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Museu da Pessoa no Arquivo Ártico Mundial



O Museu da Pessoa, um dos primeiros museus virtuais do mundo, com acervo digital de quase 20 mil histórias de vida e cerca de 60 mil imagens que ajudam a preservar a memória oral do Brasil dos últimos dois séculos, foi convidado a depositar 100 horas de seu acervo no Arquivo Ártico Mundial, repositório para a memória mundial baseado na remota ilha de Svalbard, na Noruega. A cerimônia de entrega desse conteúdo ocorreu na quinta-feira, 21/02.

Um extrato da coleção “Memória de Brasileiros e Brasileiras”, composto por mais de 2000 fotos digitalizadas e 300 histórias de vida registradas entre 2006 e 2016, foi levado para o Arquivo Ártico Mundial pela diretora e fundadora do Museu da Pessoa, Karen Worcman, acompanhada por Lucas Lara, coordenador de Museologia. As histórias haviam sido gravadas em expedições que passaram por 42 cidades em 14 estados do território nacional. Além disso, por entender o valor dos saberes tradicionais para o desenvolvimento da cultura brasileira e a ameaça atual aos povos indígenas, também foram incluídas 11 entrevistas realizadas com lideranças indígenas de várias etnias do Brasil. O conteúdo foi selecionado em homenagem ao Ano Internacional da Moderação e das Línguas Indígenas, escolhido pela Organização das Nações Unidas (ONU) para 2019.

“O Arquivo Ártico Mundial preserva o que há de mais precioso para a Humanidade. Incluir a memória de nosso País por meio da história de pessoas comuns é uma inovação brasileira e significa compreender o valor de cada pessoa para a construção de uma sociedade”, explica Worcman. “Daqui a 500 anos será possível saber como viviam, pensavam e sentiam os brasileiros de todas as classes, regiões e gêneros por meio dessa democratização da memória.”

Dentre os depoimentos que foram para o Ártico estão os de Ailton Krenak, líder indígena, ambientalista e escritor; Geraldo Prado, criador da maior biblioteca rural do mundo, Valdete Cordeiro, lavadeira e criadora do grupo “Meninas de Sinhá”, que reúne mulheres idosas da periferia de Belo Horizonte para cantar músicas de ciranda da tradição brasileira; Alphonse Wanyembo, refugiado do Congo e professor do projeto “Abraço Cultural”, que emprega refugiados como professores de suas línguas nativas; Elenice Fernandes, vítima de escravidão contemporânea; Laerte, uma das mais conhecidas e importantes quadrinistas do Brasil; Amyr Klink, navegador brasileiro, palestrante, escritor e o primeiro a fazer a travessia solitária do Atlântico Sul, em 1984; e Joselita Cardoso, líder nacional dos catadores de papel.

As histórias do Museu da Pessoa vão da construção de Brasília às tradições ribeirinhas na Amazônia; das lembranças de trabalhadores escravos ao processo imigratório e migratório do país; dos detalhes do processo de criação artística das bonequeiras do Vale do Jequitinhonha ao saber das rezadeiras, benzedeiras e parteiras.

Depósito seguro

O Arquivo Ártico Mundial é um cofre à prova de desastres, situado em uma montanha ártica, um dos lugares geologicamente mais estáveis do mundo. Criado para garantir que a memória digital mundial esteja disponível para as gerações futuras, a iniciativa é uma colaboração entre a Piql, companhia especializada em preservação digital de longo prazo, e a Store Norske Spitsbergen Kulkompani, estatal de mineração norueguesa baseada em Svalbard.

O depósito é um local seguro onde os dados estarão disponíveis quando todos os outros sistemas falharem, já que a tecnologia armazena dados digitais (bits e bytes) em filmes fotossensíveis de 35mm que, futuramente, poderão ser extraídos manualmente com uma câmera, fonte de luz e computador, e que podem durar por mais de 1000 anos, com acessibilidade garantida.

Diversas nações e organizações já depositaram cópias digitais de seus dados mais preciosos no Arquivo, incluindo manuscritos da Biblioteca do Vaticano, “The Scream”, de Edvard Munch, discursos de Albert Einstein, obras de arte contemporâneas, a Lei Áurea brasileira e muitas outras memórias.

“Pensamos o Arquivo Ártico Mundial como uma forma de garantir que nunca perderemos itens de valor histórico e cultural. Os itens contribuem para uma imagem mais rica da nossa era para as futuras gerações”, explica Rune Bjerketrand, diretor administrativo da Piql.

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) reconheceu valor no Museu da Pessoa, assim como a inovação que ele representa no campo de preservação do patrimônio. Por isso, decidiu apoiar a digitalização do seu acervo, incluindo o extrato que será depositado no Ártico. “Trata-se da construção da nossa identidade e nossa história por meio das histórias contadas por pessoas comuns, reconhecida como Tecnologia Social da Memória. Por esse motivo consideramos esse rico acervo como um patrimônio”, afirma Luciane Gorgulho, chefe do Departamento de Educação do BNDES.

** Visite www.museudapessoanoartico.com (em português) ou www.museumofthepersoninthearctic.com (em inglês)

** Assista ao vídeo da inauguração do Arquivo Ártico Mundial, em 27/03/2017: https://vimeo.com/232016766




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