IDENTIFICAÇÃO Sou José Elhage. Nasci em 10 de junho de 21, no Rio de Janeiro - Distrito Federal, naquela época.
FAMÍLIA Meus pais são Amin e Hacibe.
Minhas irmãs são Adélia, Helena, Olinda, Julieta e o irmão, Chater... somos seis.
Meus pais eram comerciantes. Ele trabalhava no Rio de Janeiro junto com Nicolau. Nicolau foi sócio dele no Rio de Janeiro, depois ele veio para São José dos Campos e, futuramente, ele convidou meu pai para vir aqui. Em 1927, o Nicolau fundou a Casa Confiança; em 1929, o papai veio do Rio para ficar com ele aqui, e a nossa família também ficou em São José dos Campos.
Meu pai imigrou em 27; em 29 veio pra cá. Mas já morava no Rio bem antes.
Eu tinha seis anos e vim junto. Passei minha infância em São José dos Campos.
EDUCAÇÃO Estudei aqui, fiz escola de comércio. O curso era bem normal mesmo. Era muito eficiente, professores muitos bons. Eu me lembro da Maria Luiza e vários outros, como Joaquim Candelária, Jorge Moreira, que hoje é, hoje nome de rua. Tinha professores de categoria, muito bons. E fomos muito felizes no curso.
Tinha muitos colegas. Era uma turma bem grande mesmo. Tinha o Tufi Simão e o Nagib Simão, eram dois irmãos que estudaram lá conosco. A maioria dos rapazes estudou neste colégio. Era o melhor colégio que tinha.
Era mais gente de São José mesmo. Com o tempo, talvez de Jacareí - Jacareí sempre dependeu de São José dos Campos para estudos. Acredito que vinha sim, de Jacareí, Caçapava, provavelmente alguns, Taubaté, não acredito não.
MORADIA Morava do lado da loja, na praça João Pessoa. Era uma casa relativamente boa, confortável, e ficamos ali até 1939, quando papai adquiriu um terreno na rua Vilaça e construímos uma casa onde nós estamos até hoje, número 131. Minha irmã ainda mora lá até hoje. É uma casa boa, bem construída.
INFÂNCIA Eu trabalhava desde os doze anos na loja com meu pai, mas sempre havia tempo de sair e brincar com os amigos.
Jogava muito futebol porque ali na igreja, no largo da Matriz, havia uma mureta e o espaço em cima dava para fazer um campinho. Depois eles reformaram a praça, ficou muito bonita, como está até hoje.
Eu estudava à noite, justamente para poder colaborar durante o dia na Casa Confiança.
IMIGRAÇÃO A colônia libanesa aqui sempre foi relativamente boa, não grande, grande... Sempre foi boa. A sociedade dos libaneses se misturou muito com os brasileiros, ele não tinham assim, uma radicalização de querer ficar convivendo à parte dos brasileiros, eles se misturavam, os filhos, tudo. Tanto é que nossa amizade é toda de brasileiros. Não só visito uma outra família por ela ser libanesa, de jeito nenhum, nunca houve isto. Os libaneses preferem se misturar, ele é fácil de compreender e aceitar a sociedade onde ele está vivendo, ele tira proveito maior da sociedade. Não tem esse negócio: "Quero ser libanês a vida inteira". Nunca, nós nem lembramos que somos libaneses. É porque vocês perguntam que a gente responde [que é de família libanesa]. Meus filhos nem falam árabe, eu falo porque estive fora visitando o Líbano, na ocasião eu aprendi. Por aqui a gente não aprende nada. Meus filhos não sabem falar árabe.
Falava pouco com meu pai; mais era português mesmo. Eles não tinham este sistema. Existem famílias de outras nacionalidades que fazem questão que o filho fale no idioma deles, com os mais velhos. O libanês não tem disso, não: ele dá plena liberdade. Toda vida foi assim, que eu me lembre. Não são nacionalistas no sentido de querer que o filho continue sendo libanês, eles preferem que o filho seja do local onde ele é, que seria brasileiro. Todos nós não sentimos que somos libaneses, só quando vocês perguntam a gente lembra que é. Não porque a gente fica pensando, preocupando, estudando. Eu não sei se isso é bom ou mau, mas para o brasileiro é bom. Talvez para o libanês não seja tão especial, mas eles não são muito apegados.
No comércio de São José dos Campos tinha muitos imigrantes. Mas não só de libaneses, tinha bastante judeus e eram todos amigos da gente. Havia uma facilidade de comunicação.
E já existia a Associação Comercial, desde 34 ou 36, e meu pai sempre foi diretor da Associação Comercial. Atualmente, eu sou, continuo. A gente tem uma preferência por esta organização: eles olham pra nossa família com bons olhos, e nós colaboramos bastante.
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