia algum de rodinha de sabugo. Pegava a tabuinha, cortava, fazia “carrinhozinho”. Que nem um de plástico que era mais bonitinho, sempre ganhava de parente vindo de São Paulo, assim, de fim de ano. O finado meu vô ia pra cidade fazer um negócio, vendia um queijinho, vendia verdura, e ia de carrocinha, e nós “ia” junto com ele. O burrinho ia puxando. Ia pra feira vender e tinha o mercado lá no Centro. Ia lá, vendia verdura lá, queijinho que fazia na semana. Fazia no sábado à tarde, no domingo e levava. Na época, tinha umas vaquinhas, tirava um leitinho, que eu vendia um queijinho. Plantava um pouquinho de cebola, muito pouquinho; mas, no intervalo de mexer com as vaquinhas, então plantava uma cebolinha. A gente fazia uma hortinha, vendia uma verdura. Era aos pouquinhos. O sustento tinha que sair dali mesmo, do leite, que vendia um queijinho, uma cebolinha que vendia, no fim do ano que plantava. Usava pra casa e vendia o que sobrava, vendia pra fazer um dinheirinho pra comprar as outras coisas, um macarrão, um sal, uma farinha.

Escola - Estudei até a quarta série. Eu estudei, comecei na Fazenda São Antônio, que é vizinha aqui. Fiz dois anos ali. Depois, passei pra cidade, na Escola Stella Couvert Ribeiro, bairro Santo Antônio. Eu fiz quatro anos. Repeti dois. Tava com doze anos, treze. Não gostava muito de estudar, não. Eu vim ajudar, comecei a trabalhar aqui no sítio. Antes ajudava um pouquinho já. Eu vinha da escola, fazia a lição, aí, eu fazia uma coisinha, regava uma hortinha, limpava um curralzinho, que tinha as vacas. Eu tinha ideia de sempre continuar trabalhando aqui. Nunca pensei em mudar de profissão.

O lazer - Em casa, tinha televisão. Os primos vinham de domingo, brincava no terreiro, ali. Aí, depois, de tarde ia embora, e eu ficava em casa. Até certa idade foi assim. Comecei a sair, ia pra praça com dezessete, dezoito anos. A praça tinha uma banda que tocava. Aí ficava andando em volta até lá pras nove horas, ia embora depois. Paquerava um pouquinho.

Casamento - A Silvana, minha mulher, ajudava a gente a colher o arroz, a gente colhia tudo manual. Cortava, depois passava na máquina pra debulhar ele. Ela veio ajudar, aí nos conhecemos. Eu tava com vinte anos. Conversei com ela, fui na casa dela e pedi pro pai dela, aí começamos a namorar. Namoramos quatro anos e casamos. Quando eu casei, morava na casa de baixo. Aí nós construímos outra, vai fazer dezoito anos já que nós passamos pra cá, e estamos aqui até hoje. Tenho um filho, Dimas. Ele ajuda um pouquinho, também continuou a profissão da família.

 

 

Atividade rural - Eu plantava uma cenoura, quinze, vinte toneladas por ano. Um pouco, de salsa, trinta o máximo, quando colhia bastante. Nessa época, tinha salsa, fazia três colheitas por plantação. Plantava ela em março, por aí, mais ou menos. Daí em 80 dias fazia uma colheita, daí 45 outra. E a terceira, daí 45 de novo. Aí parava, passava o trator, arrancava tudo, e plantava o milho. No verão, entrava com o milho pra descansar a terra e pra uso de casa mesmo, do gado, das criações. Engrenou, aí foi aumentando. Cada ano foi aumentando um pouquinho, um pouquinho. Todo ano aumentava. “Vamos plantar isso. Vamos plantar um pouquinho mais daquilo.” Eu passei a plantar o aipo, o alho-poró e o espinafre. De salsa, a gente tá produzindo 150, 180 toneladas por ano. Naquele tempo, nós usávamos tração animal pra fazer canteiro, arar a terra, riscar. Hoje nós temos um trator pra fazer. Tenho uma encanteiradeira que faz o canteiro, pica o terrão, fica certinho, lisinho. Tinha tempo de fazer tudo na enxada, quebrar os terrões, acertar, tudo tração animal. Então, aí foi uma mudança grande, no ano que comprou o trator já deu essa mudança, aumentou a produção. E a área plantada também aumentou. Antes, eu usava agrotóxico com a roupa normal, que nem eu tou aqui. Hoje, não! Hoje, tem o EPI (Equipamento de Proteção Individual) próprio pra passar o agrotóxico. A gente vem reduzindo os produtos, e também usando um pouco do produto biológico, um inseticida biológico. Também teve o trator, que eu tinha só um pequeno. Consegui comprar um maior, consegui comprar a colhedeira em sociedade, em três, nós conseguimos. Eu uso aqui, o outro usa, faz um giro. Quando eu preciso, eu vou buscar, outro precisa, ele vem buscar. Tem um responsável pra manutenção dela. A máquina reduziu mão de obra, né? Pra colher oito mil quilos de salsa, nós precisávamos de dezoito, vinte pessoas. Hoje, em quatro, nós fazemos. A gente pensa em melhorar, mais ainda.

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