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Prazer compartilhado pela palavra



Você já viu o Instagram do Museu da Pessoa? Navegando por lá (confesso: criei um perfil com meu novo nome, me dobrando às redes sociais) vi a história de uma pessoa com que me identifiquei muito. É o Bartolomeu Campos de Queirós, escritor nascido em Minas Gerais em 1944. "A palavra nunca escreve tudo que a emoção sente". Bonito. Eu te entendo, Bartolomeu. Quanta emoção tenho aqui dentro! E as 26 letras do alfabeto não bastam para expressá-las!

Conta o Museu, aqui no site, que "as primeiras palavras de Bartolomeu foram escritas com carvão, no muro de sua casa. Depois, escreveu muitas histórias, livros, tornou-se escritor e foi viver dos seus textos. Mas para ele a palavra nunca esgotou seus sentimentos". Viver dos textos já é uma delícia. E nessa delícia vamos vivendo - ainda tentando entender quem sou eu neste mundo. "Minha vida de escritor é uma vida que só aparece mais tarde. Toda a vida fui um bom leitor, gostava muito de ler. Até hoje eu digo sempre que eu acho que ler é superior a escrever. Eu gosto muito mais de ler do que escrever".

Bartolomeu aprendeu a ler e a escrever com o avô paterno. "Eu era o neto preferido dele. Ele era um pensador. Vivia na janela de casa olhando o povo passar e observando a cidade. Observava muito a cidade e escrevia nas paredes da casa tudo o que acontecia na cidade. Foi aí que eu aprendi a ler. O meu primeiro livro foi a parede da casa do meu avô. Lá eu aprendi a ler".

"Eu perguntava pro meu avô: 'Que palavra é essa? Que palavra é aquela?' E ele ia me contando e eu ia decifrando. Tinha o muro do quintal, eu usava o carvão que sobrava do fogão à lenha. Ia escrevendo no muro as coisas que ia aprendendo, repetia no muro da casa dele. Meu avô me ensinava que com as 26 letras do alfabeto eu podia escrever tudo o que eu pensava. Eu achava muito pouca letra para escrever tudo. Então eu estava sempre pensando uma palavra que eu não desse conta de escrever", conta, passeando pelas letras e palavras num bonito depoimento.

Riscadas no carvão, as palavras viraram paixão. "Meu exercício de infância com as palavras era esse, de pensar uma palavra que eu não pudesse escrever. Até hoje eu acho que é isso, essa tentativa que eu faço na literatura. Saber que a palavra não esgota". Aos 11 anos ele teve um professor que lia e analisava Machado de Assis, José Lins do Rego, José de Alencar com entusiasmo. "Eu acho que o que eu sei hoje de literatura eu devo a ele", diz.

Bartolomeu conta que lia "tudo" - os livros que apareciam em casa, o jornal da cidade que o pai trazia embrulhando alguma coisa, a Bíblia, tudo. "Lá em casa a gente tinha essa liberdade. Não havia censura de leitura, não". Sei como é, Bartolomeu! Ler é viajar. E só escreve quem viaja na leitura. Serei eu um escritor? Confesso para você, caro leitor: escrever pode não me trazer as respostas que busco, mas abre portas fantásticas para mundos que outro dia eu nem sonhava existirem




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