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História

Superando o meu próprio preconceito

História de: André Lucas Durigan Sardinha
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 08/11/2016

Sinopse

André Lucas Durigan Sardinha relata sobre sua infância e como foi descobrir que estava com diabetes. Conta sobre experiências que viveu na escola, com amigos e sua namorada e como superou o receio de contar sobre sua doença para as outras pessoas. 

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História completa

Sou o André Lucas Durigan Sardinha, nasci em São Paulo, em 20 de abril de 1989. Meus pais são Luzia Aparecida Durigan e Álvaro Garcia Sardinha e tenho uma irmã mais velha Laiane. Minha mãe é biomédica, formada e meu pai é corretor de imóveis. Os meus pais são separados eu moro com a minha mãe há muito tempo e tenho um contato legal com o meu pai. Minha relação com a minha mãe é bem tranquila, somos muito amigos, nos falamos de tudo, ela se preocupa demais comigo, acho que talvez por eu ser filho mais novo e por causa da diabetes também.

Quando eu penso na infância, eu lembro que eu saía do colégio no primeiro dia de férias e ia para o sitio da minha avó e do meu vô e ficava lá as férias inteiras. Eu sempre fui de ficar em interior, na fazenda mesmo, eu ia no primeiro dia de férias e voltava no último. Isso durante bastante tempo na época da infância. E essa fazenda era perto de Marília, que a família da parte da minha mãe é toda lá, então sempre teve sitio por ali perto e eu ficava lá com os meus tios, padrinho, meu vô. Tinha muita criança que morava junto e no sitio, a gente fazia de tudo, ia pescar muito, coisa de interior, jogava muita bola também. Mas o que fica bem registrado na minha memória são as pescarias que eu fazia com o meu tio, era muito legal. A gente saía de madrugada, ia para uns rios a fora, não pegava nada nunca, mas era gostoso sair com ele, fazíamos bastante coisa diferente.

Aqui em São Paulo eu sempre morei na Vila Prudente, perto de onde é a estação do metrô, atualmente. Mas eu não tinha muita amizade, de vizinho, nada, assim. A minha vida era muito estudo, escola, voltava, saía de fim de semana, mas saía mais com a minha família. Mas eu curtia muito mais a infância quando estava de férias, porque eu tinha mais para onde correr, fazer um monte de coisas diferentes, e naquela época, não tinha muito aquele negócio que tem hoje em dia da internet, eu ainda era daquele tempo que tinham mais coisas pra fazer, fisicamente. Bem diferente de hoje em dia.

Estudei toda a minha vida em um colégio na Vila Prudente, chamado João Vinte e Três. Não era uma escola que te preparava para o vestibular, eles te preparavam para a vida. Os professores eram muito amigos de você, eles cultivavam mais essa amizade com os alunos. Acho que para o meu perfil de educação, foi bom. Eu lembro que nessa época era legal, porque eu integrava a equipe de futebol de salão do colégio e competíamos fora, em outros colégios dos arredores e sempre perdíamos para o mesmo, nas finais, para o Externato Nossa Senhora Menina, era impressionante. Eu lembro de um jogo marcante, que foi quando eu estava na pré escola. Fizeram uma repescagem e estavam formando um time e eu fui lá para ver como que ia ser e eu nunca fui muito bom em futebol. Mas eu lembro que nesse jogo, eu marquei uns quatro gols, nosso time detonou, e eu fui para o time titular logo de cara do colégio. Mas eu não tinha habilidade para tudo isso não, foi sorte.

Inclusive foi nessa escola, quando eu estava no terceiro colegial, terminando o colégio que eu descobri a diabetes. Foi bem nessa época em que eu estava acabando o ensino médio pra entrar no cursinho. Foi bem traumático de início. Eu me lembro muito bem, que teve um dia que eu estava me sentindo meio estranho, não estava enxergando direito, foi então que fui fazer alguns exames de sangue e nesse dia eu estava com muita sede, e a primeira coisa que eu fiz foi ir na padaria da frente e pedi um leite bem gelado, e veio com muito açúcar e naquele momento eu não sabia.  Aí, tomei aquele leite bem gelado e no mesmo dia à tarde, minha mãe veio com o resultado, falando que tinha dado um aumento da minha glicemia, estava muito elevado e naquele momento eu nem pensei o que poderia ser porque não tinha ideia de como que era a diabetes. Foi então que fomos nos médico e descobrimos que eu tinha diabetes tipo 1. Nossa, daquele momento ali pra frente, caiu o mundo. Você acha que acabou, foi muito complicado o começo. O mais difícil foi exatamente quando a gente descobriu e não encontrava um médico que pudesse conversar com a gente, porque estávamos emocionalmente conturbados e no começo não teve nenhum médico que se preocupou muito com isso, então foram somente na teoria médica e muito impessoais. Isso que foi difícil também no começo. Mas depois de um tempo, por indicação nós chegamos ao médico que trata de mim hoje, que é o Doutor João Nunes Salles e ele sim, foi um médico família e que modificou todo o meu ver do diabetes e do meu tratamento e ele, me ajudou muito a superar esse diagnóstico que eu tinha recebido.

No começo e até pouco tempo atrás eu era muito reservado, eu tinha um preconceito, na verdade e era comigo mesmo. Eu não queria demonstrar para ninguém que eu tinha diabetes, porque eu ficava com receio de ser visto como diferente. Porque as pessoas me falavam que eu não podia comer algumas coisas, não poderia jogar futebol e eu não gostava disso, dessa visão de eu não poder fazer as coisas. Então, eu preferia não falar e ser tratado como os outros, normalmente, sem nenhuma diferença e eu sabia que ninguém ia perceber, porque eu conseguia controlar tudo e ficava tranquilo. Eu preferia me reservar. Eu temia o preconceito das pessoas, ou passar por alguma situação desagradável por causa do diabetes.

E após a minha fase de adaptação com a diabetes, eu fiz cursinho durante um ano, prestei aqui em São Paulo as faculdades e acabei optando pelo Mackenzie, que foi onde eu me formei e tive uma ótima experiência lá. As amizades, formação, oportunidade, não tenho o que falar, só agradecer a faculdade, porque tive uma formação de excelência, para a vida e para a carreira. E foi durante esse período da faculdade que eu conheci a minha namorada e ela me ajuda muito. Ela não me restringe em nada, me respeita. Então, é uma parceria mesmo, a gente é parceiro para a vida, com certeza.

Eu fiz estagio em um escritório de Advocacia, e depois acabei sendo efetivado lá, e fiquei lá mais um ano e pouco e surgiu uma oportunidade de trabalhar em um órgão público, e como eu queria ter mais tempo para estudar para concurso e no escritório era mais puxado, exigia um pouco mais, eu acabei optando por sair. Então, hoje, eu tenho um tempo mais para focar nos meus estudos, e também um aprendizado legal de uma outra área. Antes eu estava defendendo na área privada e agora, eu estou defendendo o público. Eu trabalho na Autarquia Hospitalar Municipal, que faz assessoramento, faz a gestão dos hospitais municipais aqui de São Paulo.  Sou assessor jurídico, e gosto bastante dessa área. Eu sempre trabalhei na área de direito público, me envolvendo com administração pública, sempre gostei. Durante a faculdade inteira, me especializei nessa parte. Mas o meu foco profissional hoje é para a área de Procuradoria.

Meu sonho hoje é construir uma família com a Natalia, que é a minha namorada. Quero crescer junto com ela, vê-la abrindo o negocio que ela tanto sonha e construir uma família junto e seguir para o sempre com saúde, tranquilidade, viajando e vivendo bem. 

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