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História

Pedalando os sonhos

História de: Ana Lucia Gomes de Oliveira Silva
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 17/10/2013

Sinopse

A entrevista de Ana Lucia Gomes de Oliveira Silva foi gravada pelo Programa Conte Sua História no dia 25 de julho de 2013 no estúdio do Museu da Pessoa, e faz parte do projeto "Aproximando Pessoas - Conte Sua História". O depoimento de Ana Lucia começa com sua infância e educação escolar, que tem maior concentração na sua educação artística como bailarina. No período da adolescência atuou como bailarina e depois se casou abandonando a atividade física. No último ano começou um empreendimento próprio, que desenvolveu junto com a filha: Uma loja de produtos eróticos e ainda aulas de pompoarismo e strip tease, além de tudo que envolve a sensualidade e o bem estar da relação sexual.

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História completa

Então, o meu pai é de Itatiba, ele teve mais nove ou dez irmãos, que a mãe dele casou-se com uma pessoa 20 anos mais velha, de um casamento. Só que a diferença de idade era muito grande, os irmãos perderam-se, separaram-se e aí sobrou basicamente minha tia, irmã dele mais velha, que cuidou dos últimos três irmãos pequenos.

A minha mãe foi criada em um colégio interno e o pai dela na época teve lepra e aí ficou internado, faleceu na faixa dos 40 e poucos anos e um hospital bem distante e minha avó fazia chapéus ali na Liberdade, costurava chapéus. E aí criou a minha mãe e um irmão, mas os dois em colégio interno. Só que meu tio não passou de dois anos porque ele era muito sapeca e foi expulso, minha mãe ficou de criancinha até completar 18 anos. Aí aprendeu a profissão de costureira e aí trabalhou com isso. Minha mãe não me deixava muito ficar na rua sozinha, porque desde essa época, sete, oito anos, eu já comecei no balé, e ela tinha uma preocupação muito grande de que eu ficasse na rua, sem atividade.

Então tinha que ir para a escola, depois tinha as aulas de balé. Mas o tempo que eu ficava e podia brincar, a gente brinca muito de mãe da rua, queimada, minha mãe brincava junto nessa época, andava-se de bicicleta, era gostoso. Bicicleta basicamente só eu que tive no começo, depois é que as outras crianças foram tendo. E aí nessa época já com sete, oito anos, meu pai começou a trabalhar na Vasp, então também era um diferencial porque o avião fazia a rotina de viagem e sobrava o lanche, que na época era pão, misto frio, queijo, presunto e quase ninguém tinha isso. Então ele trazia, recolhia, pedia para as comissárias e elas traziam. Meu pai sempre teve esse hábito. Então eu costumava ter esse tipo de lanche ou a tarde, ou de manhã e com guaraná ainda, que também era uma coisa muito difícil, ninguém quase tomava. Então eu era rica e não sabia na época.

Então assim, muitas crianças, às vezes mais velhas que eu, adoravam brincar comigo porque na hora do lanche tinham essas coisas que quase ninguém mais tinha. E por eu ser talvez filha única na época, era mais fácil da mãe e o pai trabalhando poder fazer essas coisas, trazer lanches diferenciados, caixas de bombom. Eu tinha vários amigos interesseiros, mas eu tinha bastante amigos.

O meu primeiro amor foi com quem eu estou casada até hoje, 30 anos de casado. Comecei a namorar, o povo até brincava, “Você não vai casar”, porque eu brinquei de casinha até os 16 anos. Conheci ele em um aniversário de uma amiga de 15 anos, que eu fui dançar a valsa, ele se interessou, me deu telefone, ele já trabalhava, até então eu não tinha trabalhado assim registrado, não fazia nada, a não ser dar as aulas, mas era uma coisa mais informal. E aí ele me ligou para a gente passear. E aí ele vinha em casa, “Ah, eu vou aí esse final de semana”, só que eu sempre estava na vizinha brincando de bola, brincando de casinha. E aí depois de um mês a minha mãe que me deu uma bronca, falou: “Oh, estou cansada de tomar café com o rapaz, então você para de ficar, então você vem namorar”. Mas eu realmente não tinha muito essa noção, esse compromisso, eu largava ele lá e ia brincar.

Em 84, já formada pela Escola Municipal de Bailados, eu prestei o vestibular e passei, aí eu fiz a Educação Física. Só que eu entrei em 84, minha filha nasceu em novembro de 84. Terminei, então esse ano fiquei com algumas DPs, porque estava o começo de gestação, perdi algumas provas, só que aí em 85 eu voltei. O meu outro filho nasceu em 86, então eu já estava grávida de novo e aí o terceiro ano foi levando criança, eu estudava lá na UMC Mogi, morava em Itaquera, mas aí com duas crianças eu acabei desistindo de ir para a faculdade, porque uma ainda até que dava, mas duas, a menina já andava, já tinha um ano e pouco, aí e eu não terminei. Mas sempre gostei de estudar e aí continuei fazendo cursos, frequentando academias e como eles faziam natação, eu fazia hidro. Aí quando coloquei eles no Sesc, eles tinham atividade, eu fazia alguma outra coisa.

Mas de 2000 mais ou menos para cá, que eles já completaram 16, 17 anos, aí que eu comecei de novo a estudar, mas sem planejamento, voltei a estudar porque eu gosto. E aí foram aparecendo oportunidades de trabalho, fui trabalhando esporádico e até que apareceu esse contrato mesmo de trabalho agora, na loja. A loja tem um ano e meio e esse contrato tem uma semana, de prestação de serviços em condomínios. Meu sonho hoje é de ampliar a minha loja, que ela faça sucesso, que a minha filha trabalhe bastante para eu poder sair pelo mundo andando de bicicleta. Porque a meta é quando eu e o marido completarmos 60 anos, a gente vai viajar de bicicleta um ano, dois anos, sei lá, mas aí a ideia é passear de bicicleta.

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