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História

O desenvolvimento humano pelo esporte

História de: Paula Korsakas
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 17/09/2015

Sinopse

Neste depoimento, Paula nos conta a respeito de sua família, seus irmãos, pais e infância na zona leste de São Paulo. Depois, traz suas experiências na escola e relata o encontro com o basquete através de um grupo de mulheres. Fala também de sua entrada na EEFE/USP, onde disputou vários torneios no esporte universitário. Paula nos conta sobre seu mestrado e a entrada no Projeto Esporte Talento em 1995. A partir daí, nos descreve o projeto, seus objetivos e mudanças ao longo de vinte anos, culminando na criação do Programa de Desenvolvimento Humano pelo Esporte. Por fim, fala sobre seu atual papel de disseminação da metodologia do programa através da REMS e do Ministério do Esporte. Além disso, nos traz outras histórias, como a de sua viagem à Europa com sua mãe, seu casamento com José Anibal e a experiência de ser mãe.

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História completa

Meu nome é Paula Korsakas, nasci na cidade de São Paulo, no dia 29 de fevereiro de 76, numa madrugada de carnaval. Meus pais são Roberto José Korsakas e Ruth de Freitas Korsakas. Bom, meu pai é um microempresário, corretor de seguros, tem uma empresa de seguros, sempre sonhou que um dos filhos assumisse isso, mas nunca, infelizmente, nenhum dele, nem eu bancou essa pra ele, mas ele é um cara que tá aí, com 70 anos, desde que eu sou adolescente, ele diz que vai se aposentar, mas nunca parou e acho que não para, tá extremamente ativo. É um avô incrível com os netos, ele é lindão. E a minha mãe já faleceu e eu sempre choro, não tem como, morro de saudades. Ela foi uma mulher incrível, foi com ela que eu comecei a jogar basquete, nós duas aprendemos a jogar basquete juntas e é muito louco, porque o basquete fez toda a diferença na minha vida, desde então, uma mulher extremamente justa, sem precisar estudar ou refletir sobre as coisas do mundo, sempre foi muito… eu sou de uma família que tem duas meninas e um menino, tenho dois irmãos (pausa) e ela sempre foi muito igualitária dentro de casa Bom, eu sou a filha do meio, tenho uma irmã mais velha de um ano e dois meses de diferença e um irmão mais novo. A gente se ama e se odeia, como toda família de três irmãos. Karen Korsakas é a minha irmã mais velha e o André Roberto Korsakas é o meu irmão mais novo. A gente sempre jogou vôlei na praia, nas férias, tinha a turma do… enfim, vôlei era o barato, na escola, o vôlei era o barato, na escola, a gente, além de jogar, dentro das aulas de Educação Física, a gente se organizava quando ginásio e íamos para a rua de alguém, montava a rede e jogava, meninos e meninas, né, era uma prática mais democrática, então, o lance era o voleibol. E eu cheguei, a gente foi se matricular nesse programa da ACM certo de que era ginástica e voleibol e quando eu entro na quadra, basquete, falei: “Poxa, é basquete? A única coisa que eu nãos ei jogar e é chato, que jogo desinteressante”. E aí foi a coisa mais incrível que eu pude experimentar no esporte na vida, que era uma turma só de mulheres, tinha mulheres… minha mãe, na época, tinha… eu tinha 14, minha mãe devia ter os seus 40 anos, praticamente a minha idade hoje, jogava vôlei com a gente também, já tinha jogado tênis, minha mãe tinha experiência esportiva, mas absolutamente, amadora de praticar, não de competir, né? E aí, tinham senhoras de 60, 70 anos, então eram mulheres das mais variadas idades que jogavam basquete e um basquete incrível, assim, ninguém era super atleta e eu aprendi a jogar basquete sozinha, com essas mulheres, né, então foi uma experiência assim, magica e aí o meu irmão vem atrás da gente. Meu irmão começa a jogar basquete, o que acaba acontecendo nesse grupo, eu era a única menina com 14 anos, ali e aí, começa a aparecer mais uma, mais uma e rolou um lance bacana daquele momento de juntar… e a gente forma uma equipe de basquetebol da ACM de meninas mais jovens para competir em jogos assemistas, a gente acaba indo para jogos regionais por conta disso, meu irmão acaba formando um grupo também e começa… então, começa um movimento de basquetebol dentro daquela ACM por conta do acaso de eu tropeçar e ao invés de achar o vôlei, achar o basquetebol. Do vestibular eu lembro, cara… eu não sei se talvez pelo curso que eu escolhi não ser tão concorrido, mas nunca foi uma coisa que me apavorava. Eu lembro que na véspera… eu fiz primeira fase, fui super bem, eu lembro da segunda fase que sempre era no comecinho de janeiro, então a gente foi viajar, natal, Ano Novo e eu levar coisas… eu lembro desse porre, nas férias tem que estudar. Ah, tempos bons, também, a universidade. Cara, foram bons tempos, grandes amigos, nunca tive dúvida da escolha que eu fiz, profissionalmente, né, me envolvi com o Projeto Esporte e Talento já no segundo ano, por conta do basquete, porque eu entrei, jogava basquete pela faculdade, então a gente cria esses grupos de afinidade dentro da turma da sala e mesmo, com a turma da faculdade e aí, no segundo ano: “estamos procurando estagiários de basquetebol para um projeto que vaio começar de iniciação esportiva, tem interesse?”, e aí, desde o segundo ano, me envolvi com o Esporte e Talento. Então, o PRODHE aparece um pouquinho depois da criação do Esporte e Talento, que é em 95, assim que o Instituto é fundado, depois da morte do Ayrton Senna, a primeira iniciativa do Instituto é criar o projeto aqui na USP e acho que já devem ter contado porque, né, já deve ter aparecido em outras falas e um pouquinho depois, vislumbram a possibilidade de ampliar essa ação no Brasil e dentro de universidades, né, acho que esse é um ponto interessante e que favoreceu, de alguma maneira, o impacto que ele vai gerar um pouco mais pra frente. Então, ele começa a se construir dentro de universidades, com parcerias, com as escolas de Educação Física que já tinham ou não algum projeto de esporte para as crianças e ao mesmo tempo que ele vai se expandindo, ele também vai se qualificando, ele vai buscando construir a sua identidade enquanto um programa de esporte que vai além daquilo que a gente fazia no Esporte e Talento. Então, a gente ganha a oportunidade de propor novos projetos, novas formas de se organizar dentro do nosso projeto e o Instituto Ayrton Senna banca isso, de… a gente sempre teve essa… acho que como a gente tava sempre mudando alguma coisa, então sempre teve esse dialogo bem bacana toda vez que a gente ia renovar o convenio com o Instituto e aí, eu vislumbrava essa possibilidade da gente pensar num grupo que viesse antes das modalidades, antes dos dez anos, exatamente, para romper com essa lógica da especialização esportiva que acaba sendo muito precoce dentro do nosso projeto e tinha um outro grupo que também achava que a gente podia pensar no ir além, então não só além do esporte, mas de organizar equipes mais competitivas, que as crianças, que os adolescentes, no caso, tivessem oportunidades de sair, competir num nível mais de federação, né, pensando mesmo no processo continuado de formação de atletas Ficar grávida e ser mãe foi a experiência mais incrível que eu tive na vida. Eu tenho dois pequenos que já… eles já estão grandes, mas eles continuam pequenos, né, falo assim: “Vocês estão tão grandes, para de crescer”, mas são tão minúsculos, né? Que são Emanuel, que vai fazer nove anos daqui a alguns meses e a Luiza que já tem seis e meio. O Emanuel, ele foi gerado no meio desse turbilhão, numa fase muito linda assim, do Projeto Esporte e Talento, que foi quando a gente tava disseminando tudo, né, então o momento de ampliação do programa para 15 universidades acontece justamente… eu fico grávida nessa época e tenho o privilegio de conseguir participar disso. Se eu não tivesse aqui contando a história, talvez, eu não conseguisse olhar para esse percurso, como eu tô olhando hoje, né, acho que nos implica a parar mesmo e: ‘não é que isso foi acertado? Poxa, não foi uma bobagem, né’, e de que o processo não acabou, né, que esse é só mais um capitulo da história, só uma forma da gente ter um marco temporal de um caminho longo, mas que ainda tem bastante pela frente.

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