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História

O bacalhau da Zona Cerealista

História de: Paulo Celso Theophilo
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 31/10/2016

Sinopse

Em sua entrevista, Paulo Theophilo fala da sua família polignanesa e da trajetória de seu pai, Batista, na Zona Cerealista. Em seguida, fala de sua infância passada no Brás, suas brincadeiras e diversões. Paulada fala também de Copa do Mundo, do Moinho Matarazzo, enchentes na região e sobre a sua entrada no comércio, ajudado pela família Tucci e José Luiz Paixão. Adiante, fala de sua paixão por futebol, seus jogos na várzea e sua especialização em comércio de bacalhau.

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História completa

Eu peguei a enchente de 66 e eu tava indo para 11 anos de idade. Meu pai ficou preso lá na Santa Filomena, deu cinco metros de água! Eu tava em casa. Mas a gente saía, tinha que sair, em casa nunca tinha entrado água e entrou água… tinham uns quatro ou cinco degraus, pegou até o terceiro degrau ou seja, para o meu tamanho, era até a cintura. Na minha casa. Não chegou a entrar dentro da minha casa porque tinham esses degraus, depois da reforma que ele fez. Se fosse antes, tinha um porão embaixo, ia dar… ia ser horrível o negócio. Foi uma das maiores tristezas que eu vi na Zona Cerealista foi a enchente de 66.

Meu pai tava tranquilo, eles estavam presos lá dentro do armazém deles, lá, mas tinham umas compotas que seguravam tudo e tal e eles comiam o que tinha lá dentro. lá tinha pêssego em calda, então, não tinha como abrir, os caras abriam com pedaço de pau, faziam alguma coisa. Na fome, você come qualquer coisa. Eu acho que foram umas 48 horas que eles ficaram lá presos. Acho que foi mais ou menos isso, foram dois dias, mas dois dias de terror, né, que você não sabe o que acontece pra lá e pra cá,. né? Você não sabe o que tá l, o que tá aqui, não funcionava telefone, nem a luz, vela, pô, vela ascendia e pum, apagava, ascende outra vez, ficava com o toco na mão, qualquer coisa, põe essa aí, já eram duas, porque se você põe só aquele toco e a outra, queimava aqui embaixo e… então, você punha para tentar iluminar alguma coisa.

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