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História

O casamento entre o arroz e o feijão

História de: Antonio Favano Neto
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 31/10/2016

Sinopse

Antonio Favano nos conta, primeiramente, à respeito de suas origens espanholas e italianas e a imigração de seus pais para o Brasil. Em seguida, fala do negócio de cavalos que seu pai fundou no Alto da Mooca, o que deu fama à família na região. Depois, fala sobre a vida na Mooca, a construção do bairro, suas lembranças da escola e sobre jogar futebol na rua. Adiante, fala sobre a origem da Rua Santa Rosa, dos trens da região e sua conexão especial com o comércio do feijão, no qual é um dos maiores especialistas. Então, Favano nos fala da mudança do perfil de comércio da região, sobre a ascensão dos supermercados e o declínio da Zona Cerealista. Nesta parte, fala de sua ligação com a Bolsa de Cereais de São Paulo e da importância do SAGASP para o comércio atacadista. Concluindo a entrevista, Favano fala de suas projeções para o futuro do Brás e da região da Zona Cerealista, além de seus sonhos para seu futuro.

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História completa

Você imagina que do lado da Santa Rosa, onde hoje é a rua Américo Brasiliense, era o depósito de carvão coque da companhia inglesa, que descarregava o coque que vinha de Santos e do Largo do Pari até a Companhia de Gás na rua do Gasômetro, por isso que chama gasômetro, tinha um trenzinho que eram seis vagões, uma locomotiva pequenininha que saía carregada de carvão e vinha no gasômetro. Ele encostava. Então esse trenzinho tinha locomotiva, que era pequena, a locomotiva e seis vagões. Ele encostava no gasômetro, parava, tinha uns ganchos que pegavam ele aqui e naquela época virava os seis vagões de uma vez numa gremalheira pra produzir o gás de São Paulo. E por incrível que pareça, nas bocas de lobo em volta saía o gás, perigosíssimo, você passava na Santa Rosa, na rua do Gasômetro, na rua da Figueira, saía o gás da produção de gás. E você vai estranhar, as mulheres levavam as crianças pra respirarem esse gás que diziam que fazia bem pros pulmões. É um veneno e levava, era comum levar lá. Essa era a companhia de gás e esse trenzinho da Santa Rosa ficou muitos anos transportando. Quando os caminhões começaram a aumentar de tamanho paravam nos armazéns da Santa Rosa e o trenzinho não podia passar. os trenzinhos pararam e esse transporte começou a ser feito com caminhão, que foi aberta a rua Mendes Caldeira pra pegar por trás a Monsenhor Andrade pra descarregar no Gasômetro. Inclusive foi um problema pro bairro porque os trens dos ingleses sempre foram perfeitos, podem falar o que quiser, quando saíam do gasômetro os trens saíam cobertos e os caminhões não. Então se tornou um problema pro bairro inteiro que se transformou num tremendo aquele transporte dos caminhões com o carvão.O motivo do arroz e o feijão ser a base da alimentação brasileira tem uma parte de sabedoria popular. O casamento do arroz e feijão, que o arroz é um cereal e o feijão não é cereal, é uma leguminosa, é o único casamento no mundo de que a dona de casa de manhã faz o arroz e feijão pro almoço dos filhos e faz a mais pra jantar do marido, pra família, e na hora da janta ela pega a marmita do marido, lava, pega o arroz que ela fez de manhã e o feijão, põe na marmita, frita um bife e um ovo, põe dentro, fecha a marmita. O marido leva pro serviço sem geladeira, esquenta e está bom. Então naquele tempo não tinha geladeira, qualquer outra mistura que você fizesse, arroz e lentilha, arroz e grão de bico, arroz e qualquer outra coisa, em 12 horas no verão você ir pra roça ou ir pra tua fábrica e esquentar a marmita está estragado. O arroz e feijão, um bife e um ovo frito sem geladeira, põe na marmita, à noite dorme, leva pro teu serviço, na hora do almoço esquenta, pode comer que está bom. O brasileiro não aprendeu a comer arroz e feijão por isso ou por aquilo, é porque não estragava e naquele tempo não tinha geladeira. Então qualquer marmita que você levasse, qualquer uma, se você pegar arroz, feijão e frango ela estragava. Você põe arroz e lentilha, estraga. O arroz e feijão até hoje, quem está no sertão e tudo o mais, põe arroz, feijão, um bife, farinha de mandioca, 24 horas pode comer que está bom. Este é o motivo do arroz e feijão.

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