Busca avançada



Home / Entenda / História

1997-2003



| NOVOS PRODUTORES DE MEMÓRIA

Quando construímos nosso primeiro site na Internet, em 1996, reproduzimos a lógica do fluxo de informação característico dos jornais, livros e TV. Nos comportamos como emissores de conteúdo tradicionais, pois nosso esforço inicial foi o de colocar as entrevistas realizadas em nosso primeiro site. O site tinha uma página com uma história que trocávamos a cada semana, mas a participação do usuário estava restrita a enviar algum comentário. 

No entanto, ainda em 1997, percebemos que a Internet significava uma mudança de paradigma, pois abria ao internauta a possibilidade de registrar sua própria história. Iniciamos então a primeira versão da seção “Conte sua História”, que incentivava os leitores a participar e criar novos conteúdos para o site. Para popularizar a iniciativa, fazíamos uso das grandes datas comemorativas - Dia das Mães, Dia dos Pais, aniversários, Dia da Consciência Negra, etc. As histórias eram enviadas por email e colocadas no ar via programação HTML.

 

Apesar do país não possuir uma tradição em cultura escrita e, naquele momento menos de 20% da população ter acesso à internet, vinham histórias. Bem escritas e delicadas. Muitas vezes eram histórias de amor, de avós e avôs ou de nascimento de filhos após uma grande fase de superação pessoal. 

Nossa maior estrela daquele momento foi Dona Neuza (veja seu blog aqui), uma professora aposentada que, com mais de 70 anos,  já organizava de forma precisa e sistemática, a história de sua família. Dona Neuza tinha um quarto cheio de caixas com cadernos, recortes, temas variados. Ela se tornou nossa primeira grande colaboradora permanente.

Queríamos, naquele momento, contribuir fortemente com o que denominamos a “democratização” da construção de nossa memória social. Percebíamos claramente nossos limites se nos mantivéssemos como produtores quase que exclusivos de nossos conteúdos. O que mais poderíamos fazer para disseminar a ideia? Como nossa metodologia poderia ser utilizada para que grupos sociais diversificados pudessem, eles próprios, registrar suas histórias?

Foi em meio a essas questões que começamos a trabalhar para formar novos produtores de memória. O primeiro programa chamava-se Agentes da História e era voltado para ensinar idosos a entrevistar outros idosos. Mas nosso maior objetivo era a escola, mais precisamente a escola pública. 

Criamos em 2001, em parceria com o Instituto Avisa Lá, o programa Memória Local, que forma professores de escolas públicas do ensino fundamental de forma a que eles façam um projeto de memória com seus alunos. O projeto reproduz, em grande parte, a dinâmica de pesquisa utilizada no Museu da Pessoa.

Após uma série de discussões e leituras (são realizadas práticas de leitura, construção de bibliotecas sobre memórias e biografias), os alunos passam a pesquisa e, a partir daí, cada turma “escolhe” alguém da comunidade para ser o grande entrevistado. Os alunos discutem o que é um roteiro, uma história de vida, trazem seus pais para narrar suas histórias, aprendem algumas posturas de entrevista, organizam suas curiosidades, fazem muitos exercícios de desenho e em times (uns entrevistam, outros desenham...)  partem para realizar a “grande entrevista” que, uma vez realizada é processada pelos próprios alunos. Todo o material sofre um processo de curadoria e é organizado em uma coleção virtual no site do Museu da Pessoa. Os textos escritos e os desenhos são transformados por um cenógrafo uma exposição em local público da cidade.

| Conheça as exposições dos projetos de Memória Local aqui

O Brasil, na virada do milênio, refletia, de muitas maneiras, as políticas públicas da década de 50. Uma grande parte das empresas e instituições completava, naquele período, 50 ou 60 anos e, algumas estavam, inclusive, sendo privatizadas. E é nesse contexto que começamos a fazer grandes projetos de memória corporativos. A mesma metodologia que utilizamos para contar a história do São Paulo Futebol Clube ou do comércio no estado foi aplicada para construir esses projetos.

De início fazíamos sempre uma pré-pesquisa para, em uma linha do tempo simplificada, identificar os grandes marcos da trajetória da empresa. Identificávamos a cadeia produtiva da instituição e, em um mapeamento, fazíamos uma grade de nomes que representassem diferentes momentos históricos da empresa, cargos e funções. Em seguida, fazíamos as entrevistas, todas de história de vida. Do conteúdo de pesquisa e das histórias, nasciam os produtos: centros de memória físicos e virtuais, livros, exposições, vídeos, etc.

Os projetos de memória realizados junto a Petrobras, a Vale, a Votorantim, ao Grupo Algar e ao Sindicato de metalúrgicos do ABC foram alguns dos destaques desses períodos.





Rua Natingui, 1100 - São Paulo - CEP 05443-002 | tel +55 11 2144.7150 | fax +55 11 2144.7151 | portal@museudapessoa.net
Licença Creative Commons

Museu da Pessoa está licenciado com uma Licença
Creative Commons - Atribuição-Não Comercial - Compartilha Igual 4.0 Internacional