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2004-2008



| CONECTANDO REDES 

No início dos anos 2000, após quase 20 anos do final da ditadura, o cenário de produção cultural do País transformou-se completamente. Museus comunitários, resgate de raízes e valorização dos patrimônios intangíveis do Brasil passaram a ser entendidos, tanto na esfera oficial e acadêmica quanto pelos movimentos sociais como um eixo fundamental para o desenvolvimento social de comunidades.

Passamos, então, a revisitar nosso papel como Museu e a nos preocupar em “articular” as iniciativas, para que as histórias se conectassem e servissem como um forte eixo mobilizador de grupos sociais diversos. Esta preocupação nos levou à iniciativa Brasil Memória em Rede, que envolveu diretamente cerca de 100 organizações em todo país para articularem suas ações em torno da memória. Em 2007, o Museu da Pessoa tornou-se um “pontão” de memória, que possibilitou a construção de pólos regionais de memória, responsáveis pela articulação de projetos de memória em seus territórios. 

Durante este mesmo período, nos envolvemos ainda com mais alguns outros movimentos de rede, mais precisamente o movimento Um Milhão de História de Vida de Jovens e as campanhas do Dia Internacional de Histórias de Vida, promovidas pela rede internacional de Museus da Pessoa com alguns parceiros. 

O movimento Um milhão de Histórias de Vida de Jovens nasceu de uma parceria com uma organização da sociedade civil, Aracati,  focada em mobilização juvenil.  Com a metodologia desenvolvida por Joe Lambert e pelo Center of Digital Storytelling e com o apoio da Fundação Kellog convidamos organizações de juventude para uma formação. A ideia era estimular os próprios jovens dessas organizações a se tornarem facilitadores de círculos de história e a criarem suas histórias para serem compartilhadas em uma plataforma digital. Mais uma vez, ainda que já bastante desenvolvido, o desafio de inclusão digital era muito grande. Os jovens, muitas vezes, faziam suas histórias em rádio, em versos, em cordel e, ao invés de transformá-las em parte de uma plataforma digital, faziam um varal de histórias ou um festival de teatro. A articulação política das histórias era um eixo fundamental e algumas organizações chegaram a ter parcerias com as TVs locais. 

Neste mesmo período, a Rede Internacional de Museu da Pessoa chegava em seu melhor momento. Com início em 1999 em Portugal, nos EUA em 2001 e em Montreal em 2003, os "Museus das Pessoas" nasceram de forma espontânea e, a partir de um contato e de uma capacitação de equipe, tornaram-se autônomos. As iniciativas eram ligadas a instituições locais como a Universidade do Minho, a Universidade de Indianna e o Centro de História de Montreal. Mas foi em 2007, durante um encontro em Montreal, que discutimos a ideia de constituir um Dia Internacional de Histórias de Vida que a rede se consolidou.

Em 2010, lançamos uma plataforma digital que permitia, por meio de um Google Maps, a inserção colaborativa da iniciativa. Ao final de nossa última versão, em 2012, havíamos mobilizado cerca de 30 países e mais de 220 organizações. 

Nesta nova fase, nosso esforço passou a ser o de constituir não mais apenas uma rede de histórias, mas também uma rede de organizações. Parte deste processo implicou em sistematizar, de forma muito simples, a metodologia que usávamos, pois descobrimos que grande parte dessas organizações “praticavam” o registro de histórias, mas que possuíam poucas ferramentas para processá-las e transformá-las em um acervo público e acessível.

Dessa necessidade nasceu o que hoje chamamos de Tecnologia Social da Memória, uma forma de transformar os conceitos e as ideias em práticas de forma a que grupos sociais variados pudessem apropriar-e de nossas metodologias. 




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