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O bicho da minha unha e a vontade de coçar

História de: Frederico Augusto do Nascimento
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 22/02/2019

Sinopse

Frederico ficava com sua camiseta suja de sangue por causa da dermatite atópica. Sentia uma coceira incontrolável, que resultava em manchas de sangue na roupa. Até encontrar uma saída, foram várias tentativas de tratamento. Dores, desafios e o desejo de ficar bem.

História completa

A minha história é bastante interessante. Não acho que ela seja uma história comum. O que eu queria deixar registrado é o processo de aprendizagem que eu vivo. De ser um eterno insatisfeito, do ponto de vista de sempre querer aprender mais e sempre buscar mais. Ao mesmo tempo, sou muito grato pela família que eu construí até esse momento.

 

Desde que me recordo, eu tenho dermatite atópica. Ela, de uma certa forma, sempre esteve presente na minha infância, juventude e agora, enquanto sou adulto. Foram picos: já teve momentos bons, já teve momentos ruins.


Além da dermatite atópica, também me recordo muito dos problemas pulmonares que eu tinha, principalmente asma.

 

Quando eu era criança, guardo uma passagem muito forte da época: nós fomos ao médico pediatra, logo após o falecimento do meu pai. Eu estava com os meus pulmões bastante carregados de secreção. E o médico, naquele momento, falou assim: “Nós temos dois caminhos. Um é ele tomar essa batelada de remédio aqui. . O outro caminho é operar para fazer uma raspagem”. Minha mãe ficou bastante tensa nesse momento, porque era uma coisa muito invasiva e muito tensa para uma criança passar. Tomei muito remédio para ver se desinflamava e tirava toda secreção.

 

Conseguimos vencer a batalha, mas até os 18 anos, eu vivi muito com bombinha, com muito remédio, muitas idas e vindas ao médico. Além disso, também tinha a alergia de pele, que chegava ao ponto de me machucar, de ficar bem machucado.

 

A parte pulmonar curou. Eu não sentia mais falta de ar, não sentia mais peso nenhum e foi uma fase boa. Dos 18 até trinta e tantos altos, a parte pulmonar ficou bastante adormecida. Talvez em uma época ou outra, eu sentia um peso, mudança de tempo. Mas, como eu já sabia os medicamentos que usava, eu ia lá, me automedicava e controlava.

 

Mas, nessa fase, tenho forte a recordação que eu me coçava tanto que minha camisa ficava parecendo que eu tinha levado uma metralhada.

 

Eu chegava ao trabalho com uma camisa clara. Quando eu ia embora, no final do dia, ela estava inteira com as manchas de sangue, tudo aparecendo nas camisas, na perna e tudo mais. Foi um momento bastante severo da dermatite atópica.

 

As pessoas perguntavam, eu respondia. Eu nunca me senti mal de perguntarem: “Ah, por que você está com a camiseta assim?” “Porque eu cocei.” “E por que você coçou?” “Porque deu vontade, não consegui segurar” Mas nunca fiquei incomodado. De um tempo para cá, eu comecei a ficar um pouco mais incomodado, porque eu pensei: “Poxa, 42 anos e continuo com isso?”. Então, às vezes, colocar uma bermuda e sair com a perna toda machucada começou a me incomodar um pouco. Mas, fora isso, nunca tive grandes problemas. Há quem olha e fala: “Nossa, que bicho que te picou?”, daí eu respondo: “O bicho da minha unha, que é a vontade de coçar”.

 

Mas essa fase foi interessante porque foi justo a época que eu me mudei para a região de Sorocaba, por conta de uma proposta de trabalho. Eu continuava tendo essa alergia. Um belo dia, alguém me indicou um médico da região. Foi com ele que comecei a ter um tratamento que desse resultado. Passei um período de perrengue, mas controlamos a dermatite. De uns tempos para cá, ela vai e volta.


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