São José dos Campos
 
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 Depoentes em São José dos Campos:
"O comércio em São José fechava na hora do almoço. Tinha esse negócio. Abria, vamos dizer, 8 horas da manhã, 7 e meia, esse horário assim. E depois fechava para o almoço, duas horas de almoço. Fechava. Todo mundo fechava na cidade. Das 11 à 1 hora. Fechava ainda na época em que eu comecei, em 67. Acho que foi até 70 e pouco, 74, 75, por aí."
Antonio Carlos Peneluppi
"Em São José não tinha loja country. Onde tinha? Em São Paulo. Juntava três, quatro amigos, juntava em um carro e ia em São Paulo consumir. A gente adotou essa teoria para São José também: as cidades pequenas não tinham loja; eles têm que consumir em algum lugar e então vêm para São José, uma cidade mais fácil de você andar do que São Paulo."
Sebastião Faria Pedroza
"O comércio todo se reunia na Rua XV, na Rua 7 de Setembro e ali na Praça da Matriz. Ali é que era o comércio. Só nestas três ruas. Depois foram surgindo as outras ruas. Depois São José deixou de ser estância climatérica. Veio o ITA."
Dirce Saloni
"O pessoal de fora, que vinha aqui em São José, fazia uma visita ou na Cerâmica Weiss ou na Casa das Louças, para levar uma lembrança de louça de São José. E uma visita, também, na Tecelagem Parahyba, para levar uma manta."
Sérgio Adelchi Bonádio Weiss
"Casa Diamante foi importantíssima porque era da onde a gente ganhava presente de Natal. Os brinquedos, as jóias das mães. Então as vitrines da Casa Diamante era, assim, o deslumbramento para nós crianças. Lá que a gente escolhia as coisas; bicicletas, essas coisas."
Sílvia Regina Martins Pereira
"A Casa Diamante era uma casa mais chique, uma casa de tradição em São José dos Campos. Mesmo os produtos de Natal - nozes, amêndoas, avelã, castanha, figo, passas - era só a Casa Diamante que vendia."
Lauro Gilberto
"E já existia a Associação Comercial. Desde 34 ou 36, e meu pai sempre foi diretor da Associação Comercial. Atualmente, eu sou, continuo. A gente tem uma preferência por esta organização. Eles olham para nossa família com bons olhos e nós colaboramos bastante."
José Elhage
"O comércio em São José era de armazéns. Ainda se conseguia comprar fiado. Tinha um armazém grande na Siqueira Campos, em que a gente comprava; tinha os Priantis, lá em Santana. Eram famosos comerciantes de secos e molhados. As lojas sempre foram no centro, na rua Sete, onde é o calçadão, na rua Quinze, na Siqueira Campos."
Jurdina Auricchio Rojas
"Eu fui comprar meus móveis para casar, fui comprar em Jacareí, tinha uma loja, como é que chamava? Tem os meninos, ainda estão por aí, o Plínio e o Arno, loja de móveis... Comprei lá, porque era mais fácil comprar lá. Comprei, deixei guardado um ano lá... Antigamente você comprava assim e deixava guardado. Não que fosse mais barato lá em Jacareí, talvez tivesse mais escolha, fosse mais fácil. "
Antonio Ruiz Vilanova

Quando foi posta em vigor a lei de 10 de setembro de 1611, que regulamentava aldeamentos indígenas nos pontos que melhor conviessem aos interesses do reino, os índios deslocaram-se para o interior. Entre os antigos aldeamentos, distantes de Piratininga e que vieram a merecer a atenção dos jesuítas, figurava, para as bandas de leste, o aldeamento de São José, localizado no Bairro do Rio Comprido, atual região de São José dos Campos. De 1643 a 1660, os religiosos obtiveram para os índios diversas léguas de terras, concedidas por João Luís Mafra. A aldeia progrediu e passou a ser denominada Vila Nova de São José. Após alguns anos, os índios dessa vila trouxeram amostras de puríssimo ouro, o que despertou a atenção para a Serra da Mantiqueira, nas proximidades do Rio do Peixe, nas imediações do Bairro das Lavras, um lugar alagadiço da atual Fazenda Montes Claros, hoje conhecido como "Tanque dos Índios".

Em 1769, os jesuítas foram expulsos; com isso, alguns brancos agregaram-se aos índios sob a direção de José de Araújo Coimbra, Capitão-Mor de Jacareí, e deram impulso à povoação. Por ordem do Governador-Geral, D. Luiz Antonio de Souza Botelho Mourão, em julho de 1767 foi criada a vila com o nome de São José do Paraíba. A partir de 1871, a região passou por duas fases distintas: o desenvolvimento agrícola com forte preponderância da cultura do café e a criação da estância climática, conseqüência natural de seus bons ares. A emancipação à categoria de vila não foi um fator determinante para o seu progresso, e por muitos anos manteve as mesmas características modestas. A principal dificuldade de São José era o fato de a Estrada Real passar fora de seus domínios. Em meados do século 19, já demonstrava alguns sinais de crescimento econômico com o desenvolvimento da agricultura. O algodão teve uma rápida evolução na região - momento em que São José conseguiu algum destaque -, e sua produção chegou ao auge em 1864. Nesse mesmo ano, em 22 de abril, a vila foi elevada à categoria de cidade, e em 1871 recebeu a atual denominação: São José dos Campos.

Quase simultaneamente, houve o desenvolvimento da cultura cafeeira no Vale do Paraíba, que começou a ter alguma expressão a partir de 1870. No entanto, foi no ano de 1886, quando já contava com o apoio da estrada de ferro inaugurada em 1877, que a produção cafeeira joseense teve seu auge, mesmo num momento em que já acontecia a decadência dessa cultura na região, conseguindo ainda algum destaque até por volta de 1930. A procura do município de São José dos Campos para o tratamento de tuberculose pulmonar teria se tornado perceptível no início do século 20, devido às condições climáticas supostamente favoráveis. Em 1935, o município foi transformado em estância hidromineral e passou a receber recursos oficiais, que puderam ser aplicados na área sanatorial. Com o advento dos antibióticos nos anos 40, a tuberculose começou a receber tratamento ambulatorial, caracterizando assim o fim da função sanatorial até então exercida por São José, num momento que já era crescente a vinda de estabelecimentos industriais para a cidade.

O processo de industrialização do município tomou impulso a partir da instalação do Centro Técnico de Aeronáutica - CTA, em 1950, e com a inauguração da Rodovia Presidente Dutra, possibilitando assim uma ligação mais rápida entre Rio de Janeiro e São Paulo. A conjunção desses fatores permitiu que o município caminhasse para o potencial científico-tecnológico em que se encontra. Sua população atual é de 520 mil habitantes.