Busca avançada



Criar

História

O nosso amor a gente inventa

História de: Mayara Rocha
Autor: Mayara Rocha
Publicado em: 05/05/2015

Sinopse

A história de um amor com prazo de validade.

Tags

História completa

Tudo começou no meu Ensino Médio, para ser mais exata em 2009. Lembro-me que tudo era novidade naqueles tempos, colégio novo, colegas de classe e professores novos. Eu ia para o colégio com minhas duas amigas, que já haviam estudado comigo no Ensino Fundamental e felizmente Deus atendeu nossa orações e colocou-nos na mesma sala para estudarmos juntas. As semanas passaram e começamos a interagir e criar novas amizades e construir as famosas “panelinhas de amigos” e eu e minhas amigas fizemos amizade com um casal de irmãos que tinham vindo do Rio de Janeiro para morar aqui em Curitiba. A menina era loira de olhos claros e super tímida. Já o menino...bom, esse é o personagem principal da minha história. Extremamente inteligente e carismático, era loiro com os olhos um pouco mais escuros que de sua irmã, mas ainda sim com um tom claro, alto, possuía porte físico mais desenvolvido que os outros meninos que estudavam no colégio naquele ano.

Era incrível a forma como ele conseguia prender a atenção de todos, não havia assunto que ele não soubesse, não existia piadas mais engraçadas que a dele, não havia matéria na qual ele tirasse nota baixa, além das suas conversas sempre serem engraçadas e interessantes, seu nome é Leonardo. Ele morava perto da minha casa então começamos a voltar juntos, eu, ele, minhas amigas e a irmã dele.

Com o passar do semestre minha convivência com o Léo começou a ser maior e é lógico, comecei a me interessar por ele, muito mais do que eu realmente queria, mas apesar da aproximação, éramos só amigos. Todos os dias chegava em casa e relatava meu dia para minha irmã e minha melhor amiga, que dizia: - "Minha nossa, a cada 10 histórias que você conta 11 tem o nome desse menino no meio!" E era engraçado porque para mim ele era perfeito!

O tempo passou, comecei a observar que o interesse já não estava partindo só de mim, a forma como ele me olhava era diferente, as piadas se tornavam-se “cantadinhas” e a maneira que conversava comigo era mais íntima. Até que um dia o mais provável para esta história aconteceu: ficamos juntos e logo após um namoro que, para minha surpresa, tinha prazo de validade.

Assim como disse no começo da história, ele tinha vindo do Rio de Janeiro para morar pra cá com sua família, e depois de um tempo a família estava pensando em voltar para cidade de onde vieram, pois a vida em Curitiba não estava sendo como eles esperavam. Ele sempre me alertava, que o que estávamos vivendo iria ser interrompido, pois a qualquer momento teria que voltar para o RJ, mais eu, cegamente apaixonada e iludida me negava a acreditar, até porque essa volta para o Rio sempre era adiada. Depois de um tempo, vi que a coisa era séria e quis terminar o namoro e deixar o meu caminho e o dele livre para cada um viver sua vida, mas ele não aceitou. Decidimos então que iriamos viver nossos momentos juntos e aproveitar cada minuto.

A cada dia que passava ele me surpreendia com declarações de amor, prometendo que iríamos ter um namoro, mesmo a distância, dizendo que nada iria mudar, que se fosse preciso viria me buscar e me fazia acreditar que eu era a única em sua vida, e que precisávamos inventar ou até reinventar um amor que iria perdurar por toda eternidade, pelo menos em nossos corações. Passaram-se dois anos e o dia dele partir havia chegado. Fui até o aeroporto com ele, minha tristeza foi imensa, nem consigo descrever o que eu sentia naquele momento. No portão de embarque ele me soltou de seus abraços e disse: "Eu te amo, não se esqueça de mim". Virou as costas e embarcou. A partir dai, me afoguei em um poço de lágrimas, sentia-me incompleta, sofria com a falta que ele me fazia. Mas o namoro, mesmo a distância, ainda continuou. Vinha para Curitiba me ver duas vezes durante o ano que, no caso durante as férias, ou quando havia um feriado prolongado.

Passaram-se meses, ele começou a conhecer pessoas novas no bairro pra onde tinha se mudado no Rio de Janeiro, novas amizades, encontros e festas com as novas “amigas”. A ausência dele me fazia pensar coisas e perceber atitudes que nunca tinha me atentado antes, diversas situações que me causavam ciúmes, mesmo com ele a quilômetros de distância. E a cada dia que se passava, Leonardo ficava mais indiferente, já não atendia a todas as ligações, não respondia minhas mensagens, não era mais romântico, e cada vez mais frio. Até que as mentiras começaram a ser reveladas. Idas a festas das quais não tinha me avisado que iria, conversas íntimas demais com suas amigas entre outras enganações.

Enfim descobri a traição. Foi de longe a maior decepção da minha vida até o momento. Não tive explicações que me convencessem, sequer um pedido de desculpa, apenas um “Foi mal”, depois de tudo. Agora imaginem, se só pela distância eu já sofria horrores, pensem agora com essa traição? Como canta Maysa Matarazzo: MEU MUNDO CAIU (risos). Seria cômico se não fosse trágico. Sofri por meses, a angústia era tanta que emagreci 7kg, não conseguia me alimentar e nem dormir. Me isolei do mundo, não saía mais com meus amigos, não conseguia me concentrar nos estudos, passava dias e noites chorando, inconsolável. Pode parecer loucura, mais eu achava que ia morrer de tanta dor e sofrimento que meu coração sentia.

Felizmente como ninguém morre de amor, me recuperei. Já se passaram cinco anos desde o dia que prometi a mim que não iria mais chorar, e três anos da última vez que falei com Leonardo. Comecei a entender que não podemos viver sempre a espera de um novo amor, a outras coisas a se importar em nosso caminho.

Sei que não me pediu perdão Léo, mas eu te perdoo mesmo lembrando de todo o mal que me fez.

Deixo aqui, um trecho da música que há tempos, acreditava ser o tema de toda essa história: "O teu amor é uma mentira que a minha vaidade quer. E o meu, poesia de cego, você não pode ver! Não pode ver que no meu mundo um troço qualquer morreu, num corte lento e profundo entre você e eu. O nosso amor a gente inventa, pra se distrair e quando acaba, a gente pensa, que ele nunca existiu".

Ver Tudo

Outras histórias


Ver todas


Rua Natingui, 1100 - São Paulo - CEP 05443-002 | tel +55 11 2144.7150 | cel +55 11 95652.4030 | fax +55 11 2144.7151 | portal@museudapessoa.net
Licença Creative Commons

Museu da Pessoa está licenciado com uma Licença
Creative Commons - Atribuição-Não Comercial - Compartilha Igual 4.0 Internacional

+