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História

O caminho de volta

História de: Luiz William Labate Galluzzi
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 30/10/2016

Sinopse

Nesta entrevista, Luiz Galluzzi conta sobre sua ascendência baresa e fala sobre sua experiência com a cidade de Polignano a Mare. Em seguida, ouvimos a respeito de sua infância nas ruas da Zona Cerealista, onde jogou muita bola e aprendeu coisas valiosas sobre a vida, como o valor da amizade, da família e do comércio. Depois, nos conta da sua mudança para longe do Brás, a escola Bandeirantes e sua passagem pela PUC no curso de Administração. Então, Luiz fala de seu início no comércio atacadista como importador da Reluma, quando dos seus 19 anos. A partir daqui, discorre sobre as fases do comércio cerealista do Brás, as agruras dos tempos da inflação e das leis federais, além da modernização do comércio e dos produtos. Por fim, conta os seus sonhos e faz previsões à respeito do futuro da Zona Cerealista.

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História completa

Polignano pra mim é uma segunda pátria, não é nem uma cidade, é um país pra mim. Já fui lá algumas vezes, me sinto muito à vontade lá, é como se fosse a extensão da minha casa, conheci muitas pessoas ao longo do tempo São Vito é o padroeiro da cidade. Lá se festeja em 15 de junho, aqui também, e quando os imigrantes italianos vieram para São Paulo, se eu não me engano a primeira imagem de São Vito no Brasil quem trouxe foi o avô do Modesto de Luca, porque como tinha aqui a colônia polignanesa já era muito grande, eles trouxeram junto com eles seus hábitos. E São Vito foi um dos hábitos que eles trouxeram, fazia parte da proteção, da crendice deles, da fé, que se comemora dia 15 de junho. Se comemora até hoje, hoje como eu disse, no Brasil, em Polignano existem 17 mil e 500 polignaneses. No Brasil hoje, com a geração que teve os filhos, tiveram os netos, agora começam os bisnetos, São Paulo tem mais de 100 mil. São Paulo é a cidade que tem mais polignaneses do mundo. E tem muitas das crenças no Brasil, muitas das coisas que eles trouxeram, não só da igreja, da festa de São Vito, como de culinária também. Muitas vezes você lá aprende a simplicidade dos alimentos e a simplicidade da amizade. São casas pequenininhas, ruas pequenas, que ficam em cima de um penhasco porque existia a invasão dos piratas e aí sim você era protegido. E como é uma cidade que se come bem, os restaurantes, trattorias, pizzarias, sorveterias, sempre tem um movimento turístico, mesmo no fim de semana de inverno. Então você consegue ver um lado teu, um espelho teu lá, que você desconhecia. Uma cidade que sempre me acolheu muito bem, muito. Tanto que eu aprendi a amá-la, é um lugar que eu ainda penso um dia em morar, construímos lá um lugar que dá pra dormir pra não dar trabalho pra ninguém porque hoje os tios começaram a ficar velhos, os primos crescem, casam, tem filhos, então pra ter mais um pouco a nossa individualidade fizemos um cantinho nosso lá. E fiz graças à Zona Cerealista, que também aqui eu trabalhei e me deu condições de fazer alguma coisa na vida, crescer na vida. E é uma história muito louca porque você vê um pai que vem de lá pra cá sem nada, com uma mão na frente e outra atrás, se mata de trabalhar aqui em São Paulo, chega a trabalhar como funcionário no começo, funcionário de confiança dos _0:13:26_, uma família também tradicional na época. E ele trabalhou feito louco, que economizava o dinheiro de um bonde pra guardar o dinheiro, começar a vender caneta pros clientes que ele visitava pra ganhar mais um trocado. De todo esse trocado que ele ganhava, metade ele mandava pra minha avó pra ajudar e a outra metade guardava pra ele, pro futuro dele. E aí ele casou, conseguiu abrir a empresa dele, me deu estudo completo. Acho que é uma história vitoriosa, não por ser meu pai que tem mais um monte de pessoas que eu posso citar os nomes e que tiveram o mesmo tipo de história, que venceram pela necessidade, venceram: “Não vou deixar meu país natal, meus amigos e minha família pra vir aqui passear”. Então acho que isso é uma coisa importante. E hoje, graças a Deus, eu tenho a oportunidade, se eu quiser, de fazer o caminho inverso, com uma outra estrutura, melhor do que quando ele veio, então isso é uma coisa muito gratificante. E isso eu devo ao Brás, o Brás nos permitiu, o Brás e nossos esforços.

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