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História

Uma ampla experiência de comércio atacadista de cereais

História de: Ítalo Tucci
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 08/07/2005

Sinopse

Avós e pais eram comerciantes na Itália. Pai imigrou para São Paulo estabelecendo-se em armazém atacadista de cereais até fundar seu próprio estabelecimento. Principais cereais comercializados, armazenagem e distribuição. Conciliação entre trabalho e estudos. Aparecimento de novas regiões produtoras de grãos. Importação de cereais e mercado consumidor. O advento dos supermercados e, conseqüentemente, o surgimento de empacotadores. A decadência das feiras-livres. As novas regiões produtoras de arroz e a mudança de hábitos alimentares. Ascenção do comércio varejista em detrimento do comércio atacadista. Casamento, sonhos e importância do registro de seu depoimento.

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História completa

IDENTIFICAÇÃO

Sou Ítalo Tucci, nascido em São Paulo, aos 30 de agosto de 1930. Meu pai é João Tucci e minha mãe é Rosa Lerário. Nasceram na cidade de Polignano a Mare, na província de Bari, na Itália.

TRABALHO DOS PAIS

Meu pai era filho de comerciantes naquela região, que é uma região agrícola e de pesca também. Os que trabalhavam na lavoura vendiam os produtos da terra, e os que trabalhavam com barcos pesqueiros, trabalhavam com os produtos do mar. E por uma grande coincidência, meu pai era da parte agrícola e minha mãe era descendente de família que trabalhava com pescados. E daí surgiu uma tradição comercial.

IMIGRAÇÃO PARA O BRASIL

Meu pai veio pra cá em 1921, após servir o serviço militar na Primeira Guerra Mundial. Conheceu minha mãe, namoraram, noivaram, casaram. Tiveram um filho e minha mãe, como tinha parentes aqui em São Paulo, ele resolveu vir pra cá também, para o que se chamava fazer a América. Veio pra cá trabalhar com o cunhado que já estava aqui. Meu pai trabalhava com cereais. Muitos dos imigrantes foram para o café, para os cereais e para outras atividades em geral, ligadas ao abastecimento. Quem trabalhava com alimentos, trabalhava com alimentos aqui também. Houve grandes problemas aqui em São Paulo e era difícil de se estabelecer. Teve revoluções em 1924, uma crise de gripe, que obrigaram as pessoas a saírem de São Paulo. Tudo isso faz parte de uma história muito bonita naquela época. E onde a pessoa podia se empregar, ela trabalhava, para juntar algumas economias e depois se estabelecer. E, via de regra, foi o que aconteceu com meu pai, que, após trabalhar, sete, oito anos com o cunhado juntou algumas economias e se estabeleceu, em 1929, com uma pequena casa comercial, na zona do mercado na chamada Rua Santa Rosa. Foi uma época difícil e já com mais dois filhos, depois nasci eu, em 1930. O nome do estabelecimento era João Tucci Cereais e Companhia. A tradição vinha mais para os alimentos em grãos, cereais: feijão, arroz, milho, farinhas de trigo, de milho. A necessidade do povo naquela época fazia com que houvesse uma especialização da atividade. Quem sabia trabalhar com o feijão, ia buscar o feijão no interior a centenas e centenas de quilômetros de distância pela estrada de ferro existente. Na Mogiana, a 200, 300 quilômetros de distância. Depois surgiu o Sul de Minas, com grandes produções de feijão e arroz. Italianos, espanhóis, portugueses, saíam pra comprar o produto no interior, esperavam o trem semanal passar, carregava a mercadoria, vinha aqui para a Estação do Pari ou para a Estação Barra Funda onde, com carros puxados a boi ou a cavalo, traziam a mercadoria para o centro da Rua Santa Rosa, que foi onde nasceu todo comércio, na Rua General Carneiro, Rua 25 de Março e Rua Cantareira. E lá foi que nasceu o comércio de São Paulo, que até hoje persiste como centro de abastecimento.

INFÂNCIA E SEGUNDA GUERRA MUNDIAL

Naquele momento você estava sempre ao lado do pai. Muito embora sem um trabalho específico. Infelizmente, meu pai faleceu em 1940 e já no advento da Segunda Grande Guerra Mundial com o filho mais velho italiano sem poder trabalhar. O segundo filho masculino, Júlio, havia sido convocado para o exército naquele momento e a viúva Rosa, legalmente, montou uma firma sucessora para que o filho brasileiro pudesse ter atividade comercial. E assim foi até o final da guerra, em 1944, 1945, quando o filho brasileiro mais velho, desconvocado, assumiu o comando do trabalho e formou uma firma chamada J. Tucci e Companhia Ltda., sempre operando no mesmo ramo de atividade, com cereais. Após a guerra houve uma liberação para o estrangeiro trabalhar. E ele e meu irmão mais velho fundaram essa firma e eu ajudava lá todos os dias, eu estudava de manhã e à tarde ficava no estabelecimento comercial.

PRODUÇÃO DE CEREAIS NO BRASIL

[Comecei a ficar lá] com 11, 12 anos. Eu passei a trabalhar mesmo em 1946, quando fui fazer a Escola Técnica Álvares Penteado e passei a estudar à noite. Ficava em período integral na firma, ajudando na seção de vendas, cuidando da parte de bancos, pagamentos, recebimentos, como qualquer office-boy hoje ainda faz. Eu era o irmão caçula dos sócios e passei a participar dos negócios. Os anos se passaram, os mais velhos se casaram. O mais velho se casou com uma moça de uma grande família do norte do Paraná. A nossa especialidade era feijão e já surgia então um novo estado fornecedor de feijão naquela época. Era o norte do Paraná, onde houvera a colonização da Companhia Norpa dos ingleses para o plantio do café. Os meeiros que plantavam o café tinham o direito de produzir cereais nas avenidas dos cafezais. Daí começou a surgir uma enorme produção de milho e feijão no norte do Paraná e foi pra onde meu irmão passou. Uniu-se a um cunhado que vivia lá e passaram a explorar o ramo de cereais em maior escala. Nos anos 50 e até 1974. Nós construímos dois grandes armazéns em Maringá e Apucarana e explorávamos por nossa conta e por conta de terceiros. Havia a armazenagem de milho e de feijão, porque as quantidades eram muito grandes e o estado ainda não tinha condições de armazenar mercadorias. Havia somente os armazéns do Instituto Brasileiro do Café. Não havia estradas de rodagens, era de terra, quando chovia não passava nenhum caminhão, havia enormes problemas para os trens que faziam a linha até Londrina, com os comboios saíam uma vez por semana. Os feijões chegavam a São Paulo em vagões de 36 toneladas. Vinham em sacas de alinhagem aqui pra estação na Barra Funda, Estrada de Ferro Sorocabana. E era feita a distribuição para todo o Brasil. Depois do norte do Paraná, surgiram novas regiões produtoras, principalmente aqui no estado de São Paulo. Hoje o estado de São Paulo é o maior produtor. O norte do Paraná é soja, trigo e gado.

INÍCIO DA IMPORTAÇÃO

Nós organizamos outra firma paralela, que se chamava Riobom Comércio e Importação, porque também havia já interesse nos anos 50 em uma importação de azeites de Portugal, da Espanha, o bacalhau do Canadá, da Islândia, da Noruega e alguns outros grãos da Argentina. Por uma questão de tradição, os oriundos todos – portugueses, espanhóis, italianos e também da parte do Oriente Médio – têm o hábito de comer lentilha, grão de bico e ervilha. São produtos que por problemas climáticos aqui não se produz. Quando começou a desenvolver o transporte marítimo, também surgiu a oportunidade de se importar esses produtos. Tudo começou, no Brasil, após a Segunda Guerra Mundial, isso é um fato histórico. Surgiram as firmas importadoras, pioneiras na atividade. Tudo aconteceu nos anos 50. A aceitação dos produtos foi enorme, porque os imigrantes que já estavam aqui sempre comeram esses produtos. São Paulo, junto com Rio de Janeiro, era o grande centro distribuidor. Os outros estados eram somente consumidores, com toda a dificuldade de transporte que existia. Então houve um impulso do transporte ferroviário, depois com o transporte rodoviário, com a construção das estradas na década de 50. E foi quando houve uma maior distribuição. Foi algo marcante na história do Brasil. Nós estávamos colaborando com esse crescimento. Era o que nós sabíamos fazer naquele momento e cada um cuidava do seu setor. Quem foi para o interior cuidar dos cafezais daquela época, conseguiu juntar algum dinheiro e comprou uma propriedade.

MERCADO ATACADISTA DE CEREAIS NOS ANOS 1950

Naqueles anos, o feirante vinha buscar o produto na zona cerealista. Com o passar do tempo, surgiram os supermercados, diminuiu muito a força da distribuição do cereal que era exclusivamente feito pelas feiras livres e já passou a dividir com os supermercados. Daí surgiram os empacotamentos. Nós vendíamos aos empacotadores, que empacotadores forneciam aos supermercados. Então nós ficávamos com duas distribuições, tanto para o feirante como para os empacotadores. Isso foi crescendo enormemente. Ainda hoje existe o fornecedor do produto para o empacotador. A intermediação é obrigatória, não dá para fazer todas as coisas ao mesma tempo, né. Então, ao supermercado interessa comprar o produto empacotado e sem que ele se sujeite a ter maquinários e tudo mais. É muito mais fácil comprar o produto já empacotado. Ainda hoje persistem as feiras livres que também têm o seu produto a granel. Em São Paulo, 50% do feijão vai pelas feiras e 50% vai pelos supermercados. Os supermercados cresceram enormemente, em grandes lojas, em todos os bairros. As feiras livres também foram se estreitando, elas ainda existem, mas não houve uma evolução da feira livre. Nesses próximos dez anos a feira livre deve deixar de existir. É o futuro que a gente espera. Mesmo o nosso comércio atacadista, já começamos a sentir isso na produção de arroz. O arroz é um produto mais nobre, tem maior durabilidade e o arroz já está sendo distribuído empacotado, vindo das zonas de produção. Provavelmente, vai acontecer isso com o feijão. Por que não agora? Porque ainda não existem zonas produtoras de feijão como existem zonas produtoras de arroz. O feijão está distribuído em cinco, seis regiões produtoras que se completam nos ciclos.

O ARROZ AMERICANO

Há 40 anos, os grandes centros produtores eram Minas e Goiás. Havia um arroz chamado amarelão, que era produzido ali. Mas há 20 anos, surgiu uma semente americana, de maior produtividade. Um grão de arroz branco, muito bonito, sem manchas, e encontrou o clima adequado no Rio Grande do Sul. Com maiores áreas plantadas no Rio Grande do Sul, é claro que houve uma transformação de hábitos. O povo passou a preferir o tal arroz de semente americana em detrimento do arroz dos estados de Goiás e Minas. Esses estados passaram a produzir soja e foi pra pecuária também.

VARIEDADES DE FEIJÃO

Houve uma mudança muito grande nos hábitos e costumes do consumidor brasileiro com as novas variedades que foram colocadas. O feijão tinha uma variedade enorme, 15, 20 qualidades de feijão. A Embrapa desenvolveu o produto de alta produtividade, hoje conhecido como carioquinha. É um produto que vai persistir por muitos e muitos anos como preferência do público. Ele é macio, ele é gostoso, ele é fácil de produzir. Daquelas 15 variedades substituiu 14 e ficou sozinho. O feijão tinha diversos nomes curiosos: bico de ouro, porque ele tinha uma pontinha douradinha na vagem; o feijão rosinha, rosinha porque era cor-de-rosa; feijão jalo, jalo, de onde vem? Jalo em italiano é amarelo. Depois tinha o feijão lustroso, que era um feijão cor de café, de alta produtividade. Tinha o mulatinho, e vai por aí a fora. Tantas e tantas qualidades que eram produzidas e hoje nós estamos todos no carioquinha, e o outro feijão que é o preto, altamente consumido no estado do Rio de Janeiro. Está aí a história do cereal nos últimos anos.

EMBALAGENS

Os primeiros pacotes eram de papel craft. Depois surgiu polipotileno, polipropileno e o plástico, o saco plástico hoje. Eram embalagens de dez quilos, de cinco quilos, depois veio a transformação de dois quilos para um quilo, para meio quilo.

COMÉRCIO DE ÓLEO DE SOJA

Houve muita dificuldade para impor o óleo de soja. A grande aceitação que existia era do óleo de algodão. No Brasil se produzia muito esse óleo. Depois surgiu o óleo de amendoim. A soja é um grão, uma leguminosa de grande poder de gordura, e os primeiros óleos que chegaram aqui em São Paulo vieram do Rio Grande do Sul. Esse produto ao esquentar tinha um odor muito forte, então foi uma dificuldade enorme até virem novas químicas para extrair esse cheiro do óleo de soja. Hoje é o rei do abastecimento. Não tem mais óleo de algodão, não tem mais óleo de amendoim. Nós trabalhávamos naquele momento com esse óleo de soja, então teve dificuldade de venda. Foram grandes negociações de devolução do produto.

IMPORTAÇÃO DE FEIJÃO BRANCO E BACALHAU

Isso é o hábito do continente europeu. Português, espanhol, italiano, francês gastam, consomem muito esse feijão, em salada, sopa, pastas. O clima brasileiro não dá boa produção desses grãos que eu mencionei: ervilha, lentilha, grão de bico, feijão branco, que são produzidos em clima temperado para frio. Então eles são muito suscetíveis a insetos e tem que ter um clima mais ou menos homogêneo. No Brasil não tem e é onde o nosso comércio se especializa um pouco no produto importado sem similar brasileiro. Não é questão de falta de concorrência, mas é que tem uma aceitação por parte dos descendentes daquela corrente migratória do século passado. O filho, o neto, bisneto, ainda querem comer aquilo que a vovó fazia. A mesma coisa é o bacalhau. O bacalhau vem para o Brasil porque é um produto de larga aceitação entre descendentes espanhóis e portugueses. E como é um bom produto também houve a disseminação por parte de outros habitantes daqui, tanto o nordestino, como o nortista, pessoas do interior passaram a conhecer o produto, a famosa bacalhoada. Esse é um produto que o Brasil importa através de um acordo comercial com a Noruega, são 15 mil toneladas por ano. É o segundo país consumidor do mundo, fora Portugal com suas colônias. O comércio foi feito dessa maneira, em cima do que poderia se chamar preferência, hábito de consumo.

OUTROS PRODUTOS – AZEITE, ESPECIARIAS

Trabalhamos com outros produtos: tem o azeite de oliva. A oliveira aqui no Brasil não dá fruto. E hoje o Brasil consome muito azeite de oliva, sendo que Argentina, Espanha e Portugal são os maiores fornecedores de azeite de oliva, sempre também para esses descendentes de europeus. Para você comer o grão você precisa colocar a tradição do azeite. Aí você vai complementando o hábito alimentar da população. Nosso comércio está baseado nisso, no alimento, no arroz, no feijão, nos grãos e nas especiarias que dão o tempero. Nós também importamos especiarias. Veio cominho, a erva-doce da Síria, da Turquia, também do Irã, a canela, a noz-moscada, o boldo, o louro, são todos produtos que também nós não produzimos.

PAPEL DE SÃO PAULO NO ABASTECIMENTO

Hoje, São Paulo está diminuindo um pouco sua hegemonia, sua força de distribuição, porque houve um crescimento no interior. Esse desenvolvimento do interior fez com que aqueles nossos clientes se transformassem também em atacadistas. Municípios de Ribeirão Preto, São José do Rio Preto, Uberlândia, Uberaba, Sorocaba, e nós tivemos satisfação de ver que aqueles nossos antigos clientes são grandes atacadistas também no interior do estado. Nós não íamos querer que São Paulo fosse sempre o centro abastecedor, o Brasil não teria crescido. Pra ter uma ideia, houve um cidadão, paraibano parece, ele tinha uma loja que lá no Nordeste chama estiva, estiva é comércio de gêneros alimentícios, e nós, naqueles tempos, fornecíamos feijão, farinha de mandioca, charque para essa firma. Você vê, todo mundo sabe quem é Paes Mendonça hoje. É uma das grandes redes de supermercado e ele começou assim. O Brasil cresceu muito. Essa transformação faz com que o transporte, 24 horas, 36 horas, 48 horas o caminhão esteja na porta desse atacado do interior, ou dessas grandes lojas do interior. Nós somos saudosistas, todos os descendentes, daquela primeira leva do meu pai, dos meus tios. Nós tínhamos aquele orgulho de ser o centro abastecedor do Brasil, não é? E hoje, não por nossa incapacidade, mas porque a evolução é superior à nossa vontade de trabalhar. Você teria que ter filiais em todas as capitais, o que seria uma coisa impossível. Então é um ciclo que vai continuar por muito pouco tempo, esse ciclo de compra e de venda para atacado, para médios atacadistas ou varejistas.

BOLSA DE CEREAIS DE SÃO PAULO

Fizemos a nossa parte de implantação do comércio. Estamos juntos através da Bolsa de Cereais de São Paulo, que já tem 70 anos de idade. Meu pai foi um dos, nos anos 1920, foi um dos fundadores da Bolsa de Cereais, onde se realizavam todas as intermediações de compra e de venda. Comprava um vagão de feijão, um vagão de arroz, que demorava 15 dias, 20 dias pra chegar em São Paulo.

ANÁLISE DO COMÉRCIO DE ATACADO

O atacado de vestuário, armarinhos, tecidos também está fazendo varejo. Porque houve uma evolução na distribuição. Eles estão vendendo diretamente ao ambulante, diretamente à mão-de-obra terceirizada, que é o trabalho que a dona de casa faz para sobreviver. Então você pega o advento dos supermercados, dos anos 1960 para cá, você pega o crescimento do interior brasileiro e a mudança de hábitos. E quando um segmento, o outro está diminuindo, é a lei da natureza. Quaisquer tipo de comércio que não tiver distribuição direta tende a perecer. Essa é a lei do século XXI. Nós hoje temos uma nova mentalidade no comércio, e você tem que se estruturar. Você vai vender diretamente ao consumidor menor, porque houve o surgimento dessa nova categoria comercial que é o microcomerciante. Nós vamos ter que pensar em outras atividades para o futuro, talvez dentro do mesmo ramo, com uma distribuição mais miúda, menor. Vender mais volumes em menores quantidades do que o atacado faz hoje, menores negócios com maiores quantidades. Atacado é isso, você vende mil volumes para outros comerciantes, quando você agora vai ter que vender mil volumes para dez mil pequenos consumidores, pequenos distribuidores.

CASAMENTO E FAMÍLIA

Na Bolsa de Cereais de São Paulo, a que pertencíamos, nós tínhamos um departamento social. Esse departamento social executava diversas festas, durante o ano. Comemorava-se o aniversário da Bolsa de Cereais e se fazia homenagens a algum patrocinador. Eu conheci, então, a Marilda numa dessas festas. Ela era filha de um comerciante, também atacadista. Começamos a namorar em 1957 e casamos em 1960. Ela também é descendente de italianos. É outra família que também teve toda essa história aqui, que veio pra cá no início do século. Casamos, tivemos três filhos: a Sandra, o Fábio e a Fernanda. A Sandra hoje é artista plástica, faz umas exposições; o Fábio está trabalhando comigo pra dar uma continuidade no trabalho, e a Fernanda formou-se advogada, casou-se agora há pouco tempo, também tem uma administradora de empresas de bens.

SONHOS

Projeto depois de passado um certo tempo de vida fica difícil. A gente fica, mais ou menos, desejando que haja uma continuidade do trabalho. Eu me realizei profissionalmente, comercialmente, através do meu pai, do meu irmão mais velho que me encaminhou, e eu espero também ter dado essa contribuição para que meus filhos tenham a sua atividade. É dar àquele dia a dia uma boa perspectiva, um bom exemplo de trabalho, uma parte moral. É o que se tem feito pra dar um sentido de vida.

REFLEXÕES SOBRE A ENTREVISTA

Meu depoimento não tem nenhuma novidade, mas faz parte de um grão de areia de como é que foi feito o comércio em São Paulo. Porque comércio é alavanca, no meu modo de ver. Alguém produz, alguém tem que vender. Seja produto agrícola, seja indústria, essa intermediação, desde o tempo dos Fenícios, no início do mundo, no início da história do mundo, essa intermediação sempre foi altamente necessária pra execução de toda essa história; e a história tem que ter registro. Com mais de uma dezena de depoimentos vocês vão formar um pouco, ao vivo, a história do comércio brasileiro. Por que brasileiro? Porque é São Paulo, aqui que começou. Nós temos tão poucas coisas, mas tão poucas coisas guardadas que alguém precisa fazer o registro.

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