IDENTIFICAÇÃO Guilhermina Maria Rocco Vilela Leite.
Mas se alguém me chamar de Guilhermina, ninguém sabe quem é na minha cidade. É Mariazinha Rocco. Se alguém falar que é Guilhermina Leite ninguém sabe quem é. É um apelido que me deram desde que eu nasci.
Então fiquei conhecida na loja, por causa do comércio, por causa da escola, eu fiquei conhecida como Mariazinha. Então adotei o nome.
Nasci em Guaratinguetá, em 19 de junho de 1930.
FAMÍLIA Meus pais eram José Rocco e Georgina D'Alessandro Rocco.
Meus avós eram Maria Loia Rocco, Tomás Rocco, que foi o fundador da loja. E os avós maternos: Ângelo Rafael D'Alessandro e Guilhermina Constanza D'Alessandro.
Meu pai era do comércio e meu avô também. O meu avô materno também era comerciante. Está no sangue.
Minha mãe era mais dona de casa e a avó também.
A origem da família é italiana da parte dos dois lados, só a minha avó materna que era brasileira. Mas meu avô era italiano, o meu pai era italiano. Meu pai nasceu na Itália.
Ele veio para cá com dezoito anos. Nasceu em 1888.
O meu avô - eles vieram de uma aldeia muito pequenininha lá na Itália - , ele tinha dois filhos: tinha o meu pai e a minha tia. E ele veio tentar a vida na Argentina, no Novo Mundo, na América. Fazer a vida, fazer a América, que eles chamavam antigamente. Então ele veio, mas não gostou da Argentina, não se adaptou em Buenos Aires. E como tinha um padre em Guaratinguetá, aqui no Brasil, que era da terra dele, ele veio para cá. Veio para cá, e como diz até hoje: bebeu água do Paraíba e ficou. Ficou, adotou. Aí ele abriu a loja, em 1892. Quando foi em 1897, ele voltou para a Itália para pegar meu pai para fazer companhia, para ele ajudar na loja. E trouxe. O meu pai fez o curso de relojoeiro em Nápoles e vieram para cá. Deixou uma loja pequenininha, deixou mercadoria guardada, reabriu a loja, e mais tarde mandava buscar a minha avó. E aí já tinha um outro filho, que nasceu enquanto ele estava lá. E aí veio a família toda aqui para Guaratinguetá.
Infelizmente não tenho irmãos. Sou filha única.
A minha infância foi, como toda filha única, foi uma infância muito feliz. Meus pais eram muito unidos e tive uma infância muito feliz. Com amigos, companheiros. Minha mãe, como eu não tinha irmãos, ela tinha muito medo que eu ficasse egoísta, muito tímida. Então ela trazia todas as amigas para a minha casa e fazia sempre um jantar, um almoço, uma festinha para estudar junto. Eu tive uma infância muito feliz.
Tinha muitos primos, porque minha mãe tinha doze irmãos. Mas ela era mais ligada a uma irmã que morava em Guará. Tinha dois filhos, e esses filhos foram criados praticamente pela minha mãe como irmãos meus.
O restante da família morava em cidades do Vale; no Rio; São Paulo. Ainda tenho tia, tenho uma tia aqui em São José dos Campos com noventa anos.
Mamãe não era a mais velha. Mas quando morreram os pais, os pais morreram no mesmo dia. Interessante. Eu tinha cinco meses, tinha acabado de jantar e a minha avó estava brincando comigo e ela tinha problema cardíaco. Brincando comigo, assim, em cima da mesa, caiu e morreu. E o meu avô, quando viu que ela morreu, morreu também.
Ele ainda entrou em estado de coma. Saiu um enterro em um dia, o outro no outro. E a minha mãe ficou como centro da família. Criou as duas filhas, as duas irmãs menores. Tanto que ela se considera, essa de noventa anos, se considera minha irmã, porque mamãe que acabou de criar as duas. Uma mora em Caçapava a outra mora aqui em São José. Mas a mamãe acabou de criar. Mamãe era..., nós nos dávamos muito. Família muito unida.
TRANSPORTE Quando a família se visitava nas outras cidades, a gente ia de carro e ia muito de trem. A gente usava muito o trem, o Expressinho.
Era a Central do Brasil.
E tinha o Rápido também. O Rápido era o trem, era um trem mais..., o Expressinho era um trem mais simples. E o rápido era um trem melhorzinho.
O povo deu esses nomes. [mais...]
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