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História

Uma redoma brilhante

História de: Lydia Leão Sayeg
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 24/05/2017

Sinopse

Lygia Sayeg tem origem familiar na Síria tanto por parte dos avós paternos quanto dos maternos. Seu sobrenome significa joalheiro e, neta de Leão Sayeg, aos dezoito anos de idade Lygia pôde abrir uma filial da Casa Leão Joalheria no bairro Jardins, definido por ela como o melhor da cidade de São Paulo, onde servia champanhe e pistache aos clientes. Nessa entrevista, Lydia conta a trajetória de sua família na cidade e como se adentraram no mercado de joias. Ela também relata as transformações da cidade em fatores como segurança e mercado.

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História completa

P/1 – Lydia, obrigado pela oportunidade de estar com a gente. Eu queria começar perguntando quem são essas duas pessoas que estão no quadro, além de você?

 

R – Meu nome é Lydia Leão Sayeg.

 

P/1 – Você nasceu quando?

 

R – Eu nasci em São Paulo. Sou brasileira, são-paulina, paulista e vim de avós sírios, por parte de pai e mãe. Esses são os meus avós paternos: vovô Leão Sayeg, fundador da Casa Leão Joalheria, que nesse ano de 2016 faz 104 anos, e essa é a vovó Genny, casada com o vovô Leão. O vovô Leão veio para o Brasil em 1912, eles se casaram e ele a cobriu de diamantes com esse vestido. Ele trouxe o tecido de Paris, feito pela Chanel. Não tinha os bordados que ele gostaria, então ele aplicou diamantes, como você pode ver na cabeça, aqui e, no corpo, pérolas. Dessa forma ele a pediu em casamento, com o tecido, e aí a mãe dela confeccionou. Esse foi um grande casamento na Avenida Paulista, na época. Onde era a casa dos meus avós hoje é o Ministério da Justiça - que eu estou amando, inclusive (risos) -, que eu frequento hoje em dia. A Operação Lava Jato, tenho muito orgulho de ser na casa dos meus avós, onde tudo começou, a história da família... E daqui nasceu a Casa Leão Joalheria.

 

P/1 – Ele já trabalhava com isso antes, no país de onde ele veio?

 

R – Tem três gerações para trás dele que já eram joalheiros. O nome Sayeg vem de sayigh, que é a profissão joalheiro, é a tradução do nome. Na Síria e em vários outros países o nome significa a profissão. Na Espanha também, em Portugal...

 

P/1 – Ele falava para você como ele chegou aqui?

 

R – Eu não o conheci. Infelizmente, o meu avô morreu em 1950. Até hoje eu transmito certo luto aqui na empresa, que é dia 31 de maio, o dia do falecimento dele. Eu tenho muito respeito por essa data, sou super consciente que devo tudo o que tenho e tudo o que sou a ele, às dificuldades que eles passaram, às viagens de navio. Ele e a minha avó, as economias... Porque os avós, naquela época, tanto por parte de pai como por parte de mãe... Eu costumo dizer que sou 100% síria, por parte de mãe e por parte de pai, de Alepo e de Damasco, tudo na Síria. Eu sei das dificuldades que eles passaram, foram cem anos para juntar o que hoje nós temos. Se hoje eu posso beber o melhor champanhe, se eu posso morar e trabalhar no melhor bairro de São Paulo, se eu posso andar nos melhores carros, eu devo a cem anos de trabalho. É muito bacana poder falar isso.

 

P/1 – A família fala mais ou menos como é que foi essa viagem?

 

R – Vieram de navio. Meu avô veio com a família Safra, com a família Safady, que eram Sefaradis. Lá na Síria era muito judeu, essa coisa da divisão cristã... Eu acho que todos nós fomos judeus um dia, aí nasceu Jesus Cristo e houve essa divisão, mas eu acho que religião não deveria ter divisão, deveria ser união.

 

P/1 – O seu avô passou o negócio para o seu pai depois?

 

R – Desde pequenos os filhos iam trabalhar com ele no centro da cidade e aprenderam o ofício. O meu avô era um estudioso e o meu pai se tornou o filho mais estudioso, que teve toda essa curiosidade por gemas preciosas e por pedras. Ele começou a trabalhar por correio – imagina, naquela época não tinha e-mail e essas coisas –, então ele começou a estudar no GIA, que é o Gemological Institute of America, para onde eu estou indo hoje, que é a nossa faculdade de Gemologia. Eu lembro, eu era pequena. O meu avô passou isso para o meu pai e o meu pai passou isso para a gente. O meu pai estudava na sala de jantar em casa, porque era o lugar que tinha a melhor luz, e as pedras chegavam por correio.

 

P/1 – Correio, nossa!

 

R – Mas naquela época não tinha essa roubalheira.

 

P/1 – Era menos perigoso.

 

R – Desses últimos doze anos de Brasil, chegava por correio, o meu pai estudava, tinha os líquidos voltava na caixinha e devolvia para a faculdade. Era maravilhoso. Também existia, aqui no Brasil, o Professor Rui Ribeiro Franco – que foi meu professor também, eu fiz dez anos de aula com ele –, que foi o maior gemólogo e geólogo da USP [Universidade de São Paulo], aqui na cidade de São Paulo.

 

P/1 – Você entrou nos negócios quando?

 

R – Eu tinha treze anos.

 

P/1 – Treze anos?

 

R – Treze anos. Quando eu comecei a trabalhar já ia para o centro da cidade, Rua Miguel Couto, número 14; eu pegava um ônibus que chamava Patriarca. Eu saía da escola, ia para lá, trabalhava e voltava com o meu pai para a casa dos meus pais.

 

P/1 – A loja sempre foi nesse lugar?

 

R – A loja ficou lá cinquenta anos, depois eu abri minha própria loja. Com dezoito anos abri uma loja grande: de dezesseis metros quadrados eu fui pra seiscentos, com estacionamento ao lado, porque eu já gostava dessa coisa grandiosa (risos). Abri nos Jardins e, por incrível que pareça, os clientes do meu pai do mercado de valores, de bancos, do centro da cidade, da Líbero Badaró, da São Bento, queriam ser atendidos na loja dos Jardins, porque lá eu servia uísque, pistache, servia champanhe. Eu achava que esse mercado que eu trabalho traz todos os sentidos, que são a visão, o olfato, o tato, aguça tudo, então acho que a gente tem que trabalhar com tudo ao mesmo tempo.

 

P/1 – Como era o mercado e os clientes na época do seu pai e como foi na sua época? Mudou?

 

R – Mudou muito. Eu acho que antes existia a cultura da joia pelo momento, por marcar uma data importante na vida da filha, da esposa, no dia do casamento, no nascimento dos filhos, no pedido de noivado. A joia era uma tradição familiar, um momento de muito respeito, então estou te dando essa preciosidade não por valor, por dinheiro, nada disso, nada por ostentação, e sim para ficar, para ser um patrimônio, para que você sempre se lembrasse do seu pai, da sua avó, do seu marido, com amor e com carinho. Isso eu vivi um pouco, mas acredito que tudo muda. O governo, que muda a consciência das pessoas, muda o respeito, a hierarquia... Lógico que adoro tecnologia, adoro tudo moderno, quero a cura do câncer, quero a cura de tudo. Apesar que tem a cura de tudo e não conseguem matar um simples mosquito, tem ciclovia e o bueiro tá sujo... Mas não vamos falar sobre isso, apesar que isso é São Paulo. Tudo foi mudando, os valores foram mudando e eu, infelizmente, acompanhei essa mudança.

 

P/1 – Reflete no mercado?

 

R – Essa mudança trouxe para o mercado joalheiro algumas adaptações. A Casa Leão Joalheria, por ter 104 anos, tenta trazer isso de volta. Eu não abro mão disso porque eu trabalho muito mais por prazer, conhecimento e história do que por ter 150 ou cem lojas, eu não quero isso. Eu sei exatamente o que família Sayeg, a tradição da Casa Leão Joalheria e a tradição síria quer continuar aqui em São Paulo.

 

P/2 – Lydia, como foi passar a sua infância em São Paulo? Você seguia alguma tradição da sua família ainda? Como foi ser criança e jovem em São Paulo?

 

R – Foi maravilhoso. Eu estava falando isso hoje: vim de uma época que nós morávamos numa rua, eu morava com a família Bordon, na esquina, onde não tinha grade, era tudo grama, em que o guardinha entrava, passava e apitava pra falar para a gente que ele tava fazendo uma ronda, em que os cachorros ficavam soltos e a gente andava de bicicleta na rua, não precisava de ciclovia para um não matar o outro. Aí é que tava o respeito com a criança, com o velho; o carro brecava para você atravessar a rua. Não precisava ter o preconceito para ter o respeito, o respeito era algo natural. Onde os meus pais iam jantar, a minha mãe saía carregada de joias e voltava viva, não era obrigada a entregar num farol porque o outro não trabalhou trinta anos e queria a joia dela. Eu vim de uma época, de uma infância muito feliz, em que todos os vizinhos eram amigos, em que os portões e as portas ficavam abertos para que um almoçasse na casa do outro. Eu sempre amei São Paulo, fiz FAAP [Fundação Armando Alvares Penteado], estudei numa escola católica, nós íamos à Igreja da Cruz Torta... Era uma vida muito gostosa em São Paulo, sempre foi. Eu ia de corrente de ouro de ônibus para a joalheria do meu pai. Isso é um espetáculo, era uma coisa... Esse é o certo, era muito bacana e gostoso.

 

P/2 – Qual é a sua lembrança da Cidade de São Paulo nessa época? Vocês iam em algum lugar específico pra se divertir, como lazer? Qual é a tua percepção de alguma situação ou lugar específico na cidade que você tem saudade?

 

R – Eu lembro da minha rua. Engraçado, eu fui uma criança de rua, de andar com o cachorro... Eu lembro muito que a minha professora de ginástica – eu tenho 48 anos, me formei há trinta – até hoje vem aqui comprar joias. Nós fazíamos aula e todo mundo tirava as correntes, Rolex presidente de ouro, punha no balcão da escola para jogar handebol, para jogar vôlei... Olha que maravilha: acabou a aula, vai lá, põe a sua corrente, seu Rolex. Quer lembrança melhor do que essa, do que você ir pro clube com uma carro conversível? Eu sempre estou associando joia porque a gente usava muita joia. Eu ia com a minha mãe à feira, a minha mãe ia com um anel de cinco quilates, fazia feira com brilhante no dedo, era muito bacana. As minhas lembranças... Andava com o meu pai no Vale do Anhangabaú, a loja era na Miguel Couto, número 14, a gente atravessava, era muito bom, Praça da República, ia no Teatro Municipal... Eu fui bailarina do Cisne Negro, professora Hulda Bittencourt, nós dançávamos no Teatro Municipal na ponta. O meu pai largava a gente uma, duas quadras, ia a pé, eu e a minha irmã. A gente ensaiava e oito horas da noite tinha apresentação. Não tinha preocupação, não existia. Saía para comer lá na frente e voltava, eu, a minha irmã e todas as bailarinas. A cidade era dos trabalhadores de verdade, daqueles que trabalhavam de fato, das pessoas normais. Era tudo gostoso, sabe? Era maravilhoso. As praças eram limpas, foi uma época muito boa. Eu lembro do Mappin... Eu só tenho 48, parece que eu tenho mais, mas eu lembro porque trabalhei no centro da cidade alguns anos. Nos Jardins, quando eu ia a pé, cheia de joias, no Santa Luzia fazer compra, até a Rua Augusta... Eu fazia a feira da Barão de Capanema a pé, cheia de jóias, andava a Oscar Freire inteira. Alguém me explica o que aconteceu em São Paulo? Assim, eu sou verde, amarelo e azul; eu sou azul, eu sou verde, eu sou amarelo, mas eu não sou vermelha, nunca. O meu coração está sofrendo, o Brasil está sofrendo, e São Paulo, que é o maior PIB do Brasil, que sustenta o Brasil, está muito sofrido. Está sujo, está tomado. Eu amo São Paulo, mas eu quero o meu São Paulo de volta. É muito triste. Eu sei que esse depoimento vai ficar para sempre, mas esses anos de 2000 até 2016 estão muito tristes. É uma pena que pensem em pichar em coisas tão... Ao invés de restaurar nobres monumentos, museus… A Casa da Bandeira, a Casa dos Bandeirantes, tudo abandonado... É a nossa história, gente. É muito bonita.

 

P/1 – Para você, qual a relação do brasileiro com a joia hoje?

 

R – Eu acho que está difícil eles entenderem o valor da joia. As pessoas viraram preço e dinheiro, elas esquecem que a melhor coisa da vida são aquelas que têm valor, e não exatamente preço. Talvez a gente consiga retomar isso, mas atualmente – se você quer saber a verdade, porque eu nunca falo mentira –  a relação, medo... Infelizmente, eu tenho que dizer a verdade...

 

P/1 – Tente resumir para nós a importância de São Paulo na sua vida.

 

R – São Paulo fez a minha família e tudo o que eu tenho hoje. Eu devo tudo a São Paulo, recebeu meus avós... É por isso que estou tão mexida, triste e ajudando os imigrantes sírios. Eu preciso devolver para essas pessoas o que São Paulo fez pela vó Lydia Tomani Elias, pelo vovô Roberto Elias, pelo vovô Leão Sayeg e pela vovó Genny Bonduki Lotaif Sayeg. Quero dizer uma coisa que vocês não sabem: o vovô Roberto Elias era dono do Armarinhos Fernando, na 25 de Março, que é o lado da minha mãe. Todo mundo só pensa do lado joalheiro, mas o nosso avô Roberto que tinha o Armarinhos Roberto, vendeu para o Seu Fernando Esquerdo, que faleceu há dois anos, infelizmente... Excelente trabalhador, um senhor português. Aí se tornou Armarinhos Fernando, mas a propriedade é nossa e está alugado lá para eles. É uma grande história, o vovô Roberto também fez uma grande história aqui. Pai da minha mãe e meu avô, formou as filhas há cinquenta anos atrás: a tia Lucy assistente social, a tia Laís pediatra, a minha mãe advogada – todas na USP – e a tia Leila psicóloga. A minha mãe se formou com o Ives Gandra Martins.

 

P/2 – Lydia, hoje, o que tem melhor em São Paulo para você? Uma coisa que só em São Paulo tem e que não tem mais em nenhum outro lugar do mundo.

 

R – A Casa Leão Joalheria (risos). Gente, é verdade! Eu vou dizer que é um termo de constatação, eu considero hoje a Casa Leão Joalheria a melhor joalheria do Brasil e de São Paulo.

 

P/2 – Mas da cidade.

 

R – Fora o meu metiê.

 

P/2 – Uma coisa que São Paulo oferece pra você. Qual é a melhor e a pior coisa para quem não conhece São Paulo?

 

R – O melhor de São Paulo é a gastronomia, eu acho que como em São Paulo não exista no mundo, e olha que eu viajo muito. A gastronomia de São Paulo, o horário, atendimento, não existe. O pior de São Paulo são os vagabundos acharem que estão com a razão, é uma pena.

 

P/1 – Quais são os seus sonhos hoje, Lydia? O que você tem planejado para o futuro?

 

R – Meu sonho seria não ter muros. Eu acho que qualquer terra, qualquer mundo, eu acho que todo brasileiro, todo alemão, todo austríaco, todo francês tem que lembrar de que sangue eles são feitos. Não tem mais raça pura, então eu acho que todos eles têm que se lembrar de onde os avós e bisavós deles vieram. Não pode existir muro, eu acho que todos temos que dar a mão e não deixar ninguém morrer como imigrante. Meu sonho é que as pessoas deixem de ser tão ignorantes, porque a impressão que eu tenho é que esses políticos corruptos, que estão muito concentrados aqui no Brasil, de alguma forma entram no cérebro das pessoas – às vezes eu acho até que eles drogam. Eu tenho muito medo de droga, de lavagem cerebral, isso é uma coisa que está acabando com o Brasil. O meu sonho era ver o Brasil de vinte, trinta anos atrás, onde morriam poucos, e não 57 mil inocentes por ano. Morria 126.

 

P/1 – Pessoalmente, para a sua família e seus negócios, quais são os seus sonhos?

 

R – Você tem que entender: quando o mundo ficar melhor, para mim, para a minha família e para os meus negócios vai ser automático. Eu não quero nada pessoalmente, eu sempre penso no mundo: quando todo mundo tiver bem, tudo melhora, a segurança... Eu tenho uma frase muito séria, que o rico tem obrigação de gastar. Todo esse erro desse ódio que as pessoas incompetentes, que não conseguem fazer dinheiro – são incompetentes, né –, elas precisam roubar de alguma forma, seja politicamente, seja com lavagem cerebral, seja assaltando. Tem várias formas de roubo, de furto, até se eu menti para você eu estou furtando a verdade, estou furtando informação, é um tipo de roubo. Eu tenho uma crença no seguinte: não podem existir conceitos criados por pessoas preconceituosas, então a maioria dos preconceitos são conceitos criados por pessoas ignorantes. O preconceito ao rico é um dos piores preconceitos que pode existir, ele é o causador de todo problema econômico do mundo. O rico, quando deixa de gastar, causa miséria, desemprego, parada nas indústrias, falta de produção. Para tudo. O topo da pirâmide, quando para de jorrar dinheiro, todo mundo vai para a miséria: é uma coisa tão óbvia isso, então eu acho que foram criados muito preconceitos que não existiam antigamente. Eu acho que a sociedade andava “Muito bem, obrigada.” Eu acho que tem muita coisa que... O que se faz ali, aqui, não precisa ser tão exposto, não tem necessidade. Eu acho que está faltando muita educação no mundo, está faltando muito respeito. Aquilo que eu te falei: eu acho que, se o mundo se resolve, de uma certa forma vai me beneficiar, vai beneficiar a vida do meu filho, da minha filha... Eu tenho que pensar para a frente, eu já estou acabando. Eu tenho que pensar num mundo melhor para eles, menos falsidade. Sabe aquele ecochato? “Eu sou zen, eu não uso isso”, vai para a praia com os amigos e larga as latas de cerveja no chão. Querido, é muito complicado.

 

P/1 – Tá certo, obrigado, viu, Lydia.

 

R – Imagina.

 

P/1 – O museu agradece você.

 

R – Eu agradeço muito a oportunidade.

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