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Quem nunca foi Carlinhos que atire a primeira pedra



Na calçada da avenida Paulista, a mais movimentada de São Paulo, havia desenhos de carros, aviões, equações, partituras e muitas outras genialidades de Carlinhos, que por sinal também estava lá e passava por despercebido por todas as pessoas. Ele estava descalço falando com alguém de sua imaginação ou consigo mesmo e vestia bermuda jeans e uma camisa pólo azul com listras verdes e brancas.

Carlinhos foi um dos que conversaram com o SP Invisível e teve a sua história contada na página: “Sou um artista, componho, escrevo livros e desenho alguns carros e aviões também”. Filho do amor de um russo com uma parisiense, o homem de 35 anos escreveu obras para o cinema como “Lágrimas de Sol” e “O Pianista”. Além de cineasta, ele também é arquiteto e diz, “Sabe esses jatos que hoje atacam o Iraque e a Síria? Fui eu quem desenhei também, eles vieram para o Brasil, viram meu desenho de avião e construíram sem eu saber”. Isso é só um pouco dos dons de Carlinhos, ele também é um ótimo compositor. Para saber mais, procure-o na Avenida Paulista.   

No final de sua história, ele já adianta o que virá nos comentários nas redes sociais, “a gente não tem voz sobre as nossas obras”, e antecipa as risadas e os comentários preconceituosos como “O que esse moço andou usando?”, “Olha a brisa desse maluco” ou até “Deve ser ele que inventou o crack também”. A questão não é se a história de Carlinhos é verdadeira ou não, é pensar, quão parecidos nós somos iguais a ele? Quantas vezes não gostamos da nossa realidade e tentamos viver outra? Carlinhos, defenda-se já no “tribunal do Feicibuqui”!          

O que o Carlinhos fez foi apenas contar sua história da maneira que melhor lhe convém para fugir da realidade que tanto o maltrata. Peço licença à Suassuna para dizer que o Carlinhos é um Chicó paulistano, ou melhor, francês. Quantas vezes não vemos as pessoas na nossa timeline fazendo isso? Quantas vezes não fazemos isso com opiniões, fotos, textos? Com tanta informação que corre no “Fakebook”, fica difícil saber se foi Carlinhos ou Polanski que fez “O Pianista”; fica difícil saber se a pessoa tem grana mesmo para sempre viajar e comer nos melhores restaurantes ou se finge ter; se ela é realmente engajada ou finge ser; se tal opinião é da pessoa mesmo ou se só reproduz. Fica cada vez mais tênue a linha entre vida real e virtual com tanta informação e necessidade de aceitação. E ainda dizem que o Carlinhos que é esquizofrênico.

“Taca pedra no Carlinhos”, ele é acusado de fugir da realidade de que nós tanto queremos sair. A verdade é que ele é um artista e encontrou uma maneira lúdica de lidar com seus problemas e com a rua. A arte é necessária para reinventar uma maneira de viver e fugir da rotina que nos mata. A questão é saber que, de certa forma, somos todos covardes e às vezes não querermos enfrentar a vida como ela é. Não há nada de errado nisso, somos todos iguais ao Carlinhos nesse quesito. Constantemente nos vemos saindo da vida por meio de um trago, um gole, uma religião, uma arte, uma ideologia, uma utopia... Quem nunca foi Carlinhos que atire a primeira pedra.  

Confira a história do Carlinhos no SP Invisível.





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