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Créditos
Narrar a história do comércio é
falar de relações humanas. É contar
a trajetória de uma das mais antigas atividades
sociais, não apenas por meio do desenvolvimento
econômico ou de técnicas, mas também
das afinidades entre comerciantes e clientes. Das cadernetas
aos pagamentos eletrônicos, encontramos histórias
de amizade, compreensão, iniciativas, dificuldades
e vitórias, que traduzem a magia dos balcões
simples ou sofisticados presentes em nosso cotidiano
e em nosso imaginário.
Rotas do Vale é o mais novo componente do projeto
Memórias do Comércio, iniciativa do Sesc
São Paulo executada pelo Museu da Pessoa
em 2003. Marca os dez anos dos primeiros produtos lançados:
Memórias do Comércio da Cidade de São
Paulo (1994), seguindo para Araraquara, São Carlos
e região (2000) e Baixada Santista (2001). Mais
uma vez, resgatamos a história a partir de depoimentos
reveladores de trajetórias pessoais singulares
e detalhes do dia-a-dia dos personagens que fazem a
história do comércio.
Optamos por contar a história do comércio
e das cidades do Vale do Paraíba a partir de
sua marca mais característica: seu papel de interligação
entre as duas mais importantes capitais brasileiras.
Importante eixo de desenvolvimento entre São
Paulo e Rio de Janeiro, desde os tempos coloniais, o
Vale configurou-se como rota fundamental na abertura
de caminhos para circulação de mercadorias:
primeiro no lombo das mulas, depois nos trilhos das
ferrovias, e finalmente no asfalto das auto-estradas.
Assim, o projeto resultou neste site, em um livro e
um documentário, que enfocam as três rotas
pelas quais chegavam e saíam as mercadorias do
Vale: Tropeiros, Ferrovias e Rodovias. A pesquisa incluiu
as 34 cidades da região, com destaque para aquelas
que representam de forma mais significativa a evolução
histórica do comércio no Vale. O mapeamento
para as entrevistas de história de vida enriqueceu
os dados oficiais contidos nos livros de história.
Vinte e cinco personagens nos cederam seus depoimentos
e contribuíram para divulgar o vigor das memórias
do comércio nessa região do Estado de
São Paulo.
A consulta ao site pode ser feita de várias
maneiras - visitando as páginas dos personagens
entrevistados ou das cidades
pesquisadas, por exemplo. Em ambos os casos, existe
um grande acervo de imagens, cedidas pelos próprios
depoentes ou colhidas em arquivos públicos. Também
é possível partir das home pages de cada
uma das rotas - Tropeiros, Ferrovias e Rodovias - e
conhecer o acervo relacionado a cada uma.
São José dos Campos e Taubaté
vão unificar todos os caminhos e estarão
presentes nas três rotas que compõem o
site. A Rota
dos Tropeiros destaca esse importante ciclo econômico
e integrador do século 16 ao 18, quando se fazia
necessária a ligação entre as Capitanias
de São Paulo e Rio de Janeiro e, mais tarde,
com as Minas Gerais. As permanências culturais
desse período estão nos relatos dos personagens,
com ênfase na arquitetura, na religiosidade e
no modo de vida desses municípios. Lá
estão representadas as cidades de Paraibuna,
Guaratinguetá e Bananal.
Na Rota das
Ferrovias, destacamos a "febre dos trilhos"
que acompanha a riqueza do Vale do Paraíba com
a produção cafeeira do século 19.
Ficam aí em destaque as transformações
econômicas e sociais com a chegada da estrada
de ferro. Caçapava, Jacareí e o Distrito
de Quiririm nos auxiliam a mostrar essa evolução
no Vale.
Na Rota das
Rodovias, já no século 20, as cidades
sofrem o impacto da inauguração da Rodovia
Presidente Dutra e da chegada da era industrial. Crescem,
têm novas questões urbanas para enfrentar
e dão um salto econômico e tecnológico
que as prepara para o século 21. Estão
nele representadas, além de Taubaté e
São José dos Campos, as cidades de Lorena
e Pindamonhangaba.
E há no site ainda uma grande linha
do tempo, enriquecida por imagens, por entrevistas
e por dados contextualizadores de cada período
de evolução histórica da região.
Além dos acervos pessoais e públicos,
estão no site fotografias feitas nas cidades
de origem de cada depoente, para traçar visualmente
o Vale hoje.
Ao lado da bibliografia e da descrição
dos acervos consultados, esperamos que este trabalho
de oito meses fomente novas investigações,
dada a dimensão geográfica que abrange
as mais de 30 cidades do Vale do Paraíba. Organizamos
assim uma seção com dicas
de leitura.
Nossa preocupação é sempre a de
compor um painel histórico multifacetado, com
base na experiência de vida dos personagens que,
anônimos ou não, deixam suas marcas na
trajetória das cidades por onde passam. Resgatar
a memória desses personagens é revelar
uma diversidade cultural que concentra, no Vale do Paraíba,
cinco séculos da história do comércio
paulista.
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