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História de: Milton Teixeira Santos Filho
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 17/04/2008

Sinopse

Milton começa seu relato falando sobre as condições difíceis de sua família na roça. Fala sobre como seus pais se empenharam em fazê-lo estudar e sua relação com a escola e as atividades que ajudou formar e com as quais estava envolvido. Conta sobre seu envolvimento com as causas da comunidade carente na área dos esportes, das artes e dos direitos humanos. Aborda a questão do trabalho escravo e do analfabetismo em sua região, além de como ainda hoje luta para dissipar.

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História completa

Meu nome é Milton Teixeira Santos Filho. Eu nasci no dia 21 de abril de 1968 e nasci em Floresta Azul, Bahia. O nome do meu pai é Milton Teixeira Santos e da mãe, Doralice Alves Santos. Tenho. Nós somos uma família de onze filhos e filhas, então desse conjunto de pessoas, são 5 homens e 7 mulheres. Alguns viajaram para São Paulo, eu estou aqui no Maranhão já há doze anos. Floresta Azul é um município muito pequeno no sul da Bahia. É uma cidade que não chega hoje a mais que 13 mil habitantes e é um município tipicamente rural. Nesse município a nossa moradia é uma moradia razoável, considerando a situação do município. Uma casa de alvenaria.

Meu pai na realidade cursou foi até o quarto ano primário. Não chegou a ir nem ao ginasial e a relação dele era mais direta com o campo. Ele vem também de uma família que tem relação direta com o campesinato e ligado também ao Sindicato dos Trabalhadores Rurais. A minha mãe nas atividades também, ela não chegou a ir ao ginásio, parou aí no que hoje nós chamamos de ensino fundamental e também a atividade que ela desenvolvia era mais específica nas atividades domésticas, nas atividades do lar.

Floresta Azul. Na realidade, as cidades daquela região, região em que se encontra Floresta Azul, que é no sul da Bahia, elas são até mais organizadas do que aqui no Maranhão. Tem saneamento básico. As ruas são todas pavimentadas, muito bem arborizadas. O único problema é a questão econômica, porque depende basicamente de uma cultura que está aí falida, que é o cacau. Naquela região, dada à doença que é chamada vassoura de bruxa, fez com que acabasse muito com a lavoura cacaueira. E isso afetou drasticamente a economia, tanto que próximo do nosso município tinha a indústria da Nestlé e ela fechou em função de que não tinha produção suficiente de cacau para que eles pudessem transformar em chocolate e inclusive estar até exportando.

A maior parte das brincadeiras eram as brincadeiras de roda, era pião, era perna–de–pau e depois com o passar do tempo veio a figurinha. Mas em geral eram essas brincadeiras mais tradicionais mesmo, de cunho educativo.

Mas era fantástico, apesar de que se tinha a disciplina. Era ainda a disciplina carregada com toda a cultura do militarismo, de você ter de ir de meias brancas e, se tivesse com uma meia de outra cor, você tinha de voltar mesmo, você não conseguia entrar na escola. Aquela educação da alienação patriótica, mas de certa forma era muito doutrinária por outra, era muito sadia porque foi a partir dali que a gente conseguiu entender mais sobre a nossa ação enquanto cidadão, enquanto cidadã. A gente passou a conhecer mais, explorar a questão do hino, de ter aquela relação de respeito com a questão do patrimônio público porque a gente não via as carteiras riscadas, não via depredação do mobiliário. Eu acho que se por um lado era ruim por outro era muito bom. Era um misto desta contradição. É que a gente acabou ganhando com tudo isso, porque muito do que a gente era foi fruto desse tipo de educação, da forma com que nossos pais nos criaram, da forma como a gente se relacionava com os nossos amigos, como a escola tratava gente. Tratava realmente com muito respeito, eu me lembro que a maioria das vacinas eram realizadas na escola, isso ajudou muito. A nossa escola apesar de ser uma escola pública de uma banda, uma banda marcial, então no dia 7 de setembro ganhamos uma festa, porque todo mundo estava brigando para participar da banda e as escolas públicas brigando para cada uma poder fazer melhor do que a outra. Assim, resgatando a para a questão da cultura. A questão do candomblé estava presente, a questão da religião, tudo tava presente ali e hoje a gente não vê mais esse resgate histórico, essa memória de estar se preservando toda a cultura que a gente quase não vê mais.

Veio também a questão sindical, que a gente participou na Bahia da APLB, Associação de Professores Licenciados da Bahia, e também fez com que a gente começasse a abrir um pouco mais a mente, depois que eu cheguei aqui no Maranhão. Aqui no município tinha uma Associação dos Servidores Públicos Municipais e naquele momento que eu chegava muita gente dizia: "Rapazes, nós precisamos resgatar a credibilidade da Associação e tal..." Eu ainda um pouco receoso para poder participar disso, com muita luta eu vi que realmente precisava, é um chamamento das pessoas que me conheciam para estar à frente desta Associação. Eu me candidatei e nós conseguimos ganhar as eleições, de imediato também eu percebi que o poder público municipal podia ali passar a perna na gente, então a gente fez uma articulação e transformamos a associação em um sindicato que é o (Sintracema?) hoje, Sindicato dos Trabalhadores do Serviço Público Municipal e conseguimos vários avanço no município.

 

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