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Tiro de canhão em mosquito

História de: Orlando Tadeu Scolari
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 13/02/2019

Sinopse

Quando Ivete, a mãe de Orlando, descobriu estar com câncer, a família inteira sofreu com ela. Por meses, as idas e voltas do hospital para a cidade de São Paulo foram custosos para todos. Quando Ivete faleceu, não foi só a perda de uma das pessoas que mais amava que acometeu Orlando: também descobriu ali, por causa do trauma, que tinha dermatite atópica. O suor começou a queimar sua pele, a coceira começou a machucar. O homem que sempre encontrou prazer no esporte, agora, sentia dificuldade de praticar qualquer atividade física. Foram meses de diagnósticos errados e procura por ajuda médica certeira. Até que, enfim, conheceu um médico que acertou no tratamento.

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História completa

Minha mãe recebeu o diagnóstico: câncer. Câncer linfático. Fizemos o tratamento em Sorocaba por um ano, até que a doença sumiu. Seis meses depois, voltou. Meu tio falou: “Ela vai se tratar num hospital de São Paulo!”. Ele bancou todo o tratamento no Sírio Libanês.

 

Nisso, ela ficava muito tempo fora de casa fazendo quimioterapia, até quatro vezes na semana íamos para São Paulo. Para ajudar, minha irmã passou a morar com ela para ir e voltar do hospital. Eu relaciono o começo da dermatite atópica muito a isso: ver minha mãe sofrendo. Da coceira que apareceu na pele, as marcas no rosto que coçam, para mim é meio automático, se eu falo da minha doença eu vejo... já vem a minha mãe!

 

Esse processo traumático para mim foi o start, e a partir daí eu tento controlar a dermatite atópica. Também por sempre ser gordinho, sempre sentir calor nas dobrinhas, o suor, então sempre coçava. Normal, é de qualquer pessoa! Só que depois desse trauma, meu suor não é mais o mesmo. Se eu faço uma atividade física, o suor na minha pele e no meu rosto parece que está queimando.

 

Em contato com o Doutor Martti, ele mostrou que tenho que hidratar a minha pele, porque ela é uma esponja: todo hidratante que eu jogar, ela vai absorver. Sofro tanto no calor quanto no frio. No frio, pelo ar estar seco. A pele resseca mais ainda, me dá problema. No calor, por causa do suor. Dormindo, às vezes eu acordo e meu travesseiro está com sangue por coçar o pescoço.

 

Nenhum médico antes do Martti sabia sobre dermatite atópica. Já falaram para mim que eu tinha sarna! Olharam e falaram: “Você está com sarna!”. Me fizeram comprar um talco com enxofre. Eu passava aquele talco fedido na hora de dormir. Não sei como a minha esposa ficou do meu lado e está comigo até hoje.

 

Para mim, foi um alívio saber o que eu tenho, porque eu não aguentava mais. De falarem de sarna, de remédios que não resolviam nada. Pelo menos agora eu sei o que é. Quando tive a primeira consulta com o Doutor Martti, eu estava em uns dias muito ruins, com uma crise forte. Foi meia hora de bate papo. “Onde foi, o que foi, como que você faz, o que é, como é?”. Ficamos conversando.

 

O meu alívio foi que ele deu o diagnóstico. Mas falei: “Poxa, doutor, olha como eu estou.”. E o doutor respondeu: “Você acha que você está ruim? Espere aí”. Então ele mostrou fotos de pessoas com dermatite atópica. Bebezinhos com o rosto todo vermelho de coçar, o olho fechado. As pessoas com braço e perna em carne viva. Ele falou: “Viu? Você está no céu”. Dermatite atópica é uma doença que o próprio organismo produz.


É uma autodefesa muito forte, você dá um tiro de canhão em um mosquito. Foi aí que começamos o tratamento.

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