Depoimento
 
   
 Terezinha Stabile
  
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IDENTIFICAÇÃO
Meu nome é Terezinha Stabile, nascida em Paraibuna no dia 3 de junho de 47.
Nasci e cresci em Paraibuna.

FAMÍLIA
Meu pai era Manoel Stabile e minha mãe, Maria das Dores Stabile.
Meus avós eram Nicolau Stabile e Maria Francisca Maia de Jesus.
Eles trabalhavam com quitanda. Minha avó fazia sequilhos, fazia bolo de penca, na época. São esses bolinhos comuns de padaria, de polvilho. E também eles começaram a trabalhar com pastel.
Só meu avô era italiano.
Mas, eles trabalhavam já com o comércio, lá em Paraibuna mesmo. Faziam essas coisinhas pra fora: cocada, sequilinho, tudo isso eles faziam.
Isso os avós, os pais do meu pai. E os pais da minha mãe eram lavradores lá de Paraibuna.
Tenho mais seis irmãos: quatro mulheres e três homens; agora são dois, pois um faleceu. Tenho um irmão que é formado advogado. Os demais só fizeram até a quarta série. Tem também uma irmã, a Bernadete, que é formada professora. Agora ela trabalha lá em Campos do Jordão.
Eu tenho uma menina chamada Ana Ligia. Tem seis anos, é minha afilhada. A mãe faleceu e o pai foi pedir se eu poderia ficar com a menina. Ela está comigo há três anos.
Por enquanto, ela não mexe com o pastel. Às vezes, ela quer reinar lá e eu não deixo. Quando ela crescer, se Deus quiser, que a gente tenha saúde e continue no ramo, pretendo que ela aprenda, sim, porque eu me sinto muito feliz no que eu faço.

CIDADES
Paraibuna
A cidade não mudou muito não. Sempre foi uma cidadezinha pacata, teve um povo muito simples, humilde, como é até agora. Era uma cidade assim, não muito movimentada, e tinha mais pessoas do que agora. A população era maior. Depois, quando foi fundada a represa, o povo começou a sair da cidade.
Porque a represa pegou muitas terras, e eles começaram a ir embora pra fora. Paraibuna não tem fábrica, não tem onde trabalhar, o povo saiu muito de lá e veio pra São José, Jacareí... Minha irmã mesmo, veio pra Jacareí, agora ela voltou novamente pra Paraibuna. Então, o pessoal saiu muito de lá. Quem ficou foi só o de manutenção da represa. O povo mesmo de lá, quase a maior parte, foi embora.
O povo de Paraibuna, como foi embora por causa da represa, por causa da falta de emprego. Quando chega uma festa junina, chega uma festa de santo Antônio, um feriado, eles vão pra Paraibuna porque a família deles está lá ainda. Os avós, os pais. Muitos têm casa lá, também, então eles voltam para Paraibuna. E chegando em Paraibuna, o povo que já era freguês da gente, vai lá no Pastel do Manezinho. E não e só freguês já conhecido, porque um encontra com uma amiga, vem aqui pra São José, outro encontra com outra pessoa, então, a gente tem freguês em tudo quanto é lugar. Os filhos de Paraibuna levam pra fora a fama do pastel do Manezinho. Então nossa freguesia, graças a Deus, é grande.
Quando eu era criança, a gente fazia muita compra também em São José. O comércio de Paraibuna era pequeno. Mas, minha mãe comprava lá algumas coisas... farinha, por exemplo. Fabricavam na própria roça. Papai comprava farinha do sítio. Hoje, eu tenho que comprar na fábrica porque eles não fazem mais farinha. O comércio lá, eu acho, era melhor. Tinha mais coisas, mais novidade.
Tinha lojas. A do seu José, já falecido, que tem até hoje, por sinal, na frente da minha casa: continua com o filho dele. Vende tecidos, armarinhos em geral, sapato.
Ele comprava do viajante que passava em Paraibuna. Tinha muito viajante. Tinha bastante viajante que vendia lá. Sapato, acho que o viajante passava vendendo, porque eu não me lembro que ele fosse em São Paulo... Nem o filho dele não vai: compra do viajante. Ele tinha móveis, também. Era loja de móveis, grande. Hoje, com o filho dele, não tem móveis pra vender. Abriram mais lojas de móveis, e como ele era pouco, comércio pequeno, ele fechou. Mas continua com os tecidos, com os sapatos, essas coisas, armarinho, tudo ele tem pra vender lá.
No mercado, antigamente, era mais açougue e armazém. Frango, essas coisas que vêm da roça, vendia lá no pátio, em frente ao mercado. Agora tem uma praça. Modernizou. O pessoal trazia frango, trazia essas coisas e vendia tudo ali. O mercado era mais pra vender carne de porco, de vaca.
O comércio tinha bastante fartura na época da minha mãe, minha mãe contava. Agora tem mais coisas, mais e mais de novidade, mais atual mais moderno.  [mais...]