Apresenta a coleção Memórias do Comércio


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1500 a 1800: A cidade estagnada

1500: Diz a historiografia, baseada nos relatos dos primeiros europeus a habitar estas terras, que existiam três núcleos indígenas tupiniquins principais no atual território paulistano: Ururaí, Inhapuambuçu e Ibirapuera.

1554

 

 

 

   Fundação de São Paulo, obra executada por Oscar Pereira da Silva em 1903.

 

 

 

 

São Paulo é fundada a 25 de janeiro, na colina que os índios chamam Inhapuambuçu, entre os Rios Tamanduateí e Anhangabaú, por José de Anchieta (1534-1597) e Manoel da Nóbrega (1517-1570). Com eles estrutura-se uma missão e um colégio voltado para a catequese dos indígenas. Os moradores em volta, índios e alguns brancos, vivem do milho, feijão, mandioca, caça e pesca. Com seis anos, o povoado torna-se vila. A meio caminho entre a área do Colégio dos Jesuítas e os aldeamentos de São Miguel do Ururaí e de Nossa Senhora da Conceição de Guarulhos, a região que corresponde ao atual bairro da Penha certamente era bastante conhecida pelos habitantes dessas três localidades à época da fundação da Vila de São Paulo de Piratininga.

1556

Dois anos após a fundação de São Paulo, foi construída uma ponte de madeira sobre o Rio Tamanduateí, no final da atual Rua Tabatinguera. Assim, os colonos portugueses passaram a ocupar a região onde hoje se localiza a Mooca.

1560
 
   

Imagem do jesuíta José de Anchieta, considerado um dos fundadores da cidade de São Paulo.

 

 

 

 

 

 

 

Em 1560 foi registrada a outorga de uma sesmaria urbana distribuída pela Câmara da então Vila de São Paulo de Piratininga para Antonio Rodrigues de Almeida, sua esposa, Maria Castanho, e suas duas filhas. A sesmaria recebida pela família estendia-se por uma ampla área que, ao que tudo indica, deve incluir parcialmente áreas de Santa Ifigênia, Paissandu, Avenida São João e Arouche.

 

O padre José de Anchieta, durante uma de suas visitas ao aldeamento também conhecido como Nossa Senhora da Assunção de Ibirapuera - localizado na sesmaria de Jeribatiba -, propôs que se constituísse no local um povoado, visto o grande número de índios catequizados e colonos portugueses. Ainda no ano de 1560, no ponto central desse povoado foi construída uma capela que, após a doação feita pelo casal João Paes e Suzana Rodrigues de uma imagem esculpida em madeira de Santo Amaro, foi consagrada para sua veneração. A imagem encontra-se ainda hoje guardada na igreja matriz do bairro.

1606

É instalado o Engenho de Ferro de Nossa Senhora de Assunção, o primeiro do Brasil, no atual bairro de Santo Amaro. Era a presença de minério de ferro na região, em rochas quartzosas, que possibilitava a confecção de instrumentos para a lavoura e bélicos, tais como foices, machados etc. O Engenho de Ferro funcionou por 20 anos.

1622

Nesse ano, a pequena igreja construída a mando de Anchieta em São Miguel Paulista passou por uma reforma, quando se construiu um novo templo aproveitando as bases da antiga, conhecida como “Igreja dos Índios”. Essa nova construção foi batizada oficialmente com o nome de Igreja de São Miguel Arcanjo e marca o nascimento do bairro de São Miguel.

1631

Onde hoje está o bairro da Mooca, foi instalada uma olaria, empreendimento típico das localidades vizinhas a rios, que aproveitavam o solo argiloso das margens. Nos séculos seguintes, a Mooca manteve-se como uma localidade ocupada por chácaras e fazendas, cuja principal característica era ser um ponto de passagem para os viajantes que se dirigiam para as áreas a sudeste de São Paulo, em especial para a atual região do ABC paulista.

1668

Como muitos núcleos de ocupação do século XVII, a região onde hoje se localiza a Penha teve como seus primeiros moradores homens ligados às bandeiras. Dentre os fundadores da povoação da Penha, datada de 1668, dois nomes se destacam: Mateus Nunes de Siqueira e seu irmão, o Padre Jacinto Nunes de Siqueira. Uma capela erguida na fazenda do primeiro recebeu o nome de Nossa Senhora da Penha de França. Ao redor dela é que se formou um povoado de mesmo nome. Apenas na segunda década do século XVII, a região da Penha passou a ser novamente ocupada, através da doação de sesmarias efetuadas pela Câmara da Vila de São Paulo.

1711

A descoberta de ouro no início do século XVIII, nas Minas de Cataguases, trouxe grandes consequências para a Vila de São Paulo. As cidades costeiras de Santos e São Vicente - que exercia papel de capital da província - apesar de decadentes, tinham ainda prestígio político. Essa situação se altera com a descoberta de ouro. São Paulo passa a ser a capital da província, de acordo com Afonso D´Escragnolle Taunay, provavelmente por volta de 1709. Em 1711, por Carta Régia, a vila é elevada a cidade, mesmo ano em que a capitania fora recomprada pela Coroa ao donatário.

1754

É construída a Casa da Pólvora em local distante do centro, no atual Largo da Pólvora, motivo pelo qual até o século XIX o atual bairro da Liberdade ficou conhecido como Bairro da Pólvora. O fato da Casa da Pólvora estar aí localizada no início do século atesta o caráter de zona periférica da localidade.

1755

Instituição da Junta de Comércio durante a administração pombalina, que para Jorge Miguel Pedeira "marca um momento crucial para a institucionalização da distinção entre o grosso trato e o varejo", onde eram representados apenas os homens de negócio estabelecidos nas praças de Lisboa ou do Porto, estando excluídos os comissários de fazendas no Brasil.

1763

 

    São Paulo vista da Estrada do Rio, por William John Burchell em 1827.


 

 

Em 1763, o Rio de Janeiro passou a ser a capital da colônia e não fazia mais sentido que São Paulo ainda estivesse sob jurisdição do Rio de janeiro. Assim, em 1765 chegou ao Brasil D. Luís Antônio de Sousa Botelho Mourão, o morgado de Mateus. Com ele, São Paulo teve seu primeiro censo que apontou que a cidade tinha 14.760 habitantes, sem contar os escravos, que só foram contabilizados dois anos depois e somaram 6.100 pessoas Também são realizações do morgado de Mateus o estabelecimento de um serviço postal entre São Paulo e o Rio de Janeiro e a construção do Convento da Luz, a cargo de Frei Galvão.

1765

Ainda sob a administração do Marques de Pombal, o Colégio de São Paulo é confiscado e transformado em sede do governo da cidade, sendo seu primeiro morador o morgado de Mateus. Anos antes, em 1759, o Marques de Pombal já declarara extinta a Companhia de Jesus em Portugal e, consequentemente, também na colônia. O nome do local de Largo do Colégio passou a Largo do Palácio.

1788

A Junta de Comércio foi elevada à categoria de Tribunal Régio, com o nome de Real Junta de Comércio, Agricultra, Fábricas e Navegação, sendo transferida para o Rio de janeiro em 1808, quando da chegada da família real ao Brasil. Em 1809 a matrícula dos comerciantes tornou-se obrigatória, mas poucos se interessam em regularizar sua situação.

1800 a 1850: A cidade urbana
1800

 

 

 

   Planta da imperial cidade de São Paulo, em 1810.

 

 

 

 

 

 

 

 

É iniciada a construção da igreja da Consolação. Nove anos  depois, surgem placas nas ruas e numeração nas casas, providência solicitada pela Câmara Municipal para  facilitar a cobrança de impostos prediais.

1807

Chega ao Brasil e dirige-se a São Paulo aquele que é considerado um dos primeiros viajantes europeus: John Mawe, mineralogista e comerciante. Ao regressar a Londres, publica, em 1812, o livro Viagens ao Interior do Brasil. Em Santos, Mawe impressionou-se com a estrada que vence o paredão da Serra do Mar, a calçada do Lorena, construída por Bernardo José de Lorena, governador da capitania de São Paulo entre 1788 e 1797. De acordo com Roberto Pompeu de Toledo, na São Paulo de Mawe não havia espaço para a especialização do comércio, já que para ele "todos os comerciantes comerciavam com tudo. Havia poucos médicos, mas um bom número de boticários. Nos arredores da cidade, índios dedicavam-se ao artesanato de tigelas e jarros de barro, e lavradores modestos criavam porcos e galinhas".

1811

 

 

                                                                                                                        Vista do Largo do Arouche nos anos 20. 
                                                                                              Imagem cedida para CD-ROM Memórias do Comércio.

 

 

 

Neste ano o marechal José Arouche de Toledo Rendon, proprietário de uma imensa chácara que ia do beco do Mata-Fome até o largo que mais tarde seria conhecido como Largo do Arouche, comunica à Câmara Municipal que tomara a iniciativa de construir uma praça onde os milicianos pudessem fazer seus exercícios militares. A referida praça, chamada por ele de Praça da Legião, de um lado, e Praça da Artilharia, de outro, seria o local de assaltos simulados de treino de artilharia. Nesses mesmos terrenos, o marechal empreendeu a primeira grande plantação de chá de São Paulo. Seus conhecimentos sobre plantio o levaram a obter, em 1825, o cargo de inspetor do Horto Botânico, localizado no atual Parque da Luz.

1818

No dia 8 de junho foi criada a freguesia do Brás, e a capela do Senhor Bom Jesus de José Brás passa a condição de matriz. O bairro surge em torno dessa capela, erigida pelo português José Brás, no local conhecido como “paragem do Brás”, sem data definida. Nessa época, o bairro era marcado pela presença de chácaras para pequena agricultura miúda, de horta e pomares, também sendo utilizado como local de férias para famílias abastadas durante os meses de julho e dezembro. Nos outros meses, tais locais eram habitados geralmente por caseiros e escravos.

1820

Nessa época, São Paulo inicia sua expansão para o sul, em função do progresso e aumento populacional. No bairro da Liberdade surgem as primeiras ruas: Conselheiro Furtado, Conde de Sarzedas e Tamandaré. Após a instalação da Academia de Direto, em 1825, ocorreu grande afluência de estudantes de outras províncias dando início à instalação de repúblicas estudantis em ruas próximas à faculdade, como a Rua da Palha, futura 7 de Abril, e a Rua dos Estudantes.

1821

Francisco José das Chagas, conhecido como Chaguinhas, um dos participantes do motim do Primeiro Batalhão de Caçadores, ocorrido por falta de pagamento do soldo, foi trazido de Santos para São Paulo, condenado à forca. Esta, estabelecida no Largo da Forca, atual bairro do Liberdade, entrou para a história junto com Chaguinhas pelo fato de a corda romper-se duas vezes. O local deu origem à igreja de Santa Cruz dos Enforcados.

1822
 
Praça da Catedral, pintada por Edmund Pink, em 1823.

 

 

Em viagem de apaziguamento por conta de insatisfações advindas como consequência da Revolução Liberal do Porto, que trouxe ideias de monarquia constitucional para o Brasil, o príncipe regente, D. Pedro, viaja em agosto para São Paulo. Resolvida a questão, passa dois dias em Santos e, no retorno, às margens do riacho do Ipiranga, recebe correspondência de José Bonifácio de Andrade e Silva, informando que as Cortes Portuguesas (o Parlamento português instituído pela Constituinte), comunicavam que o príncipe regente deixaria de ter autonomia, numa clara tentativa de fazer o Brasil voltar à sua condição de colônia. Nesse contexto, Pedro I declara a Independência do Brasil.

1828
 
Detalhe do mapa da cidade de São Paulo, elaborado em 1877, com destaque para o Jardim Público.

 

 

 

 

 

Época de grandes mudanças na feição da cidade: em 1827 é instituída a Academia de Direito, no Largo de São Francisco, que, inaugurada em março de 1828, traz à cidade uma vida mais intelectualizada e mundana, com as reuniões dos estudantes e dos cafés ali instalados. Em 1825 era aberto para o público o Jardim da Luz, com 113.400 m², chamado à época de Jardim Botânico ou Jardim Público.O empreendimento revela a tentativa de transformar São Paulo em um vilarejo mais aprazível. Desde o século XVIII a Luz já era um local onde se realizavam as Feiras de Pilatos, que foram instituídas pelo governador Antônio Manuel de Melo Castro e Mendonça, o "Pilatos".

1833

A freguesia de Santo Amaro foi alçada à condição de vila, tornando-se independente e autônoma, seguindo a resolução da Assembleia Geral Legislativa da Província de São Paulo, que determinava a demarcação territorial e a criação do aparelho governamental necessário. Desde 1827 a região recebia imigrantes alemães como parte da estratégia de D. Pedro I de povoar o novo país com trabalhadores europeus. Em 1836, São Paulo tem 21.933 habitantes e 10 freguesias, entre elas o Brás, com 659 habitantes, quantidade modesta em comparação aos 5.668 moradores da freguesia da Sé.

1842

Em pleno Segundo Reinado, iniciado em 1840 com o Golpe da Maioridade, São Paulo, no dia 27 de abril de 1842, inaugura a iluminação com lampiões a gás. Em 1847, lampiões que eram alimentados com óleo e azeite foram substituídos por gás hidrogênio. Em 1847 ocorre a construção de um chafariz para abastecimento de água no bairro de Santa Ifigênia, a partir de uma fonte na quinta do Dr. Miguel Carlos, próxima à Rua 25 de Março. O chafariz perdurou até o ano de 1889, quando começaram as obras para canalização domiciliar.

1846

Também de acordo com Roberto Pompeu de Toledo, Ida Pfeiffer, austríaca, visitou São Paulo nesse ano e observou que o silêncio das ruas só era quebrado pelo som produzido pelos carros de boi. Estes partiam do Largo de São Gonçalo e seguiam o "Caminho de Carro", pelas atuais Avenidas Liberdade e Vergueiro. Eram os responsáveis não só pelo transporte de gêneros alimentícios das zonas rurais, como também de pessoas entre as localidades mais distantes e o centro da cidade.

1848

São realizadas obras de retificação do Rio Tamanduateí na esperança de diminuir o problema das enchentes, pois em época de chuvas, as águas subiam e inundavam as margens do rio, redundando em imensas várzeas. De acordo com Roberto Pompeu de Toledo, nessa época, "o comércio ganhou impulso, e isso basicamente porque havia algo de novo, no setor: uma significativa presença de estrangeiros, estabelecidos em atividades que muitas vezes consistiam em experiências pioneiras na cidade".

1850

Entra em vigor o Código Comercial Brasileiro, que isentou os demais membros da família das responsabilidades financeiras pelo débitos dos negócios. Para Muriel Nazzari, isso teria contribuído para separar os negócios dos assuntos domésticos e para a profissionalização das empresas.

1851 a 1900: A cidade do café
1854
 
Publicidade do Grande Hotel da Paz, situado na Rua São Bento.

 

 

 

 

 

 

Na segunda metade do século XVIII, junto com os estrangeiros que chegam, São Paulo passa a ser contemplada com os serviços de hospedagem e são inaugurados os Hotéis Paulistano (Rua São Bento), do Comércio (Rua Floriano Peixoto), da Providência (Rua do Comércio) e Universal (Pátio do Colégio). O Universal, de propriedade de um francês, ficou conhecido por servir elegantes ceias. Já o Hotel do Comércio ficava aberto até mais tarde para refeições nos dias de função no teatro.

1858

Esse ano, além de marcar a inauguração do Cemitério da Consolação, é também importante pelo início do serviço de tílburis de aluguel dirigido pelo italiano Donato Severino. Os carros ficavam perfilados no largo da Sé e a tabela de preços já distinguia trajetos feitos dentro do núcleo histórico, ou seja, "dentro das pontes" e fora delas. A falta de preparo dos cocheiros levou a Câmara Municipal a determinar que eles deviam ser aprovados e ter matrícula na polícia. No ano anterior, foi proibido aos sapateiros, alfaiates e outros que trabalhavam nos passeios que dispusessem bancos e objetos que pudessem "ofender o trânsito".

1860

Começam a se instalar em São Paulo casas comerciais de origem estrangeira. Para Marisa Midori Deaecto, isso marca o momento em que a praça paulista adquire sua independência em relação aos negociantes localizados na corte. Uma dessas lojas, a terceira livraria da cidade, inaugurada em 1860, era de propriedade de Anatole Louis Garraux e, além de ser um ponto de encontro da intelectualidade, passou a ser conhecida como a "livraria da Academia Jurídica de São Paulo".

1863
 
Largo dos Piques em São Paulo, no ano de 1862, em imagem de Militão.

 

 

 

 

atual Rua 24 de Maio teve sua abertura autorizada em abril de 1863, como passagem entre o Largo dos Curros (atual Praça da República) e o Morro do Chá. Seu nome relembra um episódio da Guerra do Paraguai (1864-1870) ocorrido no dia 24 de maio de 1866, a "Batalha do Tuiuti". Nessa época, a rua terminava na altura da Rua Conselheiro Crispiniano. Apesar de já ser conhecida como Rua 24 de Maio por volta de 1879, foi somente no ano seguinte que sua ligação até a Avenida Ipiranga foi concluída, com a demolição de duas casas que impediam seu prolongamento. Dezenas de anos depois, em 1974 foram inaugurados os “calçadões” da Rua 24 de Maio, bem como os de outras ruas do chamado “centro novo”, como a Barão de Itapetininga, D. José de Barros, Marconi e Conselheiro Crispiniano.

1867

É realizada a viagem inaugural da São Paulo Railway Company, responsável pela Estrada de Ferro Santos-Jundiaí, de propriedade do Barão de Mauá. O entorno da estação passou por muitas modificações a começar pelo fato de que parte do tereno do Jardim da Luz foi cedido para a instalação da primeira estação. A ferrovia também contribuiu para a crescente elitização do bairro de Santa Ifigênia, onde fazendeiros e imigrantes enriquecidos ergueram imponentes residências. As obras de melhorias públicas foram se sucedendo: em 1880 a rua da estação foi calçada pelo sistema de macadames. Até o final do século, as demais ruas também receberam calçamento, sendo outras totalmente ampliadas. Nas proximidades do Bom Retiro, as mudanças provocaram a instalação de diversos estabelecimentos comerciais, armazéns e depósitos nos bairros do entorno. A proximidade com a linha férrea também atraiu diversas indústrias, interessadas na facilidade de transporte de matérias-primas e mercadorias. Um dos seus terminais é aberto no Largo do Pari. Início da distribuição de alimentos via ferrovia. Também é fundado o Mercado dos Caipiras.

1870

       

 

 

 Rua do bairro do Cambuci, onde se sobrepõem os diversos tempos da cidade, às vésperas do ano 2000. Acervo Museu da Pessoa / Foto de André Perazzo.

 

 

 

É constituída em Londres a São Paulo Gas Company, que obtivera a concessão para prestar serviços em São Paulo. Para isso, escolheu, na entrada do Brás, um local para a instalação do gasômetro. Em 1872, o gasômetro passou a fornecer gás para os lampiões da cidade, que ao final do ano já somavam 700 unidades. Também nesse ano, a 1º de julho, a Companhia Carris de Ferro de São Paulo implanta a linha de bondes puxados por burros em São Paulo, com seis carros. Há um plano de estender os serviços até a Estação do Norte, que seria inaugurada a 8 de julho de 1877. A Estrada de Ferro do Norte que fará a ligação ferroviária entre São Paulo e o Rio de Janeiro dá ao Brás duas novas novas funções: comercial e industrial.

1872

Nesse ano, João Theodoro Xavier assume a Presidência da Província e realiza diversas obras na cidade, entre elas o calçamento de paralelepípedo no núcleo central da cidade, a criação da Escola Normal, em 1874, e a edificação da Cadeia Pública. João Theodoro foi também o reponsável pela drenagem e saneamento da região do atual Parque Dom Pedro II, permitindo a ligação da Zona Leste ao núcleo central da cidade. A atual Praça da República, que teve vários nomes, tais como Largo dos Curros, quando ali se realizavam touradas e corridas de cavalo; Praça dos Milicianos, quando se realizavam exercícios militares; Largo 7 de Abril, quando servia ao treinamento de cocheiros, foi delimitada. Em 1889, finda a monarquia, mudou novamente de nome, passando à sua atual denominação.

1873

No dia 31 de março, ocorreu a cerimônia de início da construção da Estrada de Ferro do Norte, ligando São Paulo ao Rio de Janeiro. Seu maior entusiasta foi Clemente Falcão de Sousa Filho, que articulou as ações do poder público e reuniu acionistas para o projeto. Quatro anos mais tarde, os trilhos já chegavam à cachoeira na divisa com o Rio de Janeiro. Bastava aos passageiros atravessarem o Rio Paraíba de balsa e acomodarem-se nos trens da Estrada de Ferro D. Pedro II, para seguirem viagem para a Corte. Em 1890, a Estrada de Ferro do Norte, cuja estação principal ficava no Brás, foi encampada pelo governo central e, somada à D. Pedro II, passou a chamar-se Estrada de Ferro Central do Brasil.

1877

Abertura da Hospedaria dos Imigrantes no Brás.

1878
 
Cruzamento da Alameda Northman com Glete, nos Campos Elísios, já no ano de 2012. Acervo Museu da Pessoa / Foto de Arnaldo Pereira.

 

 

 

 

Origem do bairro de Campos Elísios, que se destacou na paisagem da incipiente metrópole por ser um dos primeiros empreendimentos imobiliários planejados de São Paulo. Os bem-sucedidos fazendeiros, desejosos de prolongar suas estadias na cidade, aproveitaram áreas livres próximas à Estação da Luz para construir suas residências. Sua origem está na antiga Chácara Mauá, também conhecida como Chácara Charpe ou Sharpe, adquirida no ano de 1879 pelo alemão Victor Nothmann e pelo suíço Frederico Glette. Com a sua ampliação, diversas outras chácaras da região foram adquiridas e seus terrenos loteados e modificados para a constituição de arruamentos e praças. Apesar de predominantemente residencial, o projeto urbanístico assinado por Hermann von Puttkamer previa também espaços para instalação de comércios e indústrias.

1879

 

 

 

 

 

 

 

Mapa da cidade de São Paulo produzido em 1877 e reeditado por ocasião das comemorações do IV Centenário do município.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Embora a determinação da Câmara date de 1879, a escolha do terreno para o Matadouro Municipal foi definida apenas em 1884 - um local então conhecido como Rincão do Sapateiro, devido à proximidade com o Córrego do Sapateiro. O período de obras durou até 1887 quando se deu a inauguração do edifício construído em tijolos aparentes projetado por Alberto Kuhlmann. O antigo matadouro, localizado na região central de São Paulo, se utilizava da proximidade com o Ribeirão Anhangabaú para escoar os dejetos resultantes de sua atividade. Isso tornava insalubre a vida dos habitantes na capital. Em 1885, uma linha de bondes foi instalada no atual Largo Senador Raul Cardoso realizando o transporte de pessoas e mercadorias da Vila Mariana em direção ao centro da cidade. Com isso, a região começou a ser povoada.

1882

Começaram as operações da Cia. Cantareira de Águas e Esgotos, empresa que daria início ao fornecimento de água encanada diretamente nas residências, eliminando a necessidade de chafarizes e postos, essenciais até então. Em 1884, é fundada a primeira associação de auxílio mútuo de negociantes paulistas. Dos 39 fundadores, somente oito eram estrangeiros recém-instalados na capital, de acordo com Marisa Midori Deaecto.

1886

Término da construção da Hospedaria dos Imigrantes, destinada a receber os imigrantes que entravam em São Paulo como trabalhadores assalariados em oposição ao trabalho escravo. O local substitui a antiga e pequena instalação existente no bairro do Bom Retiro. Construída pelo Conde de Parnaíba, ao lado dos trilhos da Estrada de Ferro Santos-Jundiaí, a hospedaria permitia o alojamento dos estrangeiros recém-chegados para, em seguida, serem levados às regiões agrícolas do interior ou trabalharem nas incipientes fábricas paulistas. Em 1978, é transformada em Museu da Imigração e, em 1998, passou a abrigar o Memorial do Imigrante.

1890

Inauguração do Mercado de Verduras no bairro de Santa Ifigênia. Localizado na esquina da Ladeira de São João com a Rua do Seminário, seu objetivo era atender a população da região que, somada à da Freguesia da Consolação, abrigava quase a metade da população de São Paulo. Somente em 1933 foi inaugurado o Mercado Central da Cantareira, substituindo o da rua do Seminário.

1894

É fundada a Associação Comercial de São Paulo em 7 de dezembro por um grupo de empresários paulistas liderados por Proost Rodovalho com a denominação de Associação Comercial e Agrícola de São Paulo. Um levantamento de 1895 relata 52 indústrias instaladas em São Paulo, entre têxteis, serrarias, fundições, fábricas de cerveja, de chapéus e de fósforos. Nesse cenário, os estrangeiros e em especial os italianos, destacavam-se como trabalhadores colaboradores do processo de industrialização da cidade.

1897

Criação da paróquia de São José de Belém, que dá nome ao distrito do Belenzinho, criado dois anos depois, desmembrado do distrito do Brás. O Belenzinho passou a ser efetivamente ocupado apenas na segunda década do século XX, quando assumiu o perfil que lhe seria característico atualmente, o de bairro industrial. No mesmo ano, ocorreu a construção do Mercado do Brás, localizado no Largo da Concórdia, que foi substituído mais tarde, em 1914 pelos mercados livres, as feiras.

1899

Fundada a São Paulo Light and Power Company Limited, empresa canadense de energia, transporte e telefone. Em 1901, sob sua direção, entrará em funcionamento a primeira linha de bondes elétricos. Sete anos antes, em 1892, foi inaugurado o Viaduto do Chá, obra do engenheiro Jules Martin. A Baronesa de Itapetininga, dona da chácara que ficava na entrada, contesta a obra. Só saiu após julgamento; sua casa foi demolida.

1900

Construção do Moinho Matarazzo, importante complexo industrial do Brás, situado na Rua Monsenhor Andrade. Neste período, são fundados os primeiros armazéns da Rua Santa Rosa e da Rua Paula Souza.

1900 a 1950: A cidade que não para
1900

 

 

 

 

 

Centro de São Paulo, com destaque para a Ponte de Santa Ifigênia. Ao fundo, vê-se o Mosteiro de São Bento, em meados dos anos 50. Cartão-postal de Bonassi.

 

 

 

 

A virada para o século XX se caracterizou pela industrialização da cidade, atingindo bairros próximos à Penha, tais como o Brás. Beneficiada com a instalação de uma linha de bonde que ligava os dois bairros, muitos moradores da Penha foram se empregar nas fábricas. No século XX, o bairro experimenta um grande crescimento demográfico, em parte obtido pela chegada em massa de migrantes. Logo assume um papel central na zona leste, concentrando o comércio da região. No início do século, o prefeito Antônio Prado determina a construção da ponte que liga o bairro de Santa Ifigênia ao Brás. Faz obras de saneamento da várzea do Carmo e obras de retificação do Tamanduateí, que só terminarão em 1916. Em uma tentativa de regularizar o comércio, por determinação legal, este passou a fechar aos domingos. Em 1912, algumas casas - tais como padarias, açougues, estabelecimentos de gêneros alimentícios, quitandas, agências de empresas de navegação e casas de câmbio - conseguiram obter o direito de funcionar aos domingos e feriados, até as 12 horas da manhã.

1901

Nesse ano, o Bom Retiro foi elevado a distrito em 1901. O local possuía à época um território de 2,57 km e já se caracterizava como mais um dos bairros operários da cidade. Na virada do século, a região passou a receber uma nova leva de trabalhadores imigrantes, judeus, que, ao lado dos italianos e portugueses, formavam o grosso da população do bairro. Na esteira dessas correntes imigratórias, chegaram ainda gregos, sírios, libaneses, turcos e russos. Coincidência ou não, a partir desse período começou a se desenvolver o comércio do Bom Retiro, especialmente ao longo da Rua José Paulino e Rua da Graça. Em 1905, o bairro recebeu a Escola de Farmácia de São Paulo, que depois passou a oferecer os cursos anexos de Odontologia e Obstetrícia. Em 1934, ela foi incorporada à Universidade de São Paulo.

1905
 
Largo do Rosário em 1902. Foto de Guilherme Gaensly. Acervo do Arquivo. Público do Estado de São Paulo.

 

 

 

 

 

 

 

 

Nos cinco primeiros anos da década a cidade conhece uma invejável transformação com a inauguração da Estação da Luz (1901), do Parque Antarctica, onde ficava a Companhia Antarctica Paulista (1902), da nova igreja do Senhor Bom Jesus de Matozinhos, no Brás (1903) e do Liceu de Artes e Ofícios (1905). No ano seguinte, 1906, como consequência da presença da Light, a região Triângulo, compreendida entre as Ruas Direita, São Bento e XV de Novembro, passa a ter iluminação elétrica. Isso só foi possível porque uma das primeiras medidas adotadas pela empresa foi a construção da usina hidrelétrica Parnaíba (atual Edgard de Souza) em 1901, sobre o Rio Tietê. Até então, a cidade contava apenas com uma usina a vapor, da Companhia de Água e Luz, e uma usina provisória, também a vapor, da própria Light. Para garantir que as turbinas da hidrelétrica fossem continuamente movimentadas, foi necessário regularizar a vazão do Tietê, por meio da criação de um reservatório de água. O local escolhido para a instalação desse reservatório foi um afluente do Rio Pinheiros, tributário do Tietê, conhecido como Rio Guarapiranga.

1906

Têm início as obras para a implantação da Represa de Guarapiranga, que duraram três anos, sob a supervisão do engenheiro americano M. M. Murtaugh. Foi necessária a desapropriação de grandes áreas, o que indignou a população local. Criada para aumentar a capacidade produtiva de energia da cidade, atrelada a um grande plano de desenvolvimento, a Represa de Guarapiranga chamou a atenção pelo seu potencial como espaço recreativo e turístico, voltado para a prática de esportes e de refúgio das tensões cotidianas. Logo após a construção da represa de Guarapiranga, em 1909, a linha de bonde foi ampliada até o Largo do Socorro, quando a administração dos bondes já estava sob o controle da The São Paulo Tramway, Light & Power Co.

1908

 

Família de Saburo Shirasaca na Fazenda Buracão, em Piratininga, interior de São Paulo.

 

 

 

 

 

 

A 18 de junho chegam a Santos os primeiros 800 imigrantes japoneses no navio Kasato-Maru, após viagem de 12 mil milhas. Dez deles permaneceram na cidade e exerceram atividades como carpinteiros, forjadores e costureiros. Nessa época, São Paulo tinha uma população de 200 mil habitantes. No ano seguinte, os japoneses que se radicaram à Rua Rodrigo Silva mudam-se para a Rua Silva Telles, no bairro Oriente, e passam a fabricar brinquedos tipicamente japoneses. Em 1910, chega, a 28 de julho, o segundo navio com imigrantes japoneses, o Ryojun-Maru.

1910

 

 

 

Em 1910, a antiga Praça da Legião e Praça da Milícia foi rebatizada com o nome de Praça Alexandre Herculano, homenagem ao historiador português. Porém, em 1913, o termo Largo do Arouche passou a ser o nome oficial até os dias de hoje. Nos primórdios do século XX, já tinha perdido sua função militar e passou a abrigar uma incipiente área comercial, que culminou, na década de 50, com a oficialização do chamado Mercado das Flores. No local estabeleceu-se também um espaço ligado à gastronomia e hospedagem, com diversos restaurantes e hotéis, alguns com mais de 50 anos de existência. É o endereço também da Academia Paulista de Letras desde 1954.

1911

É demolida a antiga Igreja da Sé. A nova catedral teve a pedra fundamental lançada em 6 de julho de 1912. Planejada pelo arquiteto Maximiliano Hell, foi inaugurada somente a 25 de janeiro de 1954, por ocasião do aniversário de 400 anos da cidade. Nos primeiros anos do século XX, diversos planos de melhoramentos urbanos abordaram o bairro de Santa Ifigênia, entre eles a ampliação da Avenida São João até as proximidades do Parque da Água Branca, com a desapropriação de diversos imóveis e obras de nivelamento. Nessa mesma década, investiu-se ainda no alargamento das Ruas Couto de Magalhães e Washington Luiz, além do asfaltamento das Ruas Ipiranga e Antonio de Godoi.

1912
 
Publicidade da loja Mappim Stores, no ano de sua inauguração. Acervo Mappim, cedido para CD-ROM Memórias do Comércio.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Com projeto executado pelo escritório de Ramos de Azevedo, é inaugurado o Theatro Municipal a 12 de setembro de 1911, com a presença da companhia Titta Ruffo. No ano de 1922, entre 13 e 18 de fevereiro, o Theatro Municipal abrigou a Semana de Arte Moderna. Instala-se em São Paulo a loja Mappin & Webb, único exemplar de loja de departamentos em São Paulo nessa época. Era uma loja fundada em 1810, em Sheffield, Inglaterra, que abriu várias filiais nas principais cidades europeias e, em 1911, instalou-se no Rio de Janeiro. Era especializada em artigos de luxo, divididos em diferentes seções de venda. Em 1913, ingugurou a Mappin Stores, na Rua XV de Nnovembro. A loja, com finos artigos era voltada para atender à aristocracia cafeeira.

1913

Em 1911 os japoneses já haviam iniciado o cultivo de hortaliças na periferia de São Paulo em bairros como Santana, Taipas (Pico do Jaraguá) e Morumbi. Passam a cultivar repolho, cenoura, ervilha, berinjela, nabo e acelga, produtos tradicionais na culinária japonesa. Ao mesmo tempo, a colônia japonesa se aglomera na Rua Conde de Sarzedas e também na Rua Rodrigo Silva, perto da Sociedade Japonesa de Imigração. Em 1914, o Departamento Estadual de Trabalho permite a instalação das feiras livres, medida que permitia a redução substancial no preço dos gêneros de primeira necessidade. No mesmo ano, aparecem, na Rua Conde de Sarzedas, as primeiras pensões e mercearias japonesas.

1920
 
Rua Padre João, no bairro da Penha, hoje importante centro comercial de moda para noivas e festas. Acervo Museu da Pessoa / Foto de Arnaldo Pereira.

 

 

 

O ano de 1920 ficou marcado pela construção da Rodovia São Paulo-Rio, passando exatamente no centro do bairro de São Miguel Paulista, ligando a cidade à então capital do país. A instalação dessa importante via tirou parcialmente São Miguel do isolamento que lhe era imposto pela distância do centro da cidade. O caminho da rodovia passava pela atual Avenida Marechal Tito, uma das mais importantes do bairro. Também a partir desse ano, tendo a Penha como centro irradiador, a população ocupa as colinas do Tiquatira e Guiaúna, tanto na direção de São Miguel Paulista, como na direção de Itaquera, obedecendo às grandes vias de comunicação: Estrada de São Miguel Paulista e a linha tronco da Central do Brasil.

1923
 
Casa da Colônia Japonesa, em Itaquera, pertencente à família de Sada Ocimoto Oda, que aparece na imagem ao lado de Vitória, Myoko, já falecida, e Paulo. Acervo Museu da Pessoa / Sada Ocimoto Oda, s.d.

 

 

 

 

Juntamente com uma empresa imobiliária, o veterinário Isuneshiro Ishibashi lança, entre 1923 e 1924, um empreendimento, no bairro de Itaquera, chamado Colônia Nipônica, onde passaram a plantar tomate e morango. Nessa mesma época, Itaquera transforma sua área rural de agricultura de subsistência em agricultura comercial, com produção de hortifrutigranjeiros. Anteriormente, a 27 de dezembro de 1920, Itaquera fora elevada à categoria e Distrito e compunha uma vasta solidão de capoeiras, várzeas semiocupadas pela agricultra e por olarias. Em 1927, contavam-se 20 famílias, que reforçaram a vocação agrícola da região, inserindo-a no cinturão verde da capital.

 

Abertura da Bolsa de Cereais de São Paulo, responsável por estipular preços e criar um ambiente de negociação dos cereais trazidos pelo trem da São Paulo Railway.

1926

Em 1926 foi inaugurada oficialmente a estação de trem de São Miguel Paulista. E em 1932, foi instalado o trecho da via férrea que serve o bairro. Com o encurtamento das distâncias, o bairro atraiu investidores dispostos a aproveitar o potencial produtivo de uma região ainda com amplos terrenos, vizinha às vias de fluxo de mercadorias e ao Rio Tietê. Da mesma forma, os baixos preços dos terrenos e as possíveis ofertas de emprego logo atraíram um razoável contingente populacional, dispostos a tentar a vida nesse novo ambiente. Diversos loteamentos foram abertos para receber essa população, muitas vezes gerando uma ocupação desordenada em torno do núcleo do bairro com a chegada de muitos migrantes, especialmente nordestinos.

1929

No mesmo ano em que se inicia a contrução do Edifício Martinelli, um arranha-céu para a época, que marca o início do processo de verticalização da cidade, ocorreu também a Quebra da Bolsa de Nova York e, consequentemente, a queda nos preços do café. Logo depois, milhares de colonos sairiam das fazendas produtoras de café para a cidade em busca de novas formas de sustento. A chegada desses colonos e o dinheiro acumulado com o lucro do café promovem um grande surte de industrialização. Também em 1930 tem início o processo de remodelação da cidade, engendrado pelo prefeito Prestes Maia, com abertura de longas Avenidas. Na Liberdade é aberta a Avenida 23 de Maio no Vale do Itororó.

1930

A partir da década de 30 do século XX, os equipamentos comerciais e de serviços de luxo da cidade, antes praticamente restritos à área do triângulo, se transferiram para a região, da Rua 24 de Maio, fomentando um desenvolvimento econômico e principalmente cultural, com a instalação de cafés, restaurantes, cinemas, ativando sua vida social e transformando-a em um centro de lazer e de compras para a população mais abastada.

Instalação da principal propulsora do desenvolvimento urbano de São Miguel Paulista, a Companhia Nitro Química Brasileira, responsável pela contratação de milhares de funcionários, muitos deles arregimentados já na saída da estação de trem, próxima à fábrica. A atuação da Nitro não se resumia apenas às ofertas de emprego, mas também se traduziram em diversos empreendimentos necessários à instalação de uma indústria de grande porte em uma região. Em menos de uma década da abertura da fábrica, a população do bairro passa de 8 mil para 40 mil habitantes. Quatro anos mais tarde, em 1934, a capital atingia pela primeira vez a marca de mais 1 milhão de habitantes, mais precisamente 1.064.324 pessoas.

1935

Até 1935, Santo Amaro permaneceu como município autônomo, sendo anexado como bairro de São Paulo após determinação do interventor federal Armando Sales de Oliveira. A partir da década de 40, a expansão industrial alcançou os bairros localizados ao sul da cidade, visando ocupar os terrenos mais baratos ainda desocupados, e o aproveitamento das águas dos rios da região. O advento da indústria ocasionou um grande aumento populacional nos bairros da região, além do incremento do setor de serviços e transportes.

1936

A sede da Escola Paulista de Medicina foi transferida em 1936 para a Vila Clementino, ocupando um imóvel na Rua Botucatu. No mesmo ano, iniciaram-se as obras do Hospital São Paulo, inaugurado quatro anos mais tarde, um ano depois da inauguração da Escola de Enfermagem. Ocorreu, então, a formação de um comércio especializado em produtos e equipamentos hospitalares e ortopédicos, especialmente na Rua Borges Lagoa. A presença de diversas lojas desse segmento, algumas já bastante antigas, atrai frequentadores de toda a cidade.


Abertura do Mercado Municipal de São Paulo e do Sindicato do Comércio Atacadista de Gêneros Alimentícios no Estado de São Paulo (SAGASP).

1938

É fundada a Federação do Comércio do Estado de São Paulo, com o objetivo de representar os interesses das empresas do setor e contribuir para a sua modernização. Surgiu a partir da união de 17 entidades sindicais patronais e hoje é constituída por 154 sindicatos empresariais representativos das categorias econômicas do comércio atacadista, comércio varejista, dos agentes autônomos do comércio, do comércio armazenador e do turismo e hospitalidade, estabelecidas na base territorial do Estado de São Paulo. Representa cerca de um terço dos empresários brasileiros e congrega mais de 600 mil empresas de todos os portes do comércio e do setor de serviços (à exceção dos segmentos financeiros e de transportes), que respondem por 11% do PIB paulista – cerca de 4% do PIB brasileiro –, gerando em torno de 5 milhões de empregos.

1940

A partir da década de 40, o bairro do Brás passou a receber milhares de migrantes nordestinos, que chegavam à cidade em busca de melhores condições de vida. Tal fato, além de ter colaborado para um crescimento desordenado, modificou a feição da região à medida que a entrada de tais nordestinos é acompanhada pela diminuição da presença de imigrantes italianos e pela transformação do comércio local, o qual recebeu características de seus novos moradores. Nesse mesmo ano, é inaugurado o Estádio do Pacaembu, cujas obras foram iniciadas em 1937. Entre 1939 e 1945, a Segunda Guerra Mundial promove a escassez de alimentos e de negócios na Zona Cerealista e no Brás.

1946

Inspirados pela Carta de Teresópolis (de 1945), um grupo de empresários lançou a Carta da Paz Social, expressando sua preocupação com a polarização entre o capital e o trabalho e propondo o que era visto como a possibilidade de estabelecer solidariedade e harmonia entre as classes, propugnando que o primeiro passo para humanizar essas relações seria a criação dos serviços sociais, tanto da indústria, quanto do comércio. A carta propunha a criação de um Fundo Social, constituído pela contribuição de cada empresa – agrícola, industrial e comercial –, a ser aplicado em obras e serviços que beneficiem os empregados, visando maior bem-estar, atendimento das necessidades sociais urgentes e melhoramento físico, profissional e cultural da população. É considerada a gênese do Sesc e do Senac.

1951 a 2000: A cidade industrial
1951

O ano começa com a criação de uma única autarquia, a Comissão do IV Centenário da Cidade de São Paulo, voltada para a promoção dos festejos e comemorações que assinalarão a passagem do 400º aniversário da cidade. Assume a presidência Francisco Matarazzo Sobrinho, industrial e mecenas das artes que, em 1951, inaugura a primeira Bienal de São Paulo, já como parte dos festejos do IV Centenário.

1953

De acordo com João Batista Pamplona: “Em 1953, no governo Jânio Quadros, houve uma primeira tentativa de estabelecer critérios sociais para aqueles que seriam beneficiados com a licença de trabalhador do comércio de rua. Foi estabelecido um sistema de pontuação para concessões de locais. Pela ordem, tinham prioridade os portadores de deficiências físicas, depois os idosos, os que tivessem famílias numerosas e, por fim, solteiros que fossem arrimo de família. Em 1954, definiu-se a obrigatoriedade de venda de dois terços de produtos nacionais sobre o total de mercadorias.

1954
 
Cartaz comemorativo do IV Centenário da cidade de São Paulo.

 

 

 

 

 

 

 

 

Extensa programação dá início às comemorações dos 400 anos da capital paulista. Os pontos altos do dia 25 de janeiro ficam por conta das flores depositadas no monumento de fundação da cidade no Pátio do Colégio, da missa de inauguração da nova Catedral da Sé e a queima de fogos e a chuva de prata entre a Avenida 9 de Julho e o Anhangabaú já no começo da noite. Ao longo do ano, são inaugurados o Monumento às Bandeiras, de Brecheret, a Catedral da Sé e o Parque do Ibirapuera, obra de Oscar Niemeyer e do paisagista Burle Marx, que incluía o viveiro Manequinho Lopes, homenagem ao funcionário Manuel Lopes de Oliveira, plantador de árvores que transformaram a região desde 1927.

1956-1961

Na Zona Cerealista é forte a mudança do transporte alimentício do ferroviário para o rodoviário. Auge da Zona Cerealista, movida especialmente à venda de arroz e feijão.

1960
 
Festa do Pêssego promovida pela colônia japonesa de Itaquera, no Parque do Carmo. A ganhadora foi a 5ª, da esq. para a dir. A primeira, da esq. para a dir., foi a "Rainha" de 1952. As outras moças da foto eram as "Princesas do Pêssego"  de 1953. Acervo Museu da Pessoa /Francisco Gianetti Neto.

 

 

 

 

 

A nova década traz, para alguns bairros, novos ciclos, com menos glamour. O processo de desindustrialização da cidade de São Paulo chega à Mooca e altera o cotidiano do bairro, que viu suas fábricas fecharem ou se transferirem para outras regiões, multiplicando a ocorrência de imóveis abandonados e cortiços. Por outro lado, em 1962 a produção de pêssegos em Itaquera atinge o auge. O perfil de Campos Elíseos também se alterou, e sua ocupação passou a indicar outros usos, com a instalação de cortiços e comércios de pequeno porte. Além disso, a instalação da Estação Rodoviária, no bairro da Luz, em 1961, e a mudança da sede do governo para o Morumbi, em 1965, aprofundaram ainda mais esse processo, contribuindo para a deterioração da região.

1963
 
Edifício Grandes Galerias, mais conhecido como a Galeria do Rock, localizado à Rua 24 de Maio. Acervo Museu da Pessoa/Foto de Arnaldo Pereira.

 

 

 

 

 

 

 

Inauguração do edifício Shopping Center Grandes Galerias que inicialmente comercializava produtos diversificados, em especial equipamentos eletrônicos e de fotografia. Porém, foi o comércio de discos que a tornou conhecida por todo o país, atraindo consumidores ávidos pelas novidades do universo musical roqueiro. Atualmente, conta com cerca de 400 espaços comerciais, divididos entre lojas de CD e DVD, roupas, acessórios, estúdios de tatuagem, oficinas de silkscreen, cabeleireiros, entre outros. Nesse mesmo ano, tem início a imigração de pessoas oriundas da Coreia do Sul para o Brasil. Os novos imigrantes optam por acomodarem-se também no bairro da Liberdade.

1965

A ocupação da área do Jardim Monte Azul se deu de forma espontânea a partir do ano de 1965, por trabalhadores que buscavam uma oportunidade de emprego nas fábricas das proximidades - isso ocorreu pela saturação de áreas tradicionalmente ocupadas pelas fábricas ao longo das antigas ferrovias, como a São Paulo Railway, Sorocabana e Estrada de Ferro Norte, que levou os empresários do setor imobiliário e industrial a olharem para os terrenos localizados ao sul de São Paulo. Para essa população, formada em grande parte por pessoas desempregadas ou subempregadas, era impossível o acesso às habitações ou terrenos oferecidos pelos loteamentos, valorizados pela especulação imobiliária. Tal prática resultou na apropriação das áreas públicas desses loteamentos, dando origem à chamada Favela Monte Azul.

1966
 
Rua Galvão Bueno, localizada no bairro da Liberdade, no ano de 2000. Acervo Museu da Pessoa / Foto de André Perazzo.

 

 

 

 

É concluído o primeiro shopping center da cidade, o Iguatemi, em frente à Avenida Faria Lima. Em 1968 têm início as obras da Linha 1-Azul, Santana a Jabaquara, cujo traçado passaria pelo bairro da Liberdade, contemplando-o com duas estações: Liberdade e São Joaquim. Para ensinar à população como andar no mais novo meio de transporte da cidade, no dia 5 de outubro de 1974 tem início o "Programa de Treinamento da População" no trecho Ana Rosa-Liberdade (3,1 km) da Linha 1-Azul. A inauguração ocorreu no mesmo ano, sendo a Avenida Liberdade reaberta, remodelada e, a pedidos da Associação dos lojistas, com um projeto paisagístico que deu ao bairro uma caracterização oriental.


Grande enchente na Zona Cerealista. A perda de alimentos e o risco de insalubridade fazem com que a Prefeitura mude o armazenamento de verduras, frutas e carnes da Zona Cerealista para o recém-inaugurado Ceasa, na Vila Leopoldina.

1968

Inauguração do viaduto Alberto Marinho (morador do Brás, compositor da famosa música "Rapaziada do Brás"), construído sobre os trilhos da Estrada de Ferro Santos-Jundiaí, de modo a solucionar o impasse criado pelas porteiras do Brás. Na década de 70, com a construção das Estações Brás, Pedro II e Bresser da Linha Vermelha do metrô, centenas de casas foram desapropriadas, fazendo com que muitas pessoas perdessem suas residências. Hoje, o Brás é conhecido como um dos principais centros do comércio popular na cidade, destino diário de milhares de consumidores tanto de São Paulo quanto do Brasil. Além disso, apresenta lojas de comércio especializado em ferragens e madeiras, na atual Rua do Gasômetro.

1970

A partir das décadas de 70 e 80, a região dos Campos Elísios, que já abrigara a elite cafeeira, passou a ser conhecida pelo comércio de carros usados e peças automotivas, condição que perdurou até o início do século XXI. Atualmente, algumas de suas ruas e construções passam por um processo de revitalização, impulsionado por programas do governo do Estado e principalmente pela ação de empresas da região. Início da ascensão dos supermercados na cidade de São Paulo.

1979
 
Selma Soares Xavier em dia de festa na comunidade Monte Azul, no ano de 1983. Acervo Museu da Pessoa / Selma Soares Xavier.

 

 

 

 

A comunidade do Morro Azul, implantada em área precária e sem atuação governamental, tem sua situação amenizada somente a partir de 1979, quando a organização não governamental Associação Comunitária Monte Azul (ACMA) se estabelece na comunidade, iniciando um projeto de desenvolvimento urbanístico e social. Datam dos primeiros anos da década de 80 os trabalhos em mutirão de pavimentação das ruas e a construção de escadarias, além da execução dos Programas Pró-Luz e Pró-Água pela Prefeitura Municipal, em 1985, após reivindicação dos movimentos sociais urbanos. No mesmo ano, a ACMA firma um convênio com a prefeitura para o estabelecimento de creches e escolas do jardim de infância, consolidando a atuação do poder público na área.

1980
 
Fachada do FrangÓ Bar, localizado na Freguesia do Ó, de propriedade de Cassio Piccolo, por volta de 1990. Acervo 
Museu da Pessoa / Cassio Piccolo.

 

 

 

 

 

 

 

 

A partir da década de 1980, a Mooca passou por um processo de valorização imobiliária que impulsionou a verticalização de certas áreas do bairro. Os antigos galpões fabris, em muitos casos, deram espaço para a construção de edifícios ou então tiveram seus usos alterados, cedendo espaço para universidades ou para festas e eventos. O núcleo central do bairro, conhecido como Alto da Mooca, abriga os aparelhos culturais mais importantes da Mooca, como o Estádio Conde Rodolfo Crespi, na Rua Javari, de propriedade do famoso Clube Atlético Juventus, fundado pelos operários do extinto Cotonifício Crespi, em 1924.

1983

Em uma pesquisa encomendada pela Prefeitura de São Paulo, é revelado que 85% dos comerciantes da Zona Cerealista são à favor de sua mudança para outra área da cidade.

1984
 
Vista geral de Itaquera, às vésperas do ano 2000. Acervo Museu da Pessoa Foto de André Perazzo.

 

 

 

 

 

O ano de 1984 assinala a presença de 13 favelas no bairro de Itaquera que, até 1980, contava com pouca infraestrutura urbana. Sua população, composta pelos primeiros imigrantes japoneses (que se dedicaram ao plantio de hortifrutigranjeiros) e também por operários e trabalhadores assalariados no comércio e no ramo de serviços, viu não só a chegada de grandes núcleos habitacionais na década de 80, os conjuntos habitacionais da Cohab, como também a explosão demográfica do bairro, que passou a ter mais de 300 mil habitantes. Assim, a população pressionou o poder público por serviços essenciais de saúde e educação. Entre as melhorias, está a chegada do metrô, da Linha Leste-Oeste, em 1988, e a inauguração da Avenida Jacu-Pêssego, que atravessa o bairro de ponta a ponta. A inauguração da linha de trem Itaquera-Guaianases acabou por desativar o trajeto da antiga estrada de ferro que fazia a ligação de São Paulo com a corte instalada no Rio de Janeiro.

1985

Logo depois de assumir, o prefeito Olavo Setúbal anuncia que a chegada do metrô está prevista para 1985 em Itaquera. Em 1987, no dia 7 de março são inaugurados o pátio de estacionamento e as oficinas de Itaquera, com realização da primeira viagem entre as Estações Barra Funda e Itaquera. No dia 1º de outubro de 1988, é inaugurada a Estação Corinthians-Itaquera, ampliando para 19,6 km a extensão da Linha 3-Vermelha. A Linha 3-Vermelha havia entrado em operação comercial, com circulação bastante restrita, a 10 de março de 1979, somente com o trecho Sé-Brás (1,8 km), de segunda a domingo, das 6 às 20h.

1990

Desde os anos 1980, a região de entorno da Associação Monte Azul passa por uma série de transformações, com a inauguração dos últimos blocos do Centro Empresarial de São Paulo, conjunto de prédios que abrigavam os escritórios de algumas das mais importantes empresas do país. Ao seu redor, uma ampla rede de comércios e serviços de grande porte se estabeleceu na área, tais como hipermercados, shopping centers e hotéis, atraindo investimentos dos setores público e privado. Não por acaso, ocorre a expansão dos condomínios fechados nos bairros próximos, tais como o Morumbi e a Vila Andrade, destinados à classe média e média alta. O sistema viário da região também é incrementado com a construção e modernização de pontes do Complexo Viário João Dias e também com a inauguração do Terminal de Ônibus João Dias.

 

Os inúmeros problemas sociais decorrentes da ausência de políticas públicas para a urbanização do bairro e da falta de investimento em infraestrutura tornaram o Capão Redondo bastante conhecido durante os anos 90. Data desse período uma fecunda produção cultural de protesto, calcada por severas críticas à administração governamental e pela exaltação da população habitante dos chamados bairros periféricos, traduzida na música, por meio de grupos de rap e hip-hop, na literatura, na dança, no vestuário etc. Atualmente o Capão Redondo caracteriza-se como um dos bairros mais representativos desse movimento.

1991

Abertura das importações aumenta os negócios na área de queijos, vinhos e temperos na Zona Cerealista.

1992
 
Represa de Guarapiranga, em São Paulo. Acervo Museu da Pessoa / Foto de Arnaldo Pereira.

 

 

 

 

 

Em 1992, a Prefeitura Municipal iniciou o Programa de Saneamento Ambiental da Bacia do Guarapiranga, atuando na correção dos danos causados à represa e na prevenção de novos danos. Já nos anos 40, grandes investimentos haviam sido feitos na Represa de Guarapiranga para a formação de uma praia artificial utilizando areia transportada de Santos, configurando a área como uma verdadeira “praia de paulista”. Dentre os clubes recreativos que se estabeleceram no local, ganham destaque o São Paulo Sailing Club, pioneiro na Guarapiranga, fundado por ingleses em 1917, e o Santapaula Iate Clube, um enorme complexo esportivo projetado pela dupla de arquitetos Vilanova Artigas e Carlos Cascaldi durante os anos 60.

1994
 
Rua Oriente, com grande concentração de lojistas. São Paulo, 2012. Acervo Museu da Pessoa / Foto de Arnaldo Pereira.

 

 

 

 

 

A Estação do Norte, construída em 1875 - ao lado da estação da São Paulo Railway no Brás -, passou, em 1945, a chamar-se Estação Roosevelt, homenageando o presidente americano, morto naquele ano. Emcampada pela RFFSA e com a construção da Linha Leste-Oeste, a estação se integrou com a recém-inaugurada estação do metrô, formando a Estação Integrada Brás. Em 1994, a CPTM assumiu a administração dos trens de subúrbio e reformou a estação. Após a reforma, a estação passou a ser chamada novamente de Brás, da mesma forma que a estação original da São Paulo Railway.

1995

Logo após o advento da internet comercial no Brasil, surgiu o comércio eletrônico, tendo como empresas pioneiras a Livraria Cultura, o Grupo Pão de Açúcar, as Lojas Americanas, o Magazine Luiza e a Booknet, que agora se chama Submarino. Foi o aumento das velocidades de conexão o responsável pelo aumento das compras on-line, pois a navegação fica mais agradável e propicia a pesquisa em muitas páginas.

2001 a 2012: A cidade midiática
2001

Na gestão Marta Suplicy – segunda mulher a ocupar a prefeitura de São Paulo – é votado o Decreto nº 42.600, de 11 de novembro, que regulamenta a Lei nº 11.039, de 1991. As novas subprefeituras passam a ser responsáveis pela definição da forma com que os ambulantes exercem suas atividades. O decreto também prevê a instalação de Bolsões de Comércio (shopping popular) e estabelece os critérios para a concessão de TPUs – Termo de Permissão de Uso.

2002

Meios de transporte coletivo mais ágeis e eficientes chegam aos bairros mais distantes da capital. É inaugurada a Linha 5-Lilás do metrô, ligando a Estação Capão Redondo à Estação Largo Treze, em Santo Amaro, com planos de integração com as demais linhas do metrô até 2015. Atualmente, este trecho se conecta com a Linha 9-Esmeralda da CPTM, antigo ramal Jurubatuba da Sorocabana, uma das peças fundamentais para o desenvolvimento da região. Localizada próximo ao Jardim Monte Azul, a Estação Giovanni Gronchi da Linha 5-Lilás do metrô testemunha a influência desse processo no bairro, embora esta ainda não se traduza na edificação de habitações luxuosas, nem no enriquecimento expressivo da população local.

2004
 
Desde o final dos anos 90, a arte invade as ruas, fruto dos novos tempos e das novas manifestações. Rua da Vila Madalena, em 2012. Acervo Museu da Pessoa / Foto de Arnaldo Pereira.

 

 

São Paulo chega aos seus 450 anos de fundação. Como 50 anos antes, uma missa oficial na Catedral da Sé dá inicio às comemorações do dia 25 de janeiro. A festa culmina com um grande show de música no Vale do Anhangabaú, que vai até a madrugada. Em uma votação pública, a população escolhe "Trem das Onze", de Adoniran Barbosa, e "Sampa", de Cateano Veloso, como as músicas que melhor definem a cidade.

2005

Santo Amaro se consolida como referência comercial da região, apresentando uma extensa área de comércio popular e lojas de departamento, especialmente em seu núcleo principal, o Largo Treze de Maio. Também se notabiliza como centro burocrático do entorno, concentrando diversos equipamentos públicos, como cartórios e também uma sede do Poupatempo, inaugurada em 2004. Atualmente, o distrito de Santo Amaro ocupa uma área de 37,8 km², com uma população de 238.025 habitantes.

2008
 
Imagem da área central de São Paulo a partir do Google Maps.

 

 

 

O intenso processo de degradação do centro da cidade levou a prefeitura, em parceria com a Associação Viva o Centro, a criar, em 2008, uma nova forma de vigilância dos espaço públicos, chamada de “Aliança para o centro histórico”. O projeto tem por objetivo proporcionar a qualidade total dos serviços públicos, tais como segurança, iluminação e limpeza das ruas e praças e outra melhorias. Desde 1990, o centro da cidade é alvo de intervenções por parte dos governos e da sociedade civil.

2009
 
Projeção realizada por Matthew Hurst, em seu Data Mining, que demonstra o aspecto da blogosfera.

 

 

 

 

Cerca de 12 milhões de pessoas efetuaram compras via internet, apesar de que mais de 21 milhões de pessoas acessaram uma loja on-line em 2009. A pesquisa da Datapopular mostrou que 61% dos internautas de baixa renda costumam conferir os produtos em lojas físicas antes de fechar a transação pela internet, ou têm medo de cometer um erro no momento da compra e não encontram garantias nos varejistas virtuais atualmente. A confiabilidade ainda é um desafio para as vendas no meio virtual.

2010

Em 2010, a Associação Comercial de São Paulo transformou o Serviço Central de Proteção ao Crédito (SCPC) em uma empresa autônoma, no modelo de sociedade anônima, em parceria com outros investidores. Nasceu, assim, a Boa Vista Serviços. O serviço informa sobre inadimplência de pessoa jurídica e pessoa física a fim de garantir que o sistema de vendas a crédito possa tomar melhores decisões durante vendas e traçar estratégias de mercado.

2011

Meses após iniciar suas atividades no Brasil, o primeiro site de compras coletivas, o Peixe Urbano, chega a São Paulo com um modelo de negócios baseado nos sites de compras coletivas dos Estados Unidos. Um ano mais tarde, passa a atuar na Argentina, com a criação da marca Pez Urbano e busca também atuar no México. Iniciado por três jovens empreendedores, com experiência em mercado internacional, o Peixe Urbano oferece substanciais descontos para compras em grupos. No Brasil, o potencial de vendas via internet continua grande e o faturamento das vendas on-line deve ultrapassar os 22 bilhões de reais, um crescimento de 20% em relação ao ano passado. É um crescimento exponencial, já que, para o restante da economia brasileira, está previsto um crescimento de 1,5% no mesmo período.

2012
 
Interior do Mercado da Lapa, importante centro de comércio. Acervo Museu da Pessoa / Foto de Arnaldo Pereira.

 

 

 

 

O site oficial de turismo da cidade de São Paulo contabiliza 59 ruas de comércio especializado, com inúmeras lojas que, lado a lado, oferecem 51 tipos de produtos temáticos.


Em pesquisa encomendada pelo SAGASP, é revelado que neste ano cerca de duas mil carretas e caminhões ainda passam diariamente pela Zona Cerealista, mostrando a permanência de sua relevância no abastecimento da cidade e do estado.


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