IDENTIFICAÇÃO Meu nome é Sebastião Faria Pedroza, sou nascido em Itajubá, mas natural de Paraisópolis.
Meu nascimento é 13 de maio de 1978.
É que o hospital de Itajubá, na época, tinha mais recursos que o hospital da minha cidade. Era tradição das mulheres quererem ter filhos lá, acontecer aquela prevenção, o jeitinho mineiro: "antes prevenir do que remediar". Por isso, a minha mãe só foi lá, me teve e voltou para Paraisópolis, onde eu me criei até os catorze anos. Com catorze, vim pra São José dos Campos.
FAMÍLIA Meu pai é Venceslau Pedroza de Almeida e minha mãe Maria Rosária de Faria.
Meus avós, por parte paterna, José Simões de Almeida e Marina Simões Pedroza de Almeida, e materno, Benedito Pereira de Faria e Ana de Faria.
Eram todos ligados na área da pecuária envolvendo o setor de criação de gado e plantações, tudo voltado na área rural.
Meu bisavô paterno já pegou um pouco da época da escravidão; até na fazenda antiga tem um pedaço da senzala, então já vem uma tradição da área do campo mesmo. Minha mãe foi criada, meu pai foi criado tudo na fazenda.
Isso em Minas, na cidade de Paraisópolis. Depois, com a morte dos meus avós, os meus pais se separaram, desde que eu tinha quatro anos, e com a morte dos meus avós minha mãe resolveu desligar um pouco de lá. Como tinha um tio em São José, a gente mudou. Meu pai continua até hoje em Minas, na mesma fazenda onde ele nasceu; continua tendo a vida dele lá mesmo.
A origem da família tem um pouquinho, se não me engano, de italiano, mas é bem pouquinho; está bem na casca mesmo, não tem tanta influência já não.
Meus bisavós já são nascidos no Brasil, então é coisa de tataravô mesmo, não tem muito que puxar.
Tenho irmãos do primeiro casamento do meu pai com a minha mãe: são duas meninas e dois meninos. Agora, meu pai se casou novamente e tem mais dois irmãos.
Os mais novos até que a gente não tem muito contato. Depois que eu vim pra São José fica um pouco tumultuado porque trabalha, estuda, é aquela correria louca, não sobra muito tempo. O pouco que eu vou lá, eu passo na casa deles, converso. Os irmãos meus de lá são mais novinhos; agora é que estão começando a entender, começar a conversar, ainda têm meio receio quando a gente chega, "Ah, não vai tomar o meu espaço". Não é bem assim. Mas eu acho que mais pra frente vai ter um contato legal porque não tem preconceito, pelo menos da minha parte, porque é como se diz...: parente, a gente herda; amigo, a gente escolhe. A gente tem que acostumar com tudo que está em volta da gente.
INFÂNCIA Vivi na fazenda. Grande parte. Quem sofre muito com esse reflexo hoje são as minhas namoradas, porque lá eu tinha um sistema: de segunda a sexta-feira você ficava na cidade; chegava sábado de manhã, ia pra fazenda; era sábado e domingo na fazenda. Isso era uma coisa rotineira na minha vida e hoje em dia, é tão normal que chega o final de semana, eu não quero sair pra balada. Às vezes, a gente sai, mas eu sinto mais prazer de ir pra fazenda, montar um cavalo, dar uma olhada na criação, do que sair na noite, ver gente. Então, hoje, o reflexo maior da minha infância, quem sofre são as minhas namoradas.
Em Paraisópolis, na minha infância, nós tínhamos uma casa no centro da cidade.
Daí, chegava o final de semana, desde pequeno, quando minha avó não ia, tinha algum tio que ia e levava. Mas era raro o sábado que não ia. A gente fazia o inverso do povo da roça: o povo da roça ia pra cidade e a gente ia pra roça.
No tempo da cidade, quando criança, ia na missa, pegava a bicicleta, a gente ia pros bairros que era mais gostoso, estrada de terra, era poeira, era barro, sem dizer o tradicional futebol - eu acho que é raro as crianças que não tiveram a oportunidade de jogar bola. O cotidiano meu era basicamente de poucas brincadeiras em casa; mais na rua porque cidade de interior, cidade de 12 mil habitantes, saía da escola, almoçava: rua! O dia inteiro eu estava jogando bola, andando de bicicleta e algumas vezes em casa brincando de carrinho - que isso faz parte também da infância da gente. [mais...]
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