IDENTIFICAÇÃO Eu sou Lauro Gilberto Pereira, nascido em São José dos Campos mesmo, 7 de julho de 1936.
FAMÍLIA Meu pai é Antônio Sebastião Pereira; minha mãe, Maria Faquini Pereira, ambos falecidos.
Talvez meu avô paterno, Benedito Pereira, e a mãe Aurora Maria Pereira. Da minha mãe, o avô talvez, não sei se é Benedito Faquini e chamava Maria Faquini também a mãe da minha mãe. Não estou bem certo, mas deve ser isso.
Meu pai e minha mãe são nascidos em São José dos Campos. Os meus avôs, uns vieram da Itália e outros de Portugal.
Só sei que eu tenho uns parentes tanto em Portugal como na Itália, ainda existe Pereira e existe Faquini também.
Conheci uma avó, mãe da minha mãe, só. Porque os pais do meu pai faleceram quando ele era pequeno, meu pai ainda era pequeno, meus pais mesmo quase não conheceram eles, então não houve a possibilidade de eu conhecer.
Meu pai, quando eu me senti por gente, tinha uma torrefação de café na rua Siqueira Campos. Torrefação de Café Aurora. Muitos anos ele militou nesse café. Só tinha duas torrefações de café em São José dos Campos: Torrefação de Café Aurora, e tinha a Café Bandeirantes, que era de um conhecido nosso. Depois ele vendeu essa torrefação de café e comprou o Bar Quinze, era um bar grande na rua Quinze de Novembro, um bar de muito movimento.
EDUCAÇÃO Eu não quis estudar, não gostava de estudar. Tirei diploma do quarto ano. E aí já comecei a trabalhar numa carpintaria, noutra, assim. E aí meu pai resolveu fazer essa mercearia no Mercado Municipal, que estou até hoje, desde 9 de janeiro de 1950.
Antigamente era o Grupo Escolar, então estudei até o quarto ano, tirei diploma, não quis mais. Minha paixão - parece impossível - mas era ficar atrás de um balcão.
Estudei no Grupo Escolar Olímpio Catão.
FAMÍLIA Minha mãe - eu lembro direitinho, como se fosse hoje - ela pesava o café. Hoje tudo é maquinário, mas antigamente pesava o pó de café num saquinho plástico. Eu lembro que ela tinha um avental grande e pesava de meio em meio quilo de café, aí ia para um outro e socava aquele café, selava. Então, o pó de café era um pacote de meio quilo. Não [como] hoje: era um quadrado assim. Então lembro bem que a minha mãe sempre trabalhou com o meu pai, sempre ajudou ele. Na mercearia não: ela trabalhou muito, muito pouquinho.
INFÂNCIA Não cheguei a trabalhar na torrefação de café, porque eu era bem jovem, bem criança. Eu lembro quando meu pai tinha charrete - foi no tempo da guerra, se eu não me engano -, não existia quase carro a gasolina, era gasogênio que eles chamavam. E meu pai tinha carroça. Eu lembro do cavalo, lembro até o nome do cavalo. Meu pai tinha uma charrete, então ele levava em Santana, distrito de Santana, ele levava o café lá em Santana. Eu lembro que eu ia com ele. Eu ia buscar esse cavalo, quando soltava, eu ia buscar o cavalo para pôr na charrete para levar o pó. A única coisa que eu lembro. Mas trabalhar mesmo na torrefação, eu não trabalhava.
FAMÍLIA Era um total de cinco irmãos. Um é falecido; um trabalha no CTA [Centro Tecnológico Aeroespacial], é aposentado, mas continua trabalhando; outro era motorista de táxi, aposentou, não trabalha mais; e tem uma irmã que é professora, mas aposentada também.
Quando meu pai abriu totalmente a mercearia, era para eu e meu irmão trabalharmos. Fui eu e um irmão, esse que trabalha no CTA, trabalhar na mercearia. Só nós dois e meu pai. Mas com o tempo, ele viu que não gostava de ser comerciante e arrumou um serviço no CTA. Até hoje está lá, tanto que ele aposentou e continua trabalhando. Quem mais ficou com o meu pai mesmo fui eu. Até 1963, eu era uma espécie de empregado do meu pai, recebia ordenado, tinha ordenado, tinha tudo. Em 1963, ele passou a barraca para mim, aí eu fiquei como dono da barraca, até hoje.
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