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História

Um banquinho, um violão

História de: Angelo Sergio Del Vecchio
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 07/12/2012

Sinopse

Angelo Sérgio Del Vecchio relata suas lembranças dos comerciantes no bairro de Cerqueira César, onde passou boa parte de sua infância. A história de sua família, a vinda da Itália, e da abertura da empresa Irmãos Del Vecchio. O ingresso na sociedade, ainda jovem, da atual Casa Del Vecchio. O dia a dia de trabalho com um tio e com o pai, jogador profissional de bilhar. As mudanças no cenário da indústria de instrumentos no Brasil e as dificuldades decorrentes da invasão de produtos chineses. O contato com músicos famosos e as especificidades do segmento, bem como as transformações no bairro de Santa Ifigênia.

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História completa

Meu avô paterno era luthier na Sicília. Ele fazia bandolins. E, quando eles vieram ao Brasil, resolveram trabalhar com instrumentos musicais. Aí abriram uma firma no antigo Largo do Piques– hoje é Praça da Bandeira. O nome ficou sendo Irmãos Del Vecchio. Em 1920,eles transferiram a firma para a Rua Aurora. Tinha a loja na frente, no meio tinha a casa da minha avó e atrás era a fábrica que eles chamavam de oficina.

Antigamente umas cinco casas dominavam o mercado de violões no Brasil; era a Casa Manon, tinha a Leimar, Tomazi, Vitale e eu. A concorrência era menor e as lojas eram muito conhecidas. Tanto que na década de 80 eu construí uma fábrica bem grande, 3.500 metros quadrados na Marginal Tietê. Vinha gente de todo o Brasil. Eles vinham e enchiam a Kombi, porque eu vendia tudo: amplificador, bateria...

Dentro da parte de fabricação na loja, nós fizemos essa parte de revenda de equipamentos que teve muito sucesso na época. Mas com a abertura da importação ficou difícil. Eu me lembro que, quando o Collor abriu a importação em 1992, meu instrumento mais barato custava... Acho que era cruzeiro, cruzeiro novo, não lembro mais a moeda, mas vamos dizer que, se fosse em reais, seria equivalente a 70 reais. Com o dólar um por um com a moeda, o chinês chegava aqui por 18. Então, ficou uma concorrência muito desleal!

Era dar murro em ponta de faca, não tinha como! Eu cheguei a ter 200 e poucos empregados lá e o que mantinha as despesas de custeio eram os instrumentos baratos! Fabricava os melhores também, que davam lucro e tal, mas a parte básica que cobria os custos operacionais eram os violões baratos, que a gente despachava para todo o Brasil. Eu trabalhava com revendedores. Sempre mantive a loja lá na Rua Aurora, mas a gente vendia para lojas especializadas em São Paulo e outros Estados. Mas aí, com a concorrência, o violão barato chinês ficou fazendo a concorrência muito desleal. No nosso segmento sempre teve uma história assim: o filho chegava para o pai e dizia ‘Pai, quero aprender a tocar violão.’‘Mas, você quer mesmo?’‘Quero!’‘Então papai vai comprar um baratinho; depois, se você pegar gosto pela coisa, eu compro um melhor!’

E nessas, com o chinês, eu deixei de vender o baratinho. Eu fui até 2003, aí não deu mais para sustentar as atividades de indústria. E, como eu parei de atender os revendedores, as pessoas quando procuram nas lojas a minha marca, elas ouvem: ‘Não existe mais.’ E não é nada disso. Eu reduzi o negócio e a produção ficou só na minha loja. Felizmente eu tenho um site e ele demonstra que eu não morri. Não existe propaganda melhor do que um site hoje em dia. Você monta um site, as pessoas acessam. Vire e mexe, tem gente consultando e aí vem. Consegui manter uns três luthiers bons e ainda faço uns violões interessantes. A pessoa encomenda; eu, com 60dias, faço a vontade do cliente.

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